Publicado 08/04/2025 05:00
Rio - Ana Cañas está radiante com o novo álbum "Vida Real", sétimo disco autoral de sua carreira, com onze faixas inéditas e participações de Ivete Sangalo, Roberta Miranda e Ney Matogrosso. O trabalho chegou às plataformas digitais na última sexta-feira (4) e marca uma nova etapa na trajetória da artista após ela rodar o país com a turnê "Ana Cañas Canta Belchior Ao Vivo". A produção ficou a cargo de Dudu Marote, exceto pela faixa "Vai Passar", realizada por Rodrigo Sanches.
Publicidade"Eu levei anos para escrever essas músicas. A do Leandro (meu irmão - vítima de afogamento em Maresias, no Litoral Norte de São Paulo) foi composta em 2013. Outras ao longo de todo esse arco do tempo até aqui. Acho que a experiência com o Belchior e os 180 shows pelo Brasil me ensinaram muito sobre o que é importante ser dito numa canção, sobre como escolher cada palavra e a responsabilidade com a arte em si", conta Ana.
A cantora explica a importância do novo projeto e como o título se relaciona com as faixas. "'Vida Real' são os afetos e os sentimentos. Não tem nada mais real, perene e bonito do que isso. As canções são todas autobiográficas, são situações que vivi mesmo. Seja pela vulnerabilidade do pensionato ao lado de profissionais do sexo (que muito me ensinaram sobre empatia e não julgamento), a perda de um irmão e também amores vividos ou não. Essa é a amálgama do disco".
Ana Cañas também participou da produção de algumas canções e revela os temas que gosta de explorar nas composições. "Acho que a dureza da vida e como o amor transforma e pode ressignificar as experiências. Cicatrizes e aprendizados. Mas a paixão e o tesão também apareceram bastante no disco", explica.
A canção "Derreti" foi apresentada aos fãs em março. A paulista pontua o significado da participação de Ney Matogrosso no single. "Ele é um amigo querido de longa data, uma pessoa realmente importante na minha vida. Escolhi estar ao lado dele para começar a contar a história desse disco. É uma figura muito além do que se espera de um artista, sua incorruptibilidade em relação à arte me emociona. Nada mais real do que o amor que tenho por ele!".
"Ana Cañas Canta Belchior Ao Vivo"
Ana Canãs viajou os quatro cantos do país com a turnê em homenagem a Belchior. A ideia surgiu a partir de uma live realizada nas redes sociais durante a pandemia de Covid-19, em que ela cantava músicas do artista cearense. "Atravessamos o Brasil verdadeiro com esse projeto, fomos muito além das capitais, penetrando o Brasil profundo das pequenas cidades e isso alargou o meu espectro de entendimento cultural e social do país em que vivo, do povo, dos abismos todos e da riqueza única que possuímos, também. Foi um divisor de águas na minha vida e carreira", analisa.
O sucesso do projeto fez o audiovisual da turnê ultrapassar um milhão de visualizações. "Eu fiquei muito honrada de carregar esse repertório comigo por quatro anos, por vivê-lo profundamente. Belchior está entre as coisas mais lindas e poéticas da história da música brasileira! É um gênio absoluto do entendimento da vida e das palavras".
Sonho
A artista foi a atração de abertura da apresentação de Alanis Morissette durante a passagem da cantora por Curitiba, no Paraná, e relembra o primeiro show que assistiu da cantora canadense. "Fui sozinha e escondida dos meus pais. Desmaiei na primeira música, prensada na grade. Então, foi simbólico isso acontecer 30 anos depois, não tenho palavras para descrever a emoção desse momento! Alanis sempre foi uma referência pra mim, então foi como realmente realizar um sonho - e um sonho muito bonito: entremeado pelo feminino na música", diz.
Cañas ainda destaca que a carreira de Alanis influenciou a forma dela se expressar através da música. "'Jagged Little Pill' (terceiro álbum da canadense) moldou a minha forma de pensar a vida e de me entender como menina-mulher. É um disco que está muito vivo dentro de mim, seus refrãos, versos e força. Alanis mudou radicalmente a minha vida em 1995, eu só agradeço por isso e esse é o poder absoluto da música!".
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