Publicado 12/02/2026 06:00 | Atualizado 12/02/2026 10:16
Rio - Os desfiles do Carnaval 2026 vão marcar a estreia oficial do novo sistema de som da Marquês de Sapucaí. A mudança, que começou a ser implementada em agosto no ano passado, já foi testada durante os ensaios técnicos da Série Ouro e do Grupo Especial, abolindo os antigos "carros de som" com auto-falantes que vinham logo atrás das baterias.
PublicidadeApós a instalação, em 2025, o primeiro teste foi com os intérpretes e a bateria da Beija-Flor de Nilópolis, atual campeã. Depois do êxito nos ensaios, apesar de pequenas falhas, o sistema está pronto, fazendo com que a expectativa dos puxadores aumente ainda mais.
Para Emerson Dias, intérprete da Acadêmicos de Niterói, que vai estrear o modelo abrindo os desfiles do Grupo Especial, a mudança é uma forma de valorizar a festa. "Do meu ponto de vista foi um passo muito importante para valorização do espetáculo. Um som mais claro, mais potente e um sistema 'free', que nos permite muita liberdade e mobilidade na pista. A forma de retorno "in ear" (intra-auricular) é projetada para se encaixar diretamente no canal auditivo e também diminui muito o esforço vocal, a gente consegue atingir o objetivo dos cacos, principalmente, sem muito esforço", explica.
Voz da Unidos da Tijuca, Marquinhos Art'Samba também elogia a novidade. "O sistema de som é ótimo, de última geração. É o melhor sistema que a gente já trabalhou até agora na Sapucaí. Não tenho o que reclamar. As vozes nítidas, a gente ouve todos os naipes, a bateria está sempre aqui no nosso ouvido. O violão, as cordas, tudo batendo legal... A gente espera ser mais dinâmico! O desfile vai rolar tranquilo. Lá na frente a harmonia vai escutar legal e os componentes também. É uma nova era muito bacana", destaca.
Intérprete do Salgueiro, Igor Sorriso aponta que as alterações podem gerar insegurança nos puxadores, mas acredita que o modelo inédito vai revolucionar as apresentações. "Toda mudança gera um pouco de medo, de apreensão, mas a tecnologia está aí para a gente usar. Eu achei uma iniciativa sensacional da Liesa, por essa ampliação tecnológica no sistema de som. A gente está muito esperançoso que tenha uma evolução sonora para o nosso trabalho musical, que seja muito proveitoso. Nos ensaios técnicos, a gente já teve uma percepção muito boa na melhora da qualidade do nosso trabalho."
'Maior desafio do Carnaval', diz presidente da Liesa
O novo sistema foi anunciado logo após o fim do Carnaval de 2025. À época, no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, a Unidos de Padre Miguel, que abriu a noite, enfrentou problemas com o som logo que entrou na Avenida, gerando muitas reclamações entre o público. O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Gabriel David, então declarou que a melhoria seria "grande prioridade" para 2026.
Em julho do ano passado, o presidente explicou que o novo sistema era totalmente diferente do que se teve ao longo dos últimos 40 anos de desfiles no Sambódromo e que o estudo para a implementação contou com o envolvimento de profissionais da música e das agremiações.
"O som é o maior desafio do Carnaval. Para este ano, estamos transformando radicalmente a engenharia de som da Sapucaí, depois de 40 anos. É uma nova tecnologia, em que todos que passaram pelos ensaios técnicos puderam perceber a evolução. Além disso, é um processo que não para e vai se desenvolvendo a cada ano. O som do Rio Carnaval 2027, por exemplo, será ainda superior ao de 2026. E assim seguirá crescendo nos próximos anos", garante Gabriel.
* Colaborou: Raphael Perucci
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