Publicado 14/02/2025 06:00
Rio - A Unidos de Padre Miguel vai para a Marquês de Sapucaí com um desfile que quer consagrar seu lugar ao lado das grandes agremiações. Após 52 anos longe da elite, o Boi Vermelho abre a passagem do Grupo Especial, no dia 2 de março, e apostou todas as suas fichas no enredo "Egbé Iya Nassô". A escola da Vila Vintém vai contar sobre a trajetória da africana Iyá Nassô e do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, o mais antigo templo afro-brasileiro ainda em funcionamento, em Salvador, na Bahia.
PublicidadeIyá Nassô era uma escrava alforriada que, junto com as Iyá Detá e Iyá Kalá, fundou a Casa Branca do Engenho Velho. O nome Iyá é um título religioso e de prestígio concedido às mulheres que têm atribuição de preparar o culto da principal divindade dos iorubás, Xangô. Já o templo é considerado como matriz da nação nagô no Brasil e primeiro terreiro de Candomblé reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro e inscrito nos livros do Tombo Histórico e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, em 1984.
Os carnavalescos Alexandre Louzada e Lucas Milato contam que a aprovação para o enredo aconteceu depois de uma comitiva da Unidos de Padre Miguel visitar o terreiro, quando o projeto foi apresentado à Iyalorixá Neuza Cruz de Xangô, que comanda o templo atualmente, e demais membros do conselho espiritual da Casa Branca.
"Uma promessa que a gente fez à Casa Branca em uma das visitas foi que nós contaríamos a verdadeira história da Casa Branca do Engenho Velho. Inclusive, a Iyá Neuza disse, depois do orixá autorizar, que ela realmente sentia essa confiança. A gente está seguindo à risca, sendo fiel à história, aos fundamentos do terreiro. Antes de qualquer coisa ser executada, nós fizemos questão de ir até o terreiro levar o projeto para elas aprovarem. É um Carnaval muito pautado no respeito a essas senhoras e a história desse terreiro matriarcal, matriz de fato", afirmou Lucas.
Outro motivo que levou Louzada e Milato a escolherem o enredo foram as similaridades entre a história de Iyá Nassô e do Terreiro da Casa Branca com a agremiação. Eles citam que tanto o templo, quanto a escola são liderados por mulheres, e que a sacerdotisa é de Xangô, um orixá que tem as cores vermelho e branco, assim como a escola.
"Tudo isso começou a nos trazer coincidências e similaridades que nos fez optar por esse enredo, além, obviamente, da história da Iyá Nassô e sua relevância cultural e nos seus fundamentos que são extremamente importantes para a cultura brasileira", disse Milato. "É muito importante quando a gente vai dar tinta, representar uma comunidade, essa semelhança de que cada escola de samba é um gueto, uma Pequena África, uma resistência cultural. Torna-se uma missão com valor muito maior", completou Louzada.
Ainda de acordo com os carnavalescos, o enredo vem sendo desenvolvido para celebrar o momento de volta da agremiação ao Grupo Especial e tentar conquistar um feito alcançado por poucas: vencer o Carnaval no mesmo ano de retorno ao desfile das principais escolas.
"É um esforço sobre-humano para fazer o melhor possível. A gente entende que é um desafio, uma possível quebra de paradigma de escola que sobe e é campeã, nós só tivemos esses casos com duas escolas: a Imperatriz e a Viradouro, recentemente. A Unidos é uma escola que está tentando há muito tempo, então, é como se a escola estivesse realmente agradecida pela oportunidade, honrando essa posição. A comunidade sabe o que nós estamos procurando fazer, por merecimento da escola. É uma vontade de fazer de tudo para que a gente possa disputar de igual para igual", continuou Alexandre.
A dupla revela que todo o apoio que vem recebendo da comunidade tem sido de extrema importância para colocar o trabalho em prática. Eles descrevem os membros da escola como muito envolvidos e presentes, e apontam que a união vista ao longo dos preparativos será uma parte fundamental para a passagem da UPM na passarela do samba.
"O apoio que nós estamos recebendo para fazer esse Carnaval é uma coisa que cativa. Aquela comunidade que a gente visitou tantas vezes ao longo da disputa do samba-enredo, a gente passa a considerar como uma família, mesmo. O que difere a UPM das outras escolas é que quando a gente chega na quadra, eles nos tratam com a mesma importância que o morador. Nós somos parte de um todo, não somos a parte principal de um todo".
Desfile grandioso
Para um retorno triunfal, a Unidos de Padre Miguel vai contar com elementos que prometem encantar o público da Sapucaí. O carro abre-alas da escola terá três chassis e 118 esculturas, enquanto a segunda alegoria virá com 98. Pela primeira vez, a agremiação desfilará com o Boi Vermelho inteiro e não apenas a cabeça dele, como nos anos anteriores.
Desfile grandioso
Para um retorno triunfal, a Unidos de Padre Miguel vai contar com elementos que prometem encantar o público da Sapucaí. O carro abre-alas da escola terá três chassis e 118 esculturas, enquanto a segunda alegoria virá com 98. Pela primeira vez, a agremiação desfilará com o Boi Vermelho inteiro e não apenas a cabeça dele, como nos anos anteriores.
Apesar do destaque para o vermelho e branco, que são as cores do pavilhão e estão muito presentes no enredo, os carnavalescos garantem um desfile que saberá brincar com a mistura de cores.
