Ney Matogrosso é o grande homenageado da ImperatrizFoto: Bianca Santos / Riotur
Publicado 16/02/2026 01:24 | Atualizado 16/02/2026 03:43
Rio - A Imperatriz Leopoldinense, segunda a entrar na Sapucaí no primeiro dia do Grupo Especial, fez um desfile marcante na Sapucaí, à altura do homenageado artista de diversas faces, Ney Matogrosso. Nas primeiras horas da madrugada de segunda (16), o cantor de 84 anos desfilou com um brilhante figurino assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, cravejado com mais de 40 mil cristais verdes. Além de Ney, os principais destaques da apresentação foram as alegorias da escola, que abusaram das cores e das referências à carreira do 'Camaleônico'.
Publicidade
Os carros impressionaram o público. Logo no primeiro, o realismo na retratação do artista como o personagem “O Homem Neandertal”, canção lançada em 1975, encantou as arquibancadas no Sambódromo. A estrutura estava cercada por camaleões brilhantes, simbolizando a forma como Ney recusou rótulos e deu vida a diferentes faces, fazendo um manifesto poético e político com o próprio corpo.
Assim como as alegorias, as fantasias também representaram os personagens vividos pela grande estrela da noite, como o “Bandido”, disco lançado em 1976; a criatura mascarada de “Secos e Molhados” e o “Bandoleiro”. Leandro Vieira já havia adiantado em entrevista ao DIA, a homenagem não teve caráter bibliográfico, mas sim interpretações artísticas das várias ‘peles’ de Ney Matogrosso.
O segundo carro teve problemas para fazer a temida curva da Marquês de Sapucaí e a Imperatriz ficou parada cerca de quatro minutos. A Rainha de Ramos, no entanto, não sofreu problemas com a evolução na avenida, já que a alegoria chegou a tempo de impedir a formação de um buraco. Com cerca de 39 minutos, a comissão de frente encerrou seu desfile, que durou 79 minutos.
A alegoria com a representação do lobisomem foi outra que atraiu todos os olhares do Sambódromo. O animal, que apresentou movimentos em cada parte da estrutura, tinha cerca de 20 metros de altura. Olhos vermelhos piscavam, trazendo outro elemento realista para o desfile.
A bateria esteve animada e com uma bonita fantasia em referência ao Bandido, enquanto a Rainha Iza utilizou um figurino que retratava uma serpente com fumaça na boca. O samba, porém, não ferveu as arquibancadas do Sambódromo. Além dos personagens, a letra da música reforçou a forma como Ney recusou o enquadramento à normatividade e ainda citou a luta do artista contra a Ditadura Militar, elemento que reforça a marca política do cantor e da homenagem.
O auge da noite não poderia ser diferente: cena de Ney Matogrosso entrando na Sapucaí em cima da última alegoria arrepiou toda a comunidade. Visivelmente emocionado, o cantor mostrou uma animação contagiante aos 84 anos, dançando e cantando por toda a passagem da Imperatriz. Além dos cristais verdes envoltos ao corpo do artista, o figurino tinha moedas banhadas a ouro e cerca de 75 mil canutilhos, aplicados em franjas e bordados que prometem acompanhar, em movimento, cada gesto performático.
Leia mais