Publicado 31/08/2026 15:48 | Atualizado 31/08/2026 16:41
Em um cenário de juros altos e oscilações nos preços dos materiais de construção, quem pretende construir ou reformar a casa já percebeu que a conta não fecha. As saídas, afirma Cássio Ferraz, arquiteto e CEO da CMF Arquitetura & Design, estão no planejamento financeiro e em uma gestão rigorosa de todas as etapas da obra. Segundo ele, o orçamento deixou de ser um documento elaborado apenas no início do projeto. "Hoje ele precisa ser acompanhado e atualizado durante toda a execução. A previsibilidade dos gastos depende de revisões constantes, controle do cronograma e decisões estratégicas sobre compras e contratação", afirma Ferraz.
PublicidadeO profissional conta que modalidades como financiamento para construção ou crédito com garantia de imóvel ficaram mais caras, reduzindo o valor que as famílias conseguem investir sem comprometer a renda. "Não são apenas as parcelas que pesam. Em muitos empréstimos, os recursos são liberados conforme o avanço da obra. Se o cronograma atrasa, isso pode comprometer o fluxo financeiro e elevar o custo do crédito", alerta Ferraz.
Mesmo quem utiliza recursos próprios também enfrenta desafios. O arquiteto lembra que o dinheiro investido na construção deixa de render em outras aplicações financeiras, aumentando o custo de oportunidade. "Quanto maior o tempo de execução da obra, maior tende a ser o impacto financeiro de manter esse capital imobilizado", afirma o arquiteto.
Somados a estes fatores ainda estão os gastos diretos da construção e a dificuldade para encontrar mão de obra qualificada. "Muitas vezes a tentativa de economizar contratando equipes menos experientes acaba gerando retrabalho, desperdício de materiais e atrasos. No fim, a economia inicial desaparece", ressalta Ferraz. Confira mais dicas:
- Invista em um projeto executivo completo. A orientação permite levantar com maior precisão a quantidade de materiais necessários e facilita a negociação com fornecedores antes do início de cada etapa.
- Divida a obra em fases. A estratégia ajuda a distribuir os investimentos ao longo do tempo e reduz a necessidade de um desembolso elevado logo no início. Mas ela precisa ser pensada ainda na fase de projeto para evitar adaptações mais caras no futuro.
- Com os custos elevados, a escolha dos materiais também passou a exigir uma análise mais criteriosa. A ideia não é simplesmente trocar um produto caro por outro barato e sim identificar onde é possível reduzir as despesas sem comprometer segurança, conforto ou qualidade.
- A gestão de compras também ganhou papel estratégico. Comprar todos os materiais antecipadamente pode comprometer o caixa e gerar problemas de armazenamento, enquanto deixar tudo para a última hora pode significar pagar mais caro ou enfrentar atrasos na entrega.
- A escolha do modelo de contratação influencia diretamente o orçamento. Enquanto a empreitada global oferece maior previsibilidade de custos, a administração de obra proporciona mais flexibilidade, mas transfere ao proprietário os riscos de oscilações de preços e eventuais desperdícios.
- Tenha uma reserva financeira para imprevistos. Problemas no solo, reajustes de preços, atrasos de fornecedores e alterações técnicas podem acontecer. Trabalhar com uma margem de contingência entre 15% e 20% do orçamento ajuda a proteger o andamento da obra.
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.