Publicado 13/01/2026 00:00
Poucas vezes vimos o Rio de Janeiro tão cheio quanto neste verão. Praias lotadas até tarde, hotéis com alta ocupação, bares e restaurantes funcionando a pleno vapor. Nas redes sociais, o ‘verão no Rio’ virou tendência, com turistas nacionais e internacionais redescobrindo a cidade. A Prefeitura estima que o verão de 2026 deve movimentar cerca de R$ 12,8 bilhões na economia carioca, um crescimento de 18% em relação ao verão anterior. É, sem dúvida, uma excelente notícia.
Publicidade
Mais turistas significam mais empregos, mais renda circulando e mais oportunidades para quem vive do comércio, dos serviços e da economia criativa. O impacto positivo aparece rápido: bairros mais movimentados, novos negócios abrindo, maior arrecadação. O carioca também ganha com uma cidade mais viva. Mas esse bom momento traz alerta importante: o Rio precisa estar preparado não apenas para receber turistas agora, mas para continuar atrativo quando o fluxo diminuir.
Além do impacto econômico direto, o turismo reforça um ativo estratégico muitas vezes subestimado: o soft power. O Rio é uma marca global, reconhecida por sua cultura, paisagem, música e modo de vida. Cidades que sabem cuidar da sua imagem, sua identidade e seu espaço urbano transformam esse poder de atração em desenvolvimento econômico mais sólido.
Turismo, no entanto, não se sustenta apenas com paisagem bonita. Exige infraestrutura urbana funcionando, serviços públicos eficientes e, sobretudo, previsibilidade. Calçadas bem cuidadas, iluminação adequada, limpeza urbana regular, transporte público organizado e ordenamento do espaço público fazem toda a diferença na experiência tanto de quem visita quanto de quem mora aqui. Quando esses pontos falham, a boa impressão se perde rapidamente.
É preciso lembrar que o turismo é, por natureza, sazonal. Verões fortes, grandes eventos e picos de visibilidade internacional ajudam, mas não garantem crescimento contínuo. Nenhuma grande cidade do mundo depende exclusivamente do turismo para se desenvolver. Cidades resilientes usam turismo como motor complementar, não como único pilar.
Por isso, o Rio precisa aproveitar esse momento positivo para fazer dever de casa. Melhorar serviços básicos, investir em infraestrutura urbana e garantir uma cidade funcional o ano inteiro são essenciais para fidelizar visitantes e melhorar a vida de quem mora aqui. Turistas voltam para cidades que funcionam, não apenas para cidades bonitas.
Ao mesmo tempo, é fundamental seguir avançando na diversificação da economia. Atrair de volta o mercado financeiro, estimular serviços de alto valor agregado, fortalecer a economia criativa, a tecnologia e o mercado de energia são passos fundamentais para garantir crescimento constante e sustentável. Uma cidade que funciona bem para quem trabalha, empreende e investe é mais atraente para quem visita.
O turismo deve ser parte de uma estratégia maior de desenvolvimento urbano e econômico. Celebrar o sucesso do verão é justo. Mas é justamente no auge que a cidade precisa se preparar para os períodos de baixa. O Rio cresce de verdade quando pensa além da temporada, investe em infraestrutura, organiza seus serviços e constrói um modelo de desenvolvimento sólido, capaz de gerar oportunidades, faça sol ou faça chuva.
Leia mais