Produção do gênero roadmovie foi gravada no Brasil e no Uruguai Divulgação
Publicado 31/03/2023 09:00
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Rio - O filme "La Situacíon", que chegou aos cinemas no último dia 23, aborda os desafios da mulher moderna. O longa, uma comédia leve, cheia de mistério e muita diversão, conta a história de três mulheres em busca de liberdade. 


Cansada da rotina exaustiva de trabalho, Ana (Natália Lage), recebe a notícia de que tem uma herança deixada pela avó que morava na Argentina. A viagem para resolver as questões do terreno ao qual a personagem tem direito acontece com a melhor amiga, Letícia (Júlia Rabello), que também passa por crise existencial. O trio fica completo com a prima louca de Ana, Yovanka (Thati Lopes). A aventura se passa entre as fronteiras de Brasil, Argentina e Paraguai.
"É muito importante que se faça um filme com três mulheres protagonistas com esses desafios, nesse ambiente onde estamos acostumados a ver homens atuando. Entendo que em termos de sociedade estamos num momento de tomada de consciência dessa importância. É como ver o 'Se Beber Não Case' com mulheres. Quais são os nossos perrengues? Se eu me perder, como faço com meus filhos?", analisa a produtora Iafa Britz.
As 'super mulheres' que embarcam na viagem
Para as atrizes que deram vida às protagonistas, o filme é uma oportunidade de refletir sobre a construção da identidade feminina e ampliar a visibilidade de questões relevantes. Diferente de produções que valorizam um "felizes para sempre" atrelado a figura masculina, "La Situacíon" propõe outros debates sobre a realização da mulher.
"A gente esta ampliando a voz feminina em todos os aspectos atualmente. A gente vê esse movimento acontecer e conseguimos enxergar esse feminino para além de uma relação amorosa. O bonito do desafio é a gente dar voz para o que vemos atualmente", diz Júlia. "E que lugar é esse que a mulher está ocupando agora? Que tipo de construção da identidade da mulher está aparecendo e sendo levada em conta? O filme mostra mulheres com outras questões como sexualidade, trabalho e a vida em si", complementa Natália.

Com um roteiro escrito por Carolina Castro e Natália Klein, a produção reuniu uma equipe híbrida, com especialistas em cinema do Brasil e do Uruguai. As gravações foram realizadas durante a pandemia, quando a limitação de deslocamento entre países ainda era grande.
"Foi um momento ótimo em que a gente estava na pandemia e nos convidaram para fazer o que a gente gosta no Uruguai. E conhecer o país, ver as locações, conhecer mais sobre essa outra cultura, fez a gente aproveitar muito", relata Thati Lopes. "Acho que a gente relaxou e gozou, como diria Marta Suplicy. A gente se entregou a essa vivência", declara Júlia Rabello. "Trabalhar com essa galera, que vem de outra escola, mas troca de igual para igual, foi muito bom. É um desafio fazer um filme híbrido que reúne 'roadmovie', aventura e transitar entre esses lugares foi muito gostoso", completa.
História de amor entre amigas
Com um grande trabalho de preparação, as atrizes, conhecidas pelo humor, afirmam que diferente do que o público pode imaginar, o filme não tem muito improviso. Como as filmagens aconteceram em um cenário que exigia muitas externas, foi preciso objetividade para otimizar a agenda de gravações.

Além da cumplicidade que reúne as três atrizes na vida real, a narrativa traz uma intimidade entre as personagens, o que ultrapassa a necessidade de um par romântico acompanhando a figura principal. "O que eu acho mais maravilhoso no filme é que na verdade a história de amor é essa amizade entre elas. E uma das coisas que eu mais odeio no machismo é dizer que mulher não é amiga de mulher. Isso eu fico p*ta. E o que eu acho mais legal é que essas mulheres vivem aventura, têm uma coisa de 'vamos juntas', 'estamo indo', 'vamos pra frente'", explica Júlia.
"Eu acho que tem essa sororidade", complementa Thati. "São várias respostas sob a visão masculina de mundo que a gente vai dando no filme", diz a atriz Júlia Rabello. "Isso é uma reconstrução e uma brincadeira com tudo isso. As pessoas naturalizam que o casal fique junto. Vi esses dias o filme 'Joy' que tem isso, da mulher poderosa, que a gente quando vê um homem lindo torce para ficarem juntos. Mas a gente vai construindo diante disso um novo imaginário", pontua Natália.
O 'príncipe que não é encantado'
Dudu Azevedo chega como o "gostosão" que vem na intenção de salvar o trio de uma grande cilada e faz com que os espectadores vibrem para que o personagem fique junto com a herdeira do terreno argentino.
"O Dudu é o Macho Alfa que chega para resolver tudo, mas não resolve nada. Mas que está sempre ali", diz Iafa. "Ele é uma pessoa boa, um cara do bem, mas que no final toma um 'toco' porque a discussão não é sobre isso naquele momento", explica Tomás Portella, diretor da produção.
Dudu reflete sobre os desafios de atuar em "La Situacíon". "A grande graça para mim foi desconstruir isso. Ele não é o galã, não é o príncipe. Chega para salvar e não salva, chega para simplificar as coisas e quando vê ele é sequestrado e resgatado por elas. E no fim, para completar, ainda ganha um 'toco' dela. Ou seja: ele não é a resposta para tudo o que ela procurava. Isso que é ótimo, porque a gente desconstrói aquele formato de sempre, de que só o 'cara' pode levar uma mulher para o caminho da felicidade", analisa.
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