"A gente consegue brincar muito com as cores. A gente pincela o vermelho e branco na maioria dos momentos do desfile, mas a gente pincela esse vermelho e branco no meio de muitas cores. É um desfile muito vivo, muito colorido, até porque o tema permite isso, ele passeia por muitos momentos diferentes (…) A gente passa por muitos lugares, muitos momentos, então a gente consegue ter muitas referências, tanto estéticas, de forma, de cor. É um desfile muito misto", comentou Lucas Milato.
Já Alexandre Louzada pontuou que o uso de tecnologia e dos elementos cênicos do Sambódromo serão usados com moderação, mas que a escola fará um desfile longe do clássico. "É um enredo histórico, a gente tem que optar por ser fiel à história, com a licença poética, e usar a tecnologia como integração, para não perder a identidade do enredo. Por exemplo, se a gente está retratando o reino de Oyo na Nigéria, dois séculos atrás, a gente não pode sair colocando vários equipamentos. Mas, também não é um Carnaval clássico, quem entende um pouco de arte vai ver traços de design, de estilização", explicou.
Parceria entre multicampeão e estreante promete dar frutos
O Carnaval de 2025 da escola da Vila Vintém é realizado em uma mistura de experiência e novidade. Enquanto Alexandre Louzada é dono de seis títulos com a Beija-Flor (2007, 2008 e 2011), Mangueira (1998), Vila Isabel (2006) e Mocidade (2017), Lucas Milato faz sua estreia como carnavalesco do Grupo Especial. A dupla diz que antes de embarcar na parceira profissional, decidiu se conhecer e criar uma amizade, para que suas particularidades e preferências não interferissem no trabalho.
"Antes de qualquer coisa, a gente decidiu nos tornar amigos, nos conhecer como pessoas. A gente preferiu entender nossas particularidades, jeitos, manias, criamos afinidade e acho que isso fez toda diferença para que o processo fosse fluído, gostoso, saudável. Acho que isso resultou no que vocês vão visualizar na Sapucaí, fruto de uma dupla que está fazendo esse trabalho com prazer, que confia um no outro, que tem carinho, respeito. O Alexandre está sendo extremamente humilde comigo, que estou chegando agora, respeita muito as minhas ideias, isso sendo o maior campeão da Sapucaí", disse Lucas.
Os carnavalescos destacam também que muito do sucesso da parceira se dá pelo respeito e prioridade à escola. "A minha estreia no Grupo Especial é muito importante para mim, mas esse retorno da escola é muito mais. A gente tem essa consciência de que a escola precisa sobressair", refletiu Milato. "A gente está colocando a escola acima de tudo. Precisamos fazer um Carnaval incrível para a Unidos de Padre Miguel, um desfile que vai dizer: 'eu pertenço a esse lugar, eu mereço estar aqui'".
"A gente consegue brincar muito com as cores. A gente pincela o vermelho e branco na maioria dos momentos do desfile, mas a gente pincela esse vermelho e branco no meio de muitas cores. É um desfile muito vivo, muito colorido, até porque o tema permite isso, ele passeia por muitos momentos diferentes (…) A gente passa por muitos lugares, muitos momentos, então a gente consegue ter muitas referências, tanto estéticas, de forma, de cor. É um desfile muito misto", comentou Lucas Milato.
Já Alexandre Louzada pontuou que o uso de tecnologia e dos elementos cênicos do Sambódromo serão usados com moderação, mas que a escola fará um desfile longe do clássico. "É um enredo histórico, a gente tem que optar por ser fiel à história, com a licença poética, e usar a tecnologia como integração, para não perder a identidade do enredo. Por exemplo, se a gente está retratando o reino de Oyo na Nigéria, dois séculos atrás, a gente não pode sair colocando vários equipamentos. Mas, também não é um Carnaval clássico, quem entende um pouco de arte vai ver traços de design, de estilização", explicou.
Parceria entre multicampeão e estreante promete dar frutos
O Carnaval de 2025 da escola da Vila Vintém é realizado em uma mistura de experiência e novidade. Enquanto Alexandre Louzada é dono de seis títulos com a Beija-Flor (2007, 2008 e 2011), Mangueira (1998), Vila Isabel (2006) e Mocidade (2017), Lucas Milato faz sua estreia como carnavalesco do Grupo Especial. A dupla diz que antes de embarcar na parceira profissional, decidiu se conhecer e criar uma amizade, para que suas particularidades e preferências não interferissem no trabalho.
"Antes de qualquer coisa, a gente decidiu nos tornar amigos, nos conhecer como pessoas. A gente preferiu entender nossas particularidades, jeitos, manias, criamos afinidade e acho que isso fez toda diferença para que o processo fosse fluído, gostoso, saudável. Acho que isso resultou no que vocês vão visualizar na Sapucaí, fruto de uma dupla que está fazendo esse trabalho com prazer, que confia um no outro, que tem carinho, respeito. O Alexandre está sendo extremamente humilde comigo, que estou chegando agora, respeita muito as minhas ideias, isso sendo o maior campeão da Sapucaí", disse Lucas.
Os carnavalescos destacam também que muito do sucesso da parceira se dá pelo respeito e prioridade à escola. "A minha estreia no Grupo Especial é muito importante para mim, mas esse retorno da escola é muito mais. A gente tem essa consciência de que a escola precisa sobressair", refletiu Milato. "A gente está colocando a escola acima de tudo. Precisamos fazer um Carnaval incrível para a Unidos de Padre Miguel, um desfile que vai dizer: 'eu pertenço a esse lugar, eu mereço estar aqui'".
Leia mais

Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.