Publicado 20/08/2026 18:09 | Atualizado 20/08/2026 18:10
Os imóveis compactos continuam em destaque no mercado imobiliário do país. Em outro recorte do Índice FipeZAP, as unidades de dois quartos tiveram a maior valorização em 12 meses, 10,21%, enquanto as de um dormitório registraram o maior preço médio por metro quadrado, R$ 72,08, e a maior rentabilidade estimada do aluguel entre as tipologias: 6,78% ao ano.
PublicidadeDe acordo com Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, a valorização mais acentuada destes imóveis é explicada pelo “prêmio da compactação”. “De modo geral, compactos localizados em áreas urbanas valorizadas e com boa infraestrutura têm um custo final mais acessível, atraindo uma demanda maior. Soma-se a isso a mudança social, com mais lares unipessoais, o que impulsiona o aumento de preços dessa tipologia — ainda que a intensidade dessa dinâmica varie de acordo com o perfil e particularidades de cada cidade”, explica a economista.
É o caso do Rio de Janeiro. “Os números mostram que os compactos estão cada vez mais alinhados a uma demanda que combina moradia, investimento e turismo. Essa tendência no Rio ganha uma dimensão ainda maior pela vocação turística da cidade e pelo crescimento consistente do fluxo de visitantes nacionais e internacionais. Para o investidor, um imóvel de um ou dois quartos bem localizado pode reunir um tíquete de entrada mais acessível, boa liquidez e potencial de geração de renda por meio da locação de curta temporada. O avanço do turismo cria uma demanda adicional por esse tipo de ativo e ajuda a explicar por que os compactos vêm despertando tanto interesse no mercado carioca,” afirma Ernesto Otero, CEO da Lobie, empresa especializada na gestão inteligente de ativos imobiliários voltados para locações de curta temporada. Ele lembra ainda que existe uma mudança importante no perfil de quem procura por esse tipo de imóvel. “Há mais pessoas morando sozinhas, filhos que deixaram a casa dos pais, idosos e divorciados. Esses grupos também demandam por unidades menores na locação”, ressalta Otero.
Marcelo Borges, presidente da Abadi (Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis), concorda. “Além da atratividade pelo baixo custo de manutenção, a mudança na configuração das famílias e a localização mais privilegiada, não podemos perder de vista a dinâmica do investimento nas locações de short stay (curta temporada) que vem atraindo proprietários em busca de uma maior rentabilidade na locação", observa Borges.
Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio (Sindicato da Habitação), complementa que os dados refletem uma mudança no mercado imobiliário e lembra que, no Brasil, investir em imóveis é cultural. “As unidades menores apresentam uma liquidez mais rápida e maior velocidade de locação, principalmente quando estão próximas de transporte, comércio e serviços. Essa combinação de preço de entrada mais baixo, demanda mais ampla e maior velocidade na locação faz com que aconteça a valorização dos imóveis de um quarto”, analisa Schneider.
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