Antonio Fagundes, Mara Carvalho, Ilana Kaplan, Alexandra Martins, Fábio Espósito e Guilherme Magon estrelam a peça Baixa TerapiaDivulgação / Caio Gallucci
Publicado 17/01/2023 07:00
Rio - Após ser vista por mais de 350 mil espectadores em São Paulo, a peça “Baixa Terapia” estreou no Rio de Janeiro, na última sexta-feira. Com Antonio Fagundes, Ilana Kaplan e Mara Carvalho no elenco, o espetáculo fica em cartaz até março no Teatro Clara Nunes, na Gávea, Zona Sul do Rio. Fagundes revela que esta é a temporada mais longa que fará na Cidade Maravilhosa, em cena com a história de três casais que se reúnem em um consultório para uma sessão de terapia inusitada.
“A minha sede de teatro sempre foi em São Paulo, então a minha expectativa no Rio é fazer uma longa temporada, algo que eu nunca tinha feito antes e vou fazer agora com ‘Baixa Terapia’. Naturalmente, isso sempre depende do público, se o público vai gostar ou não do espetáculo”, afirma o ator de 73 anos. E o artista adianta o que a plateia pode esperar do encontro. “O que a gente pode garantir é que é uma comédia hilariante, mas tem um final surpreendente no espetáculo e que faz a plateia repensar aquilo que viu”, conta.
Completando 60 anos de carreira este ano e no ar com a reprise de "O Rei do Gado" (1996), na TV Globo, o artista acredita que o destaque de "Baixa Terapia" está na facilidade que o público tem de se enxergar nas situações que ocorrem em cima do palco. Na trama, três casais se encontram no consultório para mais uma sessão e descobrem que, dessa vez, a terapeuta não estará presente. A reunião é o pontapé inicial para que os personagens revelem seus medos, dúvidas, verdades e mentiras diante dos espectadores.
"Todos os personagens da peça são bastante comuns no sentido de que não tem ninguém na plateia que não se identifique em algum momento com algum dos personagens. Eles não têm nada de especial e, talvez, seja essa a força desses personagens, porque eles são muito reconhecíveis. Você é capaz de entender o que eles vivem e tentam passar pra gente ao longo do espetáculo porque eles são muito simples de compreender e, ao mesmo tempo, têm toda a complexidade das relações humanas", explica.
Para representar situações tão cotidianas, nada melhor do que trabalhar em família. Na peça, Antonio Fagundes contracena com Alexandra Martins, sua atual esposa, e Mara Carvalho, com quem foi casado de 1988 a 2000. Além disso, os dois também são pais de Bruno Fagundes. Sobre a parceria no palco, Mara celebra: "Trabalhar com o Fagundes é sempre um grande prazer. Um ator do porte dele, que é sempre vivo em cena, sempre verdadeiro. É muito prazeroso e sempre um aprendizado".
"Nessa peça, a gente tem um entrosamento muito positivo", continua a atriz, que também participou da novela rural da TV Globo. Em "Baixa Terapia", Mara interpreta a advogada Paula, mulher do personagem vivido por Antonio. A artista explica a cumplicidade que une todo o elenco. "Eu estou acostumada a trabalhar com o Fagundes. E, quando a gente entra em cena, a gente esquece de todas as relações pessoais. Em cena, você é o personagem, veste aquela camisa, acredita naquele momento que você está vivendo e tudo fica em segundo plano", diz. Fábio Espósito e Guilherme Magon são outros nomes que completam o elenco do espetáculo.
Para Ilana Kaplan, que vive a tímida Andreia, a pandemia da covid-19 "jogou um foco mais intenso nas reflexões" abordadas pela comédia, que estreou em 2017 e já chegou a ficar em cartaz nos Estados Unidos e em Portugal. "A peça é uma comédia muito argentina no sentido de ser bastante provocativa. Ela provoca risadas porque as pessoas identificam hábitos e comportamentos como machismo, bullying... Coisas que a pandemia nos fez refletir mais ainda. As pessoas riem e em seguida pensam sobre o que elas riram", comenta a atriz.
"Por tratar de muitos temas variados, a peça deixa vários recados (para o público). Não existe um em especial. Os casais falam de vários temas, como criação dos filhos, morar junto ou não, suicídio, alcoolismo. Então, cada pessoa pode ficar pensando mais em um assunto, ou em todos. E o mais bacana é que tudo é pelo viés da comédia, porque eles estão trancados na sala sem a terapeuta e, lá, a roupa suja é lavada entre eles e na frente de todo mundo", avalia Kaplan.
Fagundes concorda com a colega de cena e ainda enfatiza o papel do gênero na reflexão sobre os mais diversos assuntos. "Principalmente por ser uma comédia, o que a gente quer passar para o público é exatamente essa visão crítica das relações pessoais. A comédia sempre foi considerada um gênero de segunda categoria. Porque a comédia incomoda, provoca, instiga. A comédia faz você pensar de uma forma muito mais ativa e vibrante. Exatamente por ser uma comédia, todas as mensagens (em 'Baixa Terapia') passam de uma forma muito simples, muito clara e muito crítica pra plateia", completa.
SERVIÇO - "Baixa Terapia" no Teatro Clara Nunes - Shopping da Gávea
Em cartaz até 26 de março. Sexta-feira às 21h, sábado às 20h e domingo às 18h.
Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 52 - Gávea
Ingressos a partir de R$ 70, disponíveis no site Sympla e em bilheteria local.
Duração: 90 minutos.
Classificação: 14 anos.
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