Pedro DuarteFoto Divulgação
Publicado 23/12/2025 00:00
O fim do ano é sempre um convite a balanços. Em 2025, o Rio de Janeiro viveu um período de decisões importantes. Tivemos avanços concretos no Legislativo, mas também desafios que ajudam a dimensionar o que ainda precisa ser enfrentado na gestão da cidade.
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Na Câmara Municipal, o ano foi marcado por debates estruturantes. A aprovação das novas regras urbanísticas para o ‘Minha Casa, Minha Vida’ atualizou uma legislação que estava defasada havia mais de uma década, não apenas alinhando a política habitacional ao Plano Diretor da cidade como também criando condições mais claras para estimular moradia onde existe infraestrutura consolidada e maior oferta de transporte público. É um passo relevante diante da enorme demanda por habitação e da necessidade de usar melhor a infraestrutura já existente.
Ainda nesse campo, a aplicação da desapropriação por hasta pública vem abrindo caminho para recuperar prédios privados degradados e estimular a renovação urbana. Ao mesmo tempo, o tema escancarou outro desafio: a grande quantidade de imóveis públicos que seguem vazios ou subutilizados, mostrando que revitalizar a cidade passa, necessariamente, por olhar para todo o patrimônio urbano, público e privado.
Outro tema que ganhou força foi o da ordem urbana. A aprovação do projeto que cria um novo modelo de estacionamento rotativo, a Área Azul Digital, sinaliza uma tentativa de enfrentar um problema cotidiano: o estacionamento nas ruas, hoje marcado por informalidade, cobranças ilegais e insegurança. A proposta aposta em tecnologia, fiscalização e regras claras para devolver previsibilidade ao uso do espaço público, algo essencial para moradores, comerciantes e visitantes.
Na mobilidade, a retomada das obras do metrô da Gávea recoloca no horizonte uma espera de décadas, mas ainda cercada de incertezas e com mudanças em relação ao traçado original. Assim como o debate sobre o transporte aquaviário na Barra da Tijuca, a obra simboliza a tentativa de diversificar modais e reduzir a dependência do transporte rodoviário em uma cidade marcada por congestionamentos e longas distâncias.
Mas os desafios do Rio vão além da agenda urbana. A segurança pública segue como uma das maiores preocupações da população, com o avanço do crime organizado, a disputa territorial e a sensação permanente de insegurança em diferentes regiões da cidade. Na saúde, persistem problemas estruturais, como filas, falta de profissionais e dificuldades de gestão que afetam diretamente quem depende do sistema público. No mercado de trabalho, a informalidade continua alta, sobretudo entre jovens e moradores das periferias.
O balanço de 2025 é de avanços reais, mas ainda insuficientes se levada em consideração a complexidade do Rio de Janeiro. Para 2026, o desafio é transformar leis, projetos e obras em resultados concretos para quem vive na cidade. Menos improviso, mais planejamento. Menos exceção, mais regra. É isso que queremos. O Rio tem condições de dar esse salto, desde que escolha seguir em frente com consistência, responsabilidade e foco na vida real das pessoas. Esse é o caminho para reconstruir a confiança e fortalecer a cidade.
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