Publicado 28/03/2023 00:00
O Rio Memórias é o primeiro museu virtual da cidade do Rio de Janeiro e está prestes a receber mais três galerias no site, que já conta com 12. O evento de lançamento acontece no dia 28 de março, com uma roda de samba comandada por Marquinho China e a presença dos três curadores das novas galerias do site, no Renascença Clube, no Andaraí. A idealizadora do projeto, Lívia Sá Baião contou que a ideia do projeto veio do Memorial de Minas, um museu de experiência que fica em Belo Horizonte, que mostra a história do estado e da cultura do povo mineiro. Segundo ela, faltava algo semelhante no Rio de Janeiro.
O museu digital nasceu em agosto de 2019 e, aos poucos, foi crescendo com a colaboração de especialistas, pesquisadores e historiadores muito preparados. Lívia revelou que o objetivo do site é contar a rica história da cidade do Rio de Janeiro, que foi capital nacional por quase 200 anos, de uma maneira fora do comum, indo além das praias, do Bondinho e do Corcovado. É uma forma de mostrar o Rio além dos pontos turísticos. “É inegável a influência da cultura carioca no Brasil e no mundo. O que acontece aqui reverbera”, afirmou Lívia. Além das salas virtuais na palma da mão, o museu realiza passeios inspirados nas galerias, com guias cadastrados. O valor do tour é de R$ 40 (meia-entrada) e R$ 80 (inteira) por pessoa, mas também é realizado no ensino médio de escolas públicas gratuitamente. O próximo passeio está programado para maio e o tema será a galeria “Rio Desaparecido”. Para mais informações, acesse o site do Rio Memórias.
Por ser uma organização sem fins lucrativos, a maior parte dos recursos que o site consegue vem das Leis de Incentivo, que promovem a cultura e a educação, como a Lei Rouanet. Além disso, captam com o Imposto Sobre Serviços, o ISS, e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, ICMS. Também há ajuda de diversos patrocinadores que apoiam desde o início do projeto, como Norsul, BTG, Kasznar Leonardos, Adam Capital e o mais recentemente, a Light.
Para manter a tradição de renovação do museu, o site recebe as galerias Rio das Artes, Rio Suburbano e Rio Operário. A primeira galeria, Rio das Artes, propõe um passeio pelas obras que agitam a cidade desde o período colonial, como as exposições Opinião 65 e Nova Objetividade Brasileira e a relação do artista plástico Hélio Oiticica com a Estação Primeira de Mangueira. O Rio Suburbano conta a a história das áreas que surgiram a partir da construção de fábricas e da linha ferroviária. É uma tentativa de subverter a imagem de uma área olhada com tanto desdém.
“A resistência cultural contribui decisivamente para que os valores identitários suburbanos resistam, mesmo tendo sido (e ainda sendo) muito reprimidos e taxados negativamente por parte da sociedade”, disse a idealizadora do museu. Já o Rio Operário traz um panorama das lutas dos operários do século XIX até 1930.
A galeria fala sobre a diferença de pagamentos entre homens e mulheres, o emprego das crianças nas fábricas, times de futebol e outros aspectos da realidade vivida no passado para celebrar aqueles que sempre cuidaram e continuam cuidando da cidade ainda que, muitas vezes, sejam impedidos de usufruir das maravilhas que ajudaram a erguer. O evento de inauguração dessas três galerias ocorre no dia 28 de março, a partir das 18h de forma gratuita, mediante retirada de ingresso no site Sympla, e terminará às 22h. O local é o Renascença Clube, na Rua Barão de São Francisco, 54, no Andaraí.
Lívia Sá Baião afirmou que a galeria mais visitada do site é a “Rio Desaparecido”, que consiste em mostrar a derrubada de morros, os aterros, a destruição da floresta e a destruição de prédios icônicos. “Importante ressaltar a importância dessa galeria porque aquilo que deixamos desaparecer tem muito a dizer sobre o sobre o futuro que queremos para a nossa cidade”.
A fundadora do museu relatou o projeto de colocar placas com códigos QR em lugares importantes do Rio de Janeiro, para maior conhecimento do museu, que, segundo dados do site, conta com cerca de 12 mil visitas mensais. Atualmente, as principais maneiras de divulgação são as redes sociais e as atividades realizadas em escolas públicas da cidade.
Por fim, Lívia diz que o objetivo do museu virtual é trazer à tona narrativas pouco conhecidas e que formam a identidade da cidade e do povo carioca de maneira relevante, contando as histórias de quem construiu o Rio com as próprias mãos. O Rio Memórias pode ser consultado a qualquer lugar e momento, basta um pequeno intervalo para ler uma grande história.
*Reportagem do estagiário Lucas Tavares, sob supervisão de Paulo Ricardo Moreira
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