Publicado 15/07/2025 00:00
A mobilidade urbana na Região Metropolitana do Rio de Janeiro enfrenta desafios muito complexos. Longos deslocamentos, transporte público fragmentado e foco excessivo em veículos sobre rodas resultam em trânsito caótico e qualidade de vida reduzida para cariocas e fluminenses. No entanto, existem soluções viáveis, como a integração metropolitana e investimentos em modais de alta capacidade, que podem melhorar significativamente esse cenário.
PublicidadeHoje, quem vive na Baixada Fluminense, Niterói ou São Gonçalo e trabalha no centro da capital precisa frequentemente pagar mais de uma tarifa, às vezes carregando diferentes cartões para ônibus, metrô e trens. Além do transtorno, isso pesa diretamente no bolso da população. A integração plena do transporte público, com tarifas e operações unificadas, é essencial para garantir um preço justo ao sistema e qualidade de vida aos moradores da região metropolitana.
Outro problema é o predomínio excessivo do transporte sobre rodas, especialmente ônibus. O sistema BRT, idealizado no país inicialmente em Curitiba e bem-sucedido em cidades menores como Medellín, não consegue suportar sozinho a demanda crescente de uma grande metrópole como o Rio. Linhas de BRT estão sobrecarregadas, sofrendo com atrasos e superlotação, enquanto a expansão da rede metroviária permanece paralisada há quase uma década. Esse desequilíbrio agrava os congestionamentos diários e reduz a eficiência geral do sistema.
Porém, há caminhos claros e viáveis para melhorar essa situação. É fundamental não dar nenhum passo atrás com a integração tarifária já existente com o Bilhete Único Intermunicipal, como se discute no momento, e garantir uma operação totalmente unificada e eficiente entre municípios e estado. Medidas semelhantes já são adotadas em outras metrópoles, como São Paulo, reduzindo o custo e facilitando o deslocamento. No Rio, isso é possível, desde que haja vontade política e diálogo institucional.
Além disso, é urgente diversificar os modais. Precisamos priorizar investimentos em sistemas sobre trilhos, como metrô e trens urbanos, que oferecem alta capacidade e eficiência comprovada. São Paulo é um exemplo nacional com, atualmente, mais de 43 km e 19 estações novas em construção e expansão. Em comparação, o Rio possui apenas 51 km de extensão de metrô.
Internacionalmente, Paris e Londres demonstram os benefícios da integração completa, com cartões únicos aceitos em ônibus, metrô, trens e até bicicletas públicas. Buenos Aires também é outro exemplo, com uma malha metroviária maior que a do Rio e muito melhor integrada.
Para todas essas melhorias se concretizarem, é essencial a existência de uma autoridade metropolitana forte e atuante. Uma governança metropolitana eficiente, com poder de planejamento integrado e gestão unificada dos transportes, garantiria a implementação efetiva das mudanças necessárias.
Mais do que nunca, é preciso reforçar a autoridade metropolitana como centro das soluções para uma mobilidade mais eficiente e inteligente, beneficiando todos os cariocas e fluminenses.
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