Publicado 10/01/2019 03:00
Rio - Estreia nesta sexta-feira no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio, a peça 'Rio 2065', de Pedro Brício, celebrando os 20 anos da companhia Os Dezequilibrados, dirigida por Ivan Sugahara.
PublicidadeO 20º espetáculo do grupo pretende fazer um retrato fictício do Rio em 2065, com a linguagem irreverente, bem-humorada e contemporânea que caracteriza a companhia. "É uma alegoria sobre as questões do presente, uma comédia rasgada que faz referência à linguagem do besteirol e filmes B, mas com um viés crítico que brinca com a ficção científica", analisa Pedro Brício. "No ano de 2065, será comemorado os 500 anos de fundação do Rio. A cidade é a protagonista da peça, numa visão ao mesmo tempo futurista e presa ao passado mais remoto", completa.
A TRAMA
Em cena, além de integrantes do grupo formado por Ângela Câmara, Cristina Flores, José Karini e Letícia Isnard, a montagem convida Alcemar Vieira, Guilherme Piva, Jorge Maya e Lucas Gouvêa, para contar a história da cidade no ano em questão. O panorama é o seguinte: um Rio quase todo vendido para os estrangeiros, mas que permanece como destino turístico de entretenimento e Carnaval. Um quadro de ficção científica, contado com a velocidade e conflitos dos tempos atuais.
"Procuramos fazer uma apropriação criativa do gênero de ficção científica, numa linguagem que remete tanto às chanchadas quanto aos movimentos antropofágico e tropicalista", define o diretor.
"É uma crônica da nossa história e da atualidade. Retrata uma espécie de futuro absurdo com fortes traços da época colonial e dos dias de hoje. Mas também buscamos encontrar espaços para o que existe de poético e estranho nesse amanhã imaginário, quando nossas raízes e nosso presente coexistem com nossos anseios e temores do futuro", diz.
RESISTÊNCIA
O atual 'casamento' de Pedro Brício com a companhia vem de um namoro antigo. "Sou fã deles", declara o autor. "É uma peça que precisa de atores intensos, cômicos, despudorados, com senso crítico e espírito de companhia. E de um diretor que soubesse orquestrar as diferentes atmosferas, que tratam de questões que eu e eles queríamos falar".
Ivan constata que com o trabalho ininterrupto nestas duas décadas, a história do grupo se mistura à da sua vida. "Já passamos por tudo, já brigamos muito, nos amamos muito, já casamos entre nós e separamos. O Saulo tem um filho com a Ângela, muita água já rolou", recorda.
"Estarmos juntos até hoje é algo raro. Viramos uma grande família, e tem essa vantagem de a gente conseguir ter uma linguagem de trabalho. Para este espetáculo, ensaiamos dois meses. Mas não são dois meses, são 20 anos e dois meses, o que faz toda a diferença. É um espetáculo complexo, não seria possível fazer nesse tempo com um elenco que não trabalhasse junto".
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