Publicado 14/02/2026 05:00
Rio - A folia continua! Botafogo Samba Clube, Em Cima da Hora, Arranco do Engenho de Dentro, Império Serrano, Estácio de Sá, União de Maricá, Porto da Pedra e Unidos da Ponte cruzam a Marquês de Sapucaí neste sábado (14), na segunda noite de desfiles da Série Ouro. À frente das baterias, as rainhas prometem transformar a Avenida em um espetáculo à parte e, em entrevista ao DIA, revelam os rituais que antecedem a entrada no Sambódromo, além de anteciparem detalhes das fantasias que levarão brilho, simbologia e energia para o desfile.
PublicidadeAbrindo a noite, o Botafogo Samba Clube leva para a Avenida o enredo "O Brasil que floresce em arte", em homenagem a Roberto Burle Marx. A responsabilidade de conduzir os ritmistas fica por conta da irmã de Lexa, Wenny Isa, de apenas 16 anos, que estreia como rainha da escola após 4 anos na Unidos de Bangu. A jovem define sua fantasia como um meio-termo entre ousadia e elegância.
"Ela é um equilíbrio dos dois. Tem atitude, tem brilho e tem personalidade. Minha fantasia representa o exuberante jardim de Burle Marx. Ela traduz a força da natureza, as formas orgânicas, as cores intensas e a liberdade criativa que ele trouxe para o paisagismo brasileiro", afirma. Antes de entrar na Avenida, Wenny aposta no silêncio e na espiritualidade. "Faço uma oração, agradeço por estar ali e peço proteção. Entro na Avenida com o coração aberto".
A força feminina ancestral dá o tom da Em Cima da Hora, mas Maryanne Hipólito prefere manter o mistério sobre o visual que levará para a Sapucaí. À frente da bateria, ela garante que a fantasia dialoga diretamente com o enredo "Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagira!".
"Venho representando a força, a feminidade, a altivez e a potência. É bem ousada." Adepta das religiões de matriz africana, ela reforça a importância da preparação espiritual: “É necessário que as obrigações estejam em dia. Rezo, peço proteção da minha Pomba Gira e ando sempre com o fio de conta mais antigo dela. É sempre ela, com ela e por ela. Salve Menina", diz.
Gisa Cobel promete levar alegria para a Avenida defendendo o Arranco do Engenho de Dentro. A escola homenageia Maria Eliza Alves dos Reis, a primeira palhaça negra do Brasil, no enredo "A Gargalhada é o Xamego da Vida". "Minha fantasia celebra o sorriso, a liberdade e a energia da Avenida. É ousada na medida certa. O Carnaval pede brilho, movimento e presença, mas sempre com elegância", conta. O ritual, segundo ela, é simples: "Respiro fundo, mentalizo coisas boas e me conecto comigo mesma".
Com mais de 25 anos de história na Sapucaí, Quitéria Chagas retorna ao desfile do Império Serrano carregando simbolismo e ancestralidade. No enredo "Ponciá Evaristo – Flor do Mulungu", a rainha teve a fantasia redesenhada a pedido da própria escritora Conceição Evaristo. "Vou encarnar uma entidade ligada à espiritualidade dela. É uma fantasia luminosa, carregada de ancestralidade", explica.
A preparação espiritual é parte fundamental do desfile: "Sou de matriz africana, do candomblé. Faço um ritual de proteção espiritual, desfilo com meu pai de santo e me conecto com Deus, com os orixás e com as forças em que acredito. A troca de energia na Avenida é muito intensa".
Estreando como rainha de bateria da Estácio de Sá, Vivi Winkler promete impacto visual logo na concentração. Defendendo o enredo "Tata Tancredo – O Papa Negro no Terreiro do Estácio", ela não economizou na produção. "A fantasia representa uma rainha da omoloko. Está super ousada e muito rica. Investi mais de 200 mil reais nessa joia". Antes de cruzar a linha do desfile, o pedido é simples: boas energias para a escola.
Na União de Maricá, Rayane aposta no simbolismo para contar a história do enredo "Berenguendéns e Balangandãs", que celebra a ancestralidade afro-brasileira. "Eu venho como joia negra, representando força, ancestralidade e poder. É ousada na mensagem e na representatividade", destaca. O ritual envolve fé e afeto: "Reúno minha equipe para orar e levo minha mãe comigo. Ela é minha base, minha proteção".
Pelo segundo ano consecutivo à frente da bateria da Porto da Pedra, Andrea de Andrade desfila com um personagem ainda mantido em segredo. A escola apresenta o enredo "Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite": "É algo que sempre tive muita vontade de desfilar no Carnaval. A fantasia é mais ousada do que as últimas, mas sem exageros. Tem tudo a ver comigo", conta. A preparação começa antes do desfile: "Faço meus banhos, orações e peço proteção para toda a comunidade".
Thalita Zampirolli promete encerrar a noite de desfiles na Sapucaí em clima de baile à frente da bateria da Unidos da Ponte. No enredo "Tamborzão – O Rio é Baile! O Poder é Black!", o dourado será protagonista. "Vai ter muito ouro. Sempre aposto na ousadia, porque o Carnaval pede atitude. Não é só sobre mostrar pele, é sobre representar poder, autoestima e a energia do Tamborzão", afirma. O ritual inclui conexão com a natureza: "Vou a uma cachoeira para um banho de limpeza espiritual e faço minhas orações antes de entrar na Avenida".
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