Publicado 19/02/2025 06:00 | Atualizado 19/02/2025 08:30
Rio - A comunidade da Beija-Flor de Nilópolis se prepara, emocionada, para homenagear um de seus mestres. O enredo "Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas" vai abordar a complexidade contida no diretor de carnaval e multiartista autodidata, que nos deixou em 2021. O homenageado será lembrado pela espiritualidade, musicalidade e pela dedicação à folia, desenvolvida desde a infância.
PublicidadeMarcado pelo uso da roupa branca e dos carregados colares de conta, o personagem icônico terá três setores do desfile dedicados à religiosidade. O carnavalesco João Vitor Araújo destaca que Luiz Fernando Ribeiro do Carmo (1943-2021), nome de batismo do baluarte, era um homem de muita fé. "Ele era aquele cara que você perguntava: 'Qual é a sua religião?'. E ele respondia católico apostólico romano. Só depois dizia que era do Candomblé, da Umbanda. Acreditava em tudo o que era para o bem. Pedia caminho a Exu, mas se dobrava nos altares de igrejas, pedindo a Deus por dias melhores", ressalta João Vitor.
Essa devoção estará representada entre as seis alegorias e três tripés, com menções a Xangô, ao Sagrado Coração de Jesus e à Iemanjá, por exemplo. A imagem da Rainha do Mar vai relembrar um episódio em que Laíla, então diretor de harmonia do Salgueiro, levou a escultura de 3 metros à Praia de Copacabana em agradecimento ao campeonato de 1969. Essa é uma de tantas histórias míticas do gênio de temperamento forte que será contada pela agremiação de Nilópolis.
"Todo mundo o criticava. A Beija-Flor era tida como a escola da macumbaria. Hoje todo mundo faz igual. Todo mundo coloca seu bom despacho antes de entrar [na Sapucaí] e evoca Exu. Não tem como negar que o cara era pioneiro", destaca o carnavalesco.
Outro gesto marcante do mestre, a entrega de rosas brancas será lembrada no desfile. "Isso é lindo. Em uma reunião que eu tive aqui no barracão com a família, eles pediram que não deixasse de falar desse ritual. Era uma espécie de pedido de desculpa, depois de tantas broncas que dava nos componentes. No último ensaio, a Beija-Flor distribuía essas flores como um ato de carinho", explica.
Para abordar o lado musical do diretor de carnaval, João Vitor Araújo resolveu trazer à tona um lado pouco conhecido do homenageado. Com o dom do ouvido absoluto, Laíla era apaixonado por música clássica.
Essa devoção estará representada entre as seis alegorias e três tripés, com menções a Xangô, ao Sagrado Coração de Jesus e à Iemanjá, por exemplo. A imagem da Rainha do Mar vai relembrar um episódio em que Laíla, então diretor de harmonia do Salgueiro, levou a escultura de 3 metros à Praia de Copacabana em agradecimento ao campeonato de 1969. Essa é uma de tantas histórias míticas do gênio de temperamento forte que será contada pela agremiação de Nilópolis.
"Todo mundo o criticava. A Beija-Flor era tida como a escola da macumbaria. Hoje todo mundo faz igual. Todo mundo coloca seu bom despacho antes de entrar [na Sapucaí] e evoca Exu. Não tem como negar que o cara era pioneiro", destaca o carnavalesco.
Outro gesto marcante do mestre, a entrega de rosas brancas será lembrada no desfile. "Isso é lindo. Em uma reunião que eu tive aqui no barracão com a família, eles pediram que não deixasse de falar desse ritual. Era uma espécie de pedido de desculpa, depois de tantas broncas que dava nos componentes. No último ensaio, a Beija-Flor distribuía essas flores como um ato de carinho", explica.
Para abordar o lado musical do diretor de carnaval, João Vitor Araújo resolveu trazer à tona um lado pouco conhecido do homenageado. Com o dom do ouvido absoluto, Laíla era apaixonado por música clássica.
"Acho que retratá-lo como produtor musical foi o setor mais desafiador para mim. Quando me deparei com a paixão dele pela música erudita, eu falei: 'Era disso que eu precisava". Uma das alegorias será o "Estúdio L", onde haverá o encontro do erudito com o popular.
"O estúdio, a quadra da Beija-Flor e o barracão eram tudo para o Laíla", conta o carnavalesco. No desfile, um carro será retratado como um grande teatro, inspirado no Theatro Municipal e no Scala de Milão, onde a orquestra será composta por ritmistas. "Teremos ali uma bateria cenográfica caracterizada com músicos eruditos. Nossas bailarinas na escadaria terão peruca black e tchutchu de LP", revela.
