'Marrom, o Musical' celebra os 50 anos de carreira de AlcioneDivulgação/Caio Gallucci
Publicado 12/12/2022 06:00
Rio - Consagrada como uma das maiores artistas brasileiras de todos os tempos, Alcione teve um ano de comemorações ao celebrar 75 anos de idade e cinco décadas de carreira. Em um momento tão especial, a cantora é homenageada com "Marrom, o Musical", espetáculo que encerra a Trilogia do Samba, criada por Jô Santana. Em entrevista ao DIA, a Rainha do Samba detalha sua reação ao show dirigido por Miguel Falabella, em cartaz na Cidade das Artes Bibi Ferreira, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
"Fiquei muito honrada, mas confesso que preocupada. Não achei que minha vida fosse capaz de virar uma peça. E só depois que vi o resultado é que entendi a proposta de Jô Santana e Falabella", declara a compositora. "Fui assistir em São Paulo, pois não estava aguentando de ansiedade. Fiquei muito emocionada, principalmente ao rever cenas com meus pais, minha chegada no Rio, uma cena com Emílio Santiago. Como cantou Nelson Cavaquinho, eu recebi flores em vida!", comemora.
Dona de inúmeros sucessos na música popular brasileira, Alcione ainda revela a alegria em ver sua história contada desde a infância no Maranhão, como a filha de Filipa e João Carlos, até o início da carreira artística em estilos musicais que fãs mais novos talvez desconheçam. "Graças a Deus, tenho conseguido conquistar o coração de públicos de todas as idades, principalmente os jovens. Mas acredito que alguns não saibam que comecei na noite, cantando jazz, música francesa", destaca a cantora, que também comemora seus 50 anos de carreira com um show especial na sexta-feira, dia 16, no Vivo Rio.
Responsável por tirar o espetáculo do papel, Miguel Falabella celebra a oportunidade de assinar a direção da atração que encerra o projeto que lançou “Cartola, O Mundo é um Moinho”, em 2016, e “Dona Ivone Lara, Um Sorriso Negro”, em 2018. "Há toda uma história prévia à minha chegada ao projeto, que é do Jô Santana com a Alcione. Ele teve a ideia de me chamar e Alcione concordou e ficou feliz com a escolha. E eu, obviamente, abracei imediatamente a ideia com muita alegria! Porque eu sabia que era uma coisa que eu desejava muito fazer e que eu faria com com todo o meu coração", afirma o ator, que ainda chama a atenção para a mensagem que "Marrom, o Musical" carrega.
"Eu acho que todo espetáculo que chega ao coração do público é fundamental para a cultura brasileira no sentido de levantar a nossa autoestima enquanto povo. Então, sempre que nós testemunhamos ao talento e à chama dos artistas brasileiros, nós nos emocionamos e nos reconectamos com a nossa terra. E ela é uma artista brasileira com uma voz imensa e um coração ainda maior", completa.
E Falabella precisou somar forças com a diretora assistente Iléa Ferraz na tarefa de resumir em duas horas de show a discografia icônica da voz de "A loba", "Não deixe o samba morrer" e "Você me vira a cabeça (me tira do sério)". "Alcione tem uma obra enorme, vasta. Nós ouvimos praticamente todas as músicas e optamos pelos seus maiores sucessos e também pelas canções que, na verdade, ajudavam a contar a história e se adequavam às vozes do elenco escolhido", detalha Iléa.
E coube a Anastácia Lia e Lilian Valeska, entre outras artistas, o papel de dar vida às canções da Marrom no teatro. "É desafiador, é emocionante demais e me toca de modo muito peculiar pois eu e meus conterrâneos, o povo do Maranhão em especial, sabemos bem do quanto Alcione projetou sua trajetória nos palcos e na vida sempre nesse lugar de muita força, de determinação e empoderamento", diz Anastácia. "A trilha sonora de nossas vidas é todinha cantada por essa rainha. É muita responsabilidade e honra poder estar nos tablados celebrando 50 anos de carreira de Alcione", acrescenta.
Para Lilian, o dia em que a própria cantora prestigiou o espetáculo foi inesquecível: "Homenagear Alcione podendo mostrar a minha Alcione até mesmo pra ela foi muito importante. No dia que ela foi assistir, o coração vinha na garganta várias vezes só de ter essa possibilidade dela estar prestando atenção em mim", brinca. "Ela foi uma referência pra mim durante tantos anos da minha vida. Eu, uma atriz de musicais, tendo esta oportunidade estar em cena, fazer essa homenagem é muito importante. Eu me sinto uma mulher de sorte e me sinto honrada de poder cumprir com esse papel", finaliza.
O musical fica em cartaz até o próximo domingo, dia 18, antes de fazer uma pausa para as festas de fim de ano. Com retorno marcado para 6 de janeiro de 2023, a temporada carioca chega ao fim no dia 5 de fevereiro e, depois, o espetáculo segue para outras capitais brasileiras e já tem apresentações previstas para o segundo semestre em Portugal.
SERVIÇO - 'Marrom, o Musical' na Cidade das Artes Bibi Ferreira
Últimas apresentações de 2022. Sexta e sábado, às 20h. Domingo, às 18h.
Endereço: Av. das Américas, 5300 - Barra da Tijuca.
Ingressos a partir de R$ 20 (meia-entrada), disponíveis no site Sympla.
Classificação: livre.
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