Mauricio de Sousa é homenageado em Mostra de Cinema de SP Paulo Pinto / Agência Brasil
Publicado 16/10/2025 07:56
Perto de completar 90 anos, no próximo dia 27, o desenhista, cartunista e escritor brasileiro Maurício de Sousa foi homenageado na noite dessa quarta-feira (15) com o troféu Leon Cakoff, da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que reconhece personalidades que contribuíram para a cultura e o mercado audiovisual brasileiro.

Mauricio de Sousa não pôde participar da abertura, mas foi representado por seu filho, Mauro Sousa, que agora o interpreta no cinema, com o longa Mauricio de Sousa - O Filme.

"Este é um momento duplamente especial", disse Mauro Sousa, em entrevista à Agência Brasil e à TV Brasil. "Primeiro, pela homenagem aqui da mostra, porque o meu pai sempre teve esse sonho de que seus personagens suas obras fossem para o cinema. Então, isso que está acontecendo é a concretização desse sonho e de um reconhecimento de que a gente está fazendo um bom trabalho, com qualidade, seguindo essa essência do Mauricio", afirmou.

O longa chega aos cinemas no dia 23 de outubro, mas a mostra vai apresentá-lo em uma sessão especial para o público dois dias antes.
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"Estou muito emocionado de representá-lo aqui e também por representá-lo no cinema. É a minha estreia no cinema, eu nunca tinha pisado num set, minha experiência até então tinha sido principalmente no teatro. Acho que este é o melhor presente que eu poderia ter dado para ele - e para mim também. Acho que foi a cereja do bolo, principalmente neste ano em que ele completa 90 anos".

Além de Mauricio de Sousa, a mostra também homenageou a cineasta martinicana Euzhan Palcy com o Prêmio Humanidade, por seu papel na luta contra o apartheid na África do Sul e por inspirar tantos cineastas em todo o mundo, principalmente mulheres negras.

Figura pioneira na história do cinema, Euzhan foi responsável por abrir caminhos para mulheres negras em espaços antes inacessíveis. Seu longa de 1983, Rua Cases Nègres, recebeu o Leão de Prata em Veneza, primeira vez que o prêmio foi concedido a uma mulher e pessoa negra na direção. Ela também recebeu o Oscar honorário.

Em seu discurso, a martinicana agradeceu a homenagem e falou da proximidade entre o Brasil e seu país.

"Nos da Martinica e do Brasil somos irmãos. Na Martinica, quando o Brasil joga, não há ninguém na rua", brincou ela, sobre a seleção brasileira de futebol. "Eu costumo dizer que estou fazendo filmes para dar voz às pessoas que foram negadas de falar. Era muito urgente para mim, como cineasta, ajudar as pessoas a estarem na tela", acrescentou durante a cerimônia de abertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na noite de ontem (15), na Sala São Paulo.
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