Publicado 18/09/2026 18:41
O espetáculo 'Minha Estrela Dalva', estrelado por Renato Borghi e Soraya Ravenle, em cartaz no Teatro Claro Mais, em Copacabana, na Zona Sul, recebe neste sábado (19) uma sessão com acessibilidade completa: audiodescrição, Libras, legendas, abafadores de ouvido, óculos para fotossensibilidade e materiais táteis. A data marca o Dia Nacional do Teatro Acessível, cuja origem remonta à trajetória da atriz Tatá Werneck.
PublicidadeEm 2003, ainda estudante de Artes Cênicas na UniRio, Tatá fundou com colegas “Os Inclusos e os Sisos”, o primeiro grupo de teatro inclusivo do Brasil. A ideia partiu dela: criar um coletivo que falasse de inclusão e a praticasse, "tudo com humor e provocação", como lembra sua mãe, a ativista Claudia Werneck, à frente da Escola de Gente — Comunicação em Inclusão. A organização foi responsável pela campanha que resultou na lei que instituiu a data, em 2017.
O grupo, ainda ativo mais de duas décadas depois, foi pioneiro ao realizar, em 2007, o que a organização considera o primeiro espetáculo plenamente acessível do país, tendo sido premiado pela ONU, em Viena, em 2014.
Apesar do reconhecimento internacional e da legislação em vigor, a prática segue distante do padrão nas casas de espetáculo brasileiras. "A acessibilidade comunicacional ainda não é percebida como primordial, e sim como algo opcional", diz Claudia Werneck. Um erro recorrente, segundo ela, é tratar a Libras como uma solução isolada: como nem toda pessoa surda domina a língua, seria necessário oferecer também a legendagem em tempo real. "Sem acessibilidade a arte não vive. E ela deve ser oferecida em todo e qualquer espetáculo teatral", afirma.
A sessão deste sábado, às 20h, integra a V Mostra de Teatro Acessível e contará com uma fala de Claudia Werneck ao público antes da apresentação, contextualizando a data. Escrito e protagonizado por Renato Borghi, o espetáculo narra sua relação de afeto com a cantora Dalva de Oliveira, iniciada aos seis anos, quando ganhou da mãe um disco da trilha de “Branca de Neve”, no qual a cantora dava voz à personagem-título. No palco, Borghi divide a cena com Elcio Nogueira Seixas — que também assina a direção ao lado de Elias Andreato —, Soraya Ravenle, no papel de Dalva, e Ivan Vellame, que interpreta personagens marcantes da trajetória da cantora, entre eles o compositor Herivelto Martins.
Reportagem de Maria Fernanda Imbelloni sob supervisão de Renata Onaindia
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