Nova quadra terá 2 andares e estrutura para ensaios, eventos e ações comunitáriasDivulgação
Publicado 30/01/2026 14:24 | Atualizado 30/01/2026 14:54
Rio – A Unidos da Tijuca anunciou, na última quinta-feira (29), que passará a ter uma nova quadra, que será a primeira da história da escola registrada como patrimônio próprio da agremiação. O novo espaço fica na Rua Rivadávia Corrêa, na Gamboa, zona portuária do Rio, em frente ao barracão da escola.
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A mudança põe fim a anos de incerteza com relação à permanência da escola em seus antigos espaços e elimina o risco de ordens de despejo, realidade que marcou a trajetória recente da agremiação. A notícia repercutiu positivamente entre componentes e moradores ligados à escola, que veem na nova quadra uma conquista histórica e o início de uma nova fase.
Porta-bandeira da escola, Lucinha destaca a qualidade do novo espaço e a escolha do arquiteto responsável pelo projeto. “Eu acho que vai ser muito bacana, a localização é ótima, o espaço é incrível e o arquiteto é o Miguel Pinto Gonçalves, que é um cara que ama carnaval, frequenta a nossa quadra antiga e conhece as nossas necessidades”, afirmou. Segundo ela, a facilidade de acesso deve ampliar a presença do público: “Vai ser incrível porque teremos sempre a facilidade da localização, o que acabará trazendo mais pessoas.”
Mestre de bateria da Tijuca, Casagrande não esconde a empolgação com a conquista, apesar de não estar perto do Morro do Borel. “Eu estou muito entusiasmado. Fui o cara que mais brigou por isso aqui. A gente tentou por muitos anos estar mais perto da nossa comunidade, mas a geografia da Tijuca é muito complexa, é difícil encontrar terreno”, explicou. Para ele, a partir de agora, a escola passa a viver uma realidade inédita. “Hoje, a Unidos da Tijuca vai ter uma quadra dela, com o documento dela. Ninguém tira. Não vai chegar nenhum oficial de Justiça com ordem de despejo”, disse.

Além disso, ele também ressalta que a mudança deve melhorar a logística da escola. “Vai melhorar demais, porque vamos estar do lado do barracão. Tudo que tiver que resolver, resolve ali, é só atravessar a rua”, afirmou, acrescentando que os ensaios seguirão acontecendo às quintas-feiras, na mesma rua da nova casa.

Com quase cinco décadas dedicadas à agremiação, o mestre define a novidade como uma das maiores vitórias recentes da escola. “Ontem (quinta, 29) foi um dia muito feliz. Para mim, para o presidente Fernando Horta e para todos os componentes. A maior conquista da Unidos da Tijuca neste ano foi essa notícia da nova quadra”, declarou. 
Além dos integrantes da agremiação, a mudança também desperta sentimentos entre moradores do Morro do Borel, berço histórico da azul e amarelo. Moradora da comunidade e frequentadora da Unidos da Tijuca há mais de quatro décadas, Claudia Sabino, de 55 anos, define a mudança como a conquista de uma casa própria. “É a expectativa de quem ganha o seu teto, um lugar seu, sem risco de ser despejado. Foram anos ouvindo ameaças”, afirmou.
Nascida no Borel em 1970, ela conta que a relação com a escola atravessa gerações da família. “Minha família tinha ala, meu padrinho era compositor e meu pai, amante do carnaval, me levava desde pequena para a quadra. O samba se fazia pelas ruelas do morro”, relembrou.  “Tem momentos que eu acho que não gosto de carnaval. Eu amo é a Unidos da Tijuca. A Tijuca é a gasolina que a gente coloca para seguir o ano", completou.

Segundo Claudia, o sentimento predominante no morro é de apoio e expectativa. "O povo quer ver a escola no topo, entre as campeãs. Claro que, se pudéssemos escolher, seria mais perto da Tijuca, mas onde a Tijuca estiver, nós estaremos", contou.
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