Publicado 31/07/2026 18:54 | Atualizado 31/07/2026 19:19
Enquanto o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) avança no bloqueio de R$ 270 milhões em bens por suspeita de fraude em contratos públicos, bastidores revelam a influência do empresário Washington de Oliveira Magalhães, o "Pimpolho", na gestão do dinheiro público do município.
PublicidadeA apuração conduzida pelo GAECO/MPRJ e pela 3ª Vara Criminal Especializada investiga uma rede de lavagem de dinheiro e direcionamento de licitações. Mesmo somando 23 processos e duas prisões, Pimpolho mantinha trânsito livre na prefeitura por meio de duas conexões estratégicas no alto escalão.
A porta de entrada nos bastidores do governo era viabilizada pela secretária de Governo, Bárbara Bastos. Responsável por supervisionar a Comissão Permanente de Licitação, Bárbara mantém interlocução próxima com o empresário desde 2018, garantindo seu acesso e trânsito político na gestão municipal.
Na ponta da execução dos contratos, a presença da companheira de Pimpolho, Mariana Nascimento Correia, consolidou o controle sobre o fluxo das verbas. Nomeada para fiscalizar um contrato de R$ 15 milhões da Secretaria de Agricultura com a Krofman Comércio e Serviços, Mariana chegou a assumir interinamente o comando da própria pasta antes de presidir a Fundação Municipal de Casimiro de Abreu.
TERIA PEDIDO EXONERAÇÃO
Contudo, diante da forte pressão das investigações, Mariana teria pedido exoneração do cargo na Fundação Municipal nesta sexta-feira (31). A previsão é que a substituição seja oficializada nos próximos dias, com a nomeação de Mayla Pacheco. A escolha traz novos desdobramentos políticos. Mayla é apontada como sócia de Bianca Varela, que é chefe de gabinete do prefeito Ramon Gidalte e irmã do vereador Vitor de Doca, mantendo a gestão do órgão sob controle de um grupo político restrito.
Paralelamente, as suspeitas sobre o grupo de Pimpolho estão também sobre a empresa W O Magalhães, de propriedade do próprio empresário. A firma atua no fornecimento de mão de obra para apoio administrativo, operacional e escolar na prefeitura. A atuação simultânea da Krofman e da W O Magalhães no mesmo segmento pode indicar monopólio e direcionamento de verbas públicas no município.
O QUE DIZ A PREFEITURA
Em nota, a Prefeitura de Casimiro de Abreu disse que que a investigação em andamento tem como objeto empresas prestadoras de serviços ao município, "não havendo, até o presente momento, qualquer indicação de investigação direcionada à administração municipal".
"A Prefeitura ressalta, ainda, que, conforme divulgado oficialmente pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os nomes das empresas envolvidas não foram divulgados, em razão do sigilo que resguarda as investigações.
Diante desse cenário, a administração municipal informa que não há manifestação adicional a ser feita neste momento, uma vez que não recebeu qualquer notificação oficial relacionada ao caso.
Caso venha a ser formalmente comunicada pelas autoridades competentes, a Prefeitura adotará todas as medidas cabíveis, colaborará integralmente com os órgãos responsáveis e prestará os esclarecimentos necessários à população, sempre com transparência e respeito ao devido processo legal", encerrou.
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