Publicado 29/01/2025 21:52
Rio - A caminhoneira e musa da Tradição, Marcela Porto não concorda com influenciadores que compartilham cada momento íntimo do processo com os seguidores.
PublicidadeNesta quarta-feira (29), no Dia da Visibilidade Trans, Marcela Porto, a Mulher Abacaxi, falou sobre seu processo de transição e criticou outros influenciadores que transformam esse momento em um espetáculo, com a participação dos internautas.
"A maravilhosa e talentosa Gabriela Medeiros disse no Conversa com Bial que virou trend. E é bem isso. Estou vendo toda a espetacularização também da Zé Longuinho. Estão usando a causa para engajar. A transição não precisa ser um processo dolorido, mas não deve ser banalizado", começa ela.
"Eu não decidi ser trans de uma hora para outra. Apesar de ter feito minha transição com quase 40 anos, eu sempre me identifiquei como mulher. Estava presa em um corpo que não era o meu. Agora, vejo um monte de gente querendo ser trans. A nossa luta é tão grande, será que vão aguentar. A expectativa de uma mulher trans é de 35 anos. O país é o que mais mata trans no mundo. Somos excluídas do mercado de trabalho e de um monte de lugares. Toda pessoa pode querer fazer a transição, mas não pode é mostrar para os outros que é um processo simples. Ele é complexo e íntimo", completa.
Marcela aconselha quem pensa em fazer o processo de transição tenha um acompanhamento psicológico e médico. "Precisa ter certeza. Eu nunca tive dúvidas, porque eu nunca fui homem. Converse com outras pessoas trans, com médicos e psicólogos e jamais façam dessa causa um espetáculo. Pelo engajamento transformaram em espetáculo", disse.
A musa da Tradição e rainha de bateria da Chatuba de Mesquita diz que sente orgulho de ser uma mulher trans. "Consigo olhar no espelho e me achar bonita. Consigo ter autoestima. Também me orgulho de ser uma trans que está sempre envolvida na causa", finaliza.
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