Para essa alegoria, foram providenciados 18 lustres de cristal. "Estamos com um cuidado danado para não quebrar aqui dentro [do barracão]. A proposta é mostrar que aquele cara bronco, gordinho, de aparência um pouco rude é um cristal", explica João Vitor.
Coração pulsava folia
Em sete décadas de dedicação à cultura popular, a biografia do mestre abrange diversas co-irmãs. O enredo, portanto, vai fazer referência a Carnavais icônicos de Nilópolis, mas também de outras agremiações.
"O Laíla já foi da União da Ilha, da Unidos da Tijuca, da Vila Isabel e da Grande Rio. Com 8 anos de idade, fundou a escola mirim 'Independente da Ladeira' lá no Salgueiro. Isso está mencionado no nosso desfile", explica João Vitor Araújo. Os grêmios recreativos por onde o artista passou serão homenageados em alas.
Sem entregar a surpresa, o carnavalesco da Azul e Branco de Nilópolis conta que todas as alegorias terão algum efeito especial. João Vitor também faz mistério sobre como o principal símbolo da agremiação participará do desfile. "Temos beija-flores para todos os gostos, em três tipos diferentes. O último é muito inusitado", comenta.
"O estúdio, a quadra da Beija-Flor e o barracão eram tudo para o Laíla", conta o carnavalesco. No desfile, um carro será retratado como um grande teatro, inspirado no Theatro Municipal e no Scala de Milão, onde a orquestra será composta por ritmistas. "Teremos ali uma bateria cenográfica caracterizada com músicos eruditos. Nossas bailarinas na escadaria terão peruca black e tchutchu de LP", revela.
Para essa alegoria, foram providenciados 18 lustres de cristal. "Estamos com um cuidado danado para não quebrar aqui dentro [do barracão]. A proposta é mostrar que aquele cara bronco, gordinho, de aparência um pouco rude é um cristal", explica João Vitor.
Coração pulsava folia
Em sete décadas de dedicação à cultura popular, a biografia do mestre abrange diversas co-irmãs. O enredo, portanto, vai fazer referência a Carnavais icônicos de Nilópolis, mas também de outras agremiações.
"O Laíla já foi da União da Ilha, da Unidos da Tijuca, da Vila Isabel e da Grande Rio. Com 8 anos de idade, fundou a escola mirim 'Independente da Ladeira' lá no Salgueiro. Isso está mencionado no nosso desfile", explica João Vitor Araújo. Os grêmios recreativos por onde o artista passou serão homenageados em alas.
Sem entregar a surpresa, o carnavalesco da Azul e Branco de Nilópolis conta que todas as alegorias terão algum efeito especial. João Vitor também faz mistério sobre como o principal símbolo da agremiação participará do desfile. "Temos beija-flores para todos os gostos, em três tipos diferentes. O último é muito inusitado", comenta.
O Carnaval de 2025 já nasce histórico por conta do enredo e por ser a despedida de Neguinho da Beija-Flor como intérprete da agremiação. Com isso, os trabalhadores da folia preparam emocionados a homenagem. Há 42 anos no barracão, João Reis, conhecido como Sorriso, recebeu o apelido do histórico carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011). Responsável pela ornamentação de alegorias e fantasias, ele lembra que Laíla sempre lhe consultava sobre a preparação do desfile.
"Todo ano me perguntava o que eu estava achando. Eu falava assim: "Ih, Laíla, tá um Carnaval bonito para competir", relembra. Questionado sobre o barracão de 2025, Sorriso se mostra otimista: "Está excelente. Graças a Deus, uma maravilha", comemora.
Responsável pela ala das crianças, a aderecista Valéria Rosa conta que conviveu com o homenageado. "O verso do samba fala: 'Sua presença ainda está aqui' e está mesmo. Não tem como não lembrar dele em cada detalhe. Aprendi muito sobre harmonia, adereço. Era uma pessoa que sabia fazer de tudo um pouquinho", conta Valéria.
"Todo ano me perguntava o que eu estava achando. Eu falava assim: "Ih, Laíla, tá um Carnaval bonito para competir", relembra. Questionado sobre o barracão de 2025, Sorriso se mostra otimista: "Está excelente. Graças a Deus, uma maravilha", comemora.
Responsável pela ala das crianças, a aderecista Valéria Rosa conta que conviveu com o homenageado. "O verso do samba fala: 'Sua presença ainda está aqui' e está mesmo. Não tem como não lembrar dele em cada detalhe. Aprendi muito sobre harmonia, adereço. Era uma pessoa que sabia fazer de tudo um pouquinho", conta Valéria.
A Beija-Flor de Nilópolis busca seu 15º título no dia 3 de março, segunda-feira de Carnaval, quando será a segunda agremiação a desfilar na Marquês de Sapucaí.
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