Manter a taxa Selic alta posterga projetos imobiliários e encarece o acesso ao financiamento habitacionalAI
Publicado 06/08/2026 18:33 | Atualizado 06/08/2026 18:33
A mais nova redução da Selic, taxa básica de juros, que passou de 14,25% ao ano para 14%, não altera significativamente o cenário de restrição ao crédito imobiliário. Essa é a visão da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras). Embora a entidade reconheça que a decisão foi positiva, é necessário acelerar o ritmo de cortes para aliviar o orçamento das famílias, ampliar o acesso ao financiamento habitacional e estimular a economia.
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"É fundamental avançar em um ciclo mais consistente e rápido de redução dos juros para recuperar com mais força a capacidade de crescimento do país", afirma Luiz França, presidente da Abrainc. De acordo com ele, manter a Selic em níveis restritivos por um período prolongado reduz a atratividade de novos investimentos, posterga projetos e encarece o acesso ao crédito. "O setor produtivo depende diretamente de financiamento de longo prazo. Com uma descompressão mais acelerada da política monetária, poderíamos aliviar o custo para as famílias e destravar investimentos que hoje aguardam condições melhores. O resultado de uma queda mais célere seria uma economia mais dinâmica, com maior geração de empregos, aumento dos investimentos e fortalecimento do crescimento econômico", observa o presidente da Abrainc.
Leonardo Mesquita, presidente da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), concorda. “A decisão é um sinal positivo e vai na direção do que o setor produtivo espera. Ainda assim, os juros permanecem em um patamar muito elevado, o que continua sendo um dos principais entraves ao crescimento econômico. Para o mercado imobiliário, o custo do crédito tem impacto direto sobre investimentos, lançamentos e a capacidade de compra das famílias. Esperamos que, com a continuidade do processo de queda da Selic, o ambiente de negócios se torne mais favorável, estimulando novos empreendimentos, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico”, comenta Mesquista.
Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio (Sindicato da Habitação), lembra que grande parte das vendas acontecem justamente porque a condição do financiamento com juros mais baixos é menos onerosa para o futuro proprietário. “É claro que a queda de 0,25 ponto percentual está muito aquém, mas o importante é que siga nessa linha e que realmente seja um recomeço de retomada da confiança do comprador, pois ele terá capacidade de honrar o compromisso financeiro. Ao mesmo tempo, os agentes bancários, públicos ou privados, também sentirão a confiança para reduzirem as suas taxas”, analisa Schneider.
Para Beny Chor, diretor da Niewview Incorporações, ainda que o movimento seja gradual, a continuidade do ciclo de queda dos juros tende a fortalecer a confiança de consumidores e investidores, ampliar o acesso ao crédito e estimular novos investimentos. “Esse cenário contribui para aumentar a demanda, facilitar o financiamento da casa própria e impulsionar a geração de empregos e o crescimento da economia”, explica Chor.
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