Publicado 26/04/2026 05:00
Rio - A literatura infantil ganha uma nova história que mistura futebol, amizade e aprendizados para a vida. "Meu Mundo é uma Bola", escrito por Regiane Alves em parceria com Liliane Mesquita, aposta em uma narrativa sensível para falar sobre sonhos, diferenças e superação a partir do universo do esporte.
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A ideia do livro nasce de experiências pessoais. Regiane conta que o contato com o futebol dentro de casa foi determinante para o ponto de partida da história. "Muito do que escrevo nasce das vivências com meus filhos. O futebol está presente na minha rotina por causa do meu filho Antônio, e, ao observar diversas situações nesse contexto, senti o desejo de falar sobre isso", afirma. O encontro com Liliane, segundo ela, ajudou a dar forma ao projeto.
Na obra, quatro amigos compartilham o sonho de se tornarem jogadores de futebol e enfrentam desafios que vão além do campo, como diferenças sociais, frustrações e conflitos internos. A proposta é trabalhar essas questões de forma acessível para o público infantil, sem abrir mão da profundidade.
Para Regiane, um dos pilares da história está na educação emocional. "Você pode ter talento para algum esporte, mas, se não trabalha a sua inteligência emocional, isso pode ser prejudicial", diz. Ela destaca que o futebol, por si só, já coloca as crianças diante de sentimentos intensos. "Convivemos com a alegria e a frustração, e a forma como lidamos com isso diz muito".
O esporte também aparece como um espaço de igualdade e conexão. "Dentro de campo, não importa origem ou classe social, todos são iguais, com o mesmo objetivo", resume a atriz, conhecida por trabalhos em novelas como "Laços de Família" (2020), "Mulheres Apaixonadas" (2003) e "Vai na Fé" (2023).
A construção dos personagens também busca ampliar o olhar sobre diferentes realidades familiares. Regiane expõe que houve uma preocupação em representar essas vivências sem reforçar padrões. "Existem diferentes configurações familiares, e está tudo bem não corresponder a um modelo previsto".
Com experiência de mais de duas décadas na educação, Liliane Mesquita traz para o livro um olhar voltado à escuta e à diversidade das infâncias. Segundo ela, a história parte do princípio de que cada criança carrega vivências únicas. "Por trás de cada criança existe uma história pedindo escuta", afirma.
Na obra, o futebol funciona como ferramenta de aprendizado que vai além do jogo. A autora destaca que o ambiente esportivo pode ajudar no desenvolvimento emocional e social. "É um espaço onde se aprende sobre emoções, convivência, respeito e autoestima", lista.
A escritora, ainda, aponta que o livro propõe abordar diferenças sociais de forma cuidadosa, sem ignorar a realidade. "Em vez de partir da falta, podemos partir do cuidado, da partilha e do respeito", diz, ao defender que a literatura é um caminho para ampliar o olhar das crianças sobre o mundo. A expectativa é que a história estimule diálogos dentro e fora de casa. "O livro pode abrir conversas sobre sonhos, medos, amizade e pertencimento", afirma Liliane.
Ao longo da narrativa, a mensagem central se constrói de forma gradual: mais importante do que vencer é o processo. Como resume a autora, a história convida a criança a entender que crescer também passa por enfrentar dificuldades, aprender com elas e seguir em frente.
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