Cazuza Divulgação
Publicado 16/06/2025 05:00 | Atualizado 16/06/2025 09:42
Rio - Com mais de 1.500 metros quadrados, a exposição "Cazuza Exagerado" está aberta ao público no terraço do Shopping Leblon, Zona Sul do Rio, em comemoração aos 40 anos do lançamento do primeiro álbum solo do ex-vocalista do grupo Barão Vermelho, e convida o público a mergulhar na obra e vida do artista, que morreu aos 32 anos, em 1990, por complicações do vírus HIV.
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De curadoria assinada por Ramon Nunes Mello, a mostra - a maior já realizada sobre o poeta, cantor e compositor carioca - conta com nove salas imersivas, centenas de itens pessoais cedidos por Lucinha Araújo, mãe do artista, e recursos tecnológicos de última geração. 
"A Lucinha sempre quis fazer uma exposição do acervo que ela tem e me procurou em 2023 por indicação da Flora Gil e do poeta André Vallias, sugerindo meu nome para organizar os livros do Cazuza e foram lançados em 2024 o 'Meu Lance é Poesia' e uma biografia chamada 'Protegi Teu Nome por Amor'. Assim que começou a história com Lucinha de eu ter acesso à obra e o acervo dele", relembra Ramon. 
O curador revela detalhes sobre a troca de ideias com a mãe do artista. "É sempre muito emocionante estar com a Lucinha, porque ela tem 88 anos e o Cazuza permanece na nossa memória muito pela luta da Lucinha em manter o legado dele. Ela tem muitas histórias, viveu intensamente todas as fases da vida do Cazuza. Retomar o contato com ela para fazer a exposição é sempre muito forte. Ela é uma pessoa muito generosa e amorosa. Tem sido um presente viver e trocar essa experiência com ela".
Com ambientes temáticos, a exposição revisita todas as fases da trajetória de Cazuza, desde a infância ao auge da fama, percorrendo os anos à frente do Barão Vermelho, a carreira solo e sua atuação como cronista da geração 80. 
"O trabalho foi possível porque eu já tinha organizado esse material anteriormente para os livros. Somando tudo, entre fotos, acervos, depoimentos, áudios...são quase 700 itens. Fui conversando com Marcelo Jackow e ele foi a pessoa que pensou criativamente nos espaços. Fui entendendo de que maneira que o conteúdo do Cazuza ia entrando nessas salas. A gente dividiu em nove, e cada espaço tem um momento da vida dele", explica Ramon. 
Na sala 'Agenor Caju', o visitante entra em contato com o ambiente familiar do cantor, os primeiros anos escolares e os encontros iniciais com o teatro e o circo. Na sequência, a sala 'Maior Abandonado' mergulha nos anos iniciais da trajetória musical, destacando sua atuação como vocalista do Barão Vermelho. A fase solo é retratada na sala 3, 'Eu Sou Manchete Popular'. 
"A sala aborda a carreira solo de 1987 até 1990, então tem os álbuns 'Exagerado', 'Só Se For a Dois', 'Ideologia' e 'Burguesia'. O álbum 'O Tempo Não Para' fica na sala específica para esse disco. Mas ali tem manuscritos, escrivaninha, máquina de escrever e vários recortes de jornais que a Lucinha guardou ao longo da vida, e tem um álbum do 'Burguesia' que o Cazuza autografou de presente para o Ney Matogrosso", lista.
Momentos da relação do cantor com a televisão ganham destaque na sala 4, 'Viva o Chacrinha, Viva o Palhaço'. A sala 5, 'Cazuza por Toda Parte', amplia essa dimensão midiática em um ambiente audiovisual. A sala 6, 'Caravana do Delírio', recria a famosa veraneio preta com a qual Cazuza cruzava o Rio de Janeiro ao lado dos amigos. 
"Tem troféus, álbuns do momento da internação e muitas fotos com amigos que acompanharam ao longo da sua trajetória. É uma sala com muitos vídeos, depoimentos e participações em programas. Um depoimento lindo do Renato Russo falando sobre ele, então tem coisas muito lindas. É uma sala muito emocionante", destaca o curador. 
Já a sala 7, 'O Tempo Não Para', reconstrói o camarim do último show no Canecão e propõe uma imersão no repertório do disco ao vivo. A Sala 8, 'Na Mídia, na Novidade Média', traz vitrines de filmes em que teve participações e fachadas icônicas da vida carioca que eram frequentadas por Cazuza. Fechando a experiência, na Sala 'Eu Ando Muito Bem Acompanhado', o público pode interagir com personagens reais da vida do artista. 
Para o curador, a exposição também é uma forma de criar um diálogo sobre o HIV, doença que vitimou Cazuza. "Ele foi o primeiro artista que conseguiu falar abertamente da doença. É importante porque faz com que a geração atual lembre que o HIV ainda existe, que apesar de existir medicação, a gente tá num outro momento da epidemia. O avanço científico ele não é correspondente ao avanço do preconceito, que permanece desde os anos 80".
A mostra evidencia o legado de um artista que continua vivo na memória do povo mesmo após mais de três décadas de sua morte. "Para a geração que conheceu o Cazuza é uma exposição muito rica, que se aprofunda nas relações...Então, é muito emocionante a gente ver os objetos pessoais dele ali. E, para a geração que não conheceu, acho que é uma oportunidade, né? Porque o Cazuza está presente nas nossas vidas até hoje. Está na abertura da novela 'Vale Tudo' e quando você liga o rádio, ele está tocando", diz Ramon.  
Serviço:
Exposição 'Cazuza Exagerado'
Segunda a Sábado, das 10h às 22h / Domingos e Feriados, das 13h às 21h
Local: Terraço do Shopping Leblon
Endereço: Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon
Ingressos a partir de: R$ 40 (meia-entrada)
Classificação etária: Livre
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