Publicado 09/09/2025 00:00
Estacionar nas ruas do Rio de Janeiro tornou-se, para muitos motoristas, uma experiência marcada por insegurança, incerteza e medo. A presença dos chamados flanelinhas, que ocupam ruas em diferentes regiões da cidade, cobrando valores arbitrários para “guardar” vagas, é um retrato de como o espaço público permanece refém da desordem e da falta de modernização há décadas.
PublicidadeOs relatos se multiplicam: cobranças que variam de R$ 10 a R$ 100, ameaças contra quem se recusa a pagar, abordagens invasivas em áreas de lazer e até mesmo agressões físicas. Em locais como Barra da Tijuca, Zona Sul e entorno de estádios, a situação é ainda mais evidente. O problema não se limita à cobrança indevida, mas à sensação de extorsão que se impõe ao motorista, muitas vezes intimidado e coagido a pagar para evitar riscos.
Essa atividade, embora classificada como ilegal quando envolve ameaça ou violência, sobrevive devido a brechas na fiscalização e à ausência de um sistema eficiente de gestão do estacionamento público. O Rio já ensaiou diferentes modelos ao longo dos últimos 30 anos, do ‘Vaga Certa’ aos contratos de concessão da chamada área azul. Nenhum deles se consolidou por completo.
Parquímetros foram prometidos, editais chegaram a ser anunciados, todos ficaram pelo caminho. Enquanto isso, municípios próximos, como Niterói, Volta Redonda e Teresópolis, avançaram com sistemas digitais que garantem transparência, rotatividade, praticidade e, sobretudo, ordem no uso do espaço público.
No desenho oficial, estacionar em vias públicas do Rio deve ocorrer mediante o pagamento regulamentado de uma taxa acessível, cerca de R$ 2 por período, por meio de talão oficial e guardadores credenciados. Mas, na prática, o que motoristas enfrentam é uma cobrança paralela, sem qualquer controle, que não gera receita para a cidade, tampouco segurança para quem paga. O resultado é um cenário no qual a ocupação das ruas deixa de ser um direito coletivo e passa a ser ditada por interesses individuais.
Parquímetros foram prometidos, editais chegaram a ser anunciados, todos ficaram pelo caminho. Enquanto isso, municípios próximos, como Niterói, Volta Redonda e Teresópolis, avançaram com sistemas digitais que garantem transparência, rotatividade, praticidade e, sobretudo, ordem no uso do espaço público.
No desenho oficial, estacionar em vias públicas do Rio deve ocorrer mediante o pagamento regulamentado de uma taxa acessível, cerca de R$ 2 por período, por meio de talão oficial e guardadores credenciados. Mas, na prática, o que motoristas enfrentam é uma cobrança paralela, sem qualquer controle, que não gera receita para a cidade, tampouco segurança para quem paga. O resultado é um cenário no qual a ocupação das ruas deixa de ser um direito coletivo e passa a ser ditada por interesses individuais.
O Rio precisa retomar esse debate de forma madura. Não se trata apenas de proibir a ação de flanelinhas ilegais, mas de oferecer um modelo alternativo, transparente e moderno que assegure a quem estaciona previsibilidade e confiança. Parquímetros digitais, aplicativos vinculados à placa do veículo e sistemas integrados de fiscalização são ferramentas que poderiam devolver ao carioca o direito de usar o espaço público sem medo.
O desafio é antigo, mas a resposta não pode continuar sendo a mesma: operações pontuais que afastam flanelinhas por algumas horas, sem atacar a raiz do problema. O que está em jogo não é apenas a organização do trânsito, mas a experiência de viver a cidade. Caminhar até o carro, sair de um jogo ou voltar da praia não deveria ser acompanhado do receio de ser coagido ou intimidado.
O Rio merece virar essa página. Modernizar o estacionamento público é devolver às ruas a lógica da ordem e da segurança. E isso só será possível com coragem política e clareza na escolha de um caminho que já se mostrou viável em tantos outros lugares. Precisamos que o debate relacionado à atividade de flanelinhas deixe de ser tão somente um problema de segurança pública e se torne sobre a gestão da cidade.
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