Publicado 21/07/2025 21:07
Rio - O ex-Menudo Roy Rosselló revelou estar orgulhoso por seu depoimento poder ajudar os irmãos Lyle e Erik Menendez, presos por assassinar brutalmente os pais, Jose e Kitty, há mais de 30 anos, nos Estados Unidos. O cantor, que foi abusado sexualmente pelo pai dos irmãos, disse estar feliz com a decisão do juiz de reduzir a pena deles.
PublicidadeJose Menendez, pai de Lyle e Erik, foi diretor da RCA Records, gravadora que ficou responsável pelo grupo Menudo no auge da fama, nos anos 1980. Em 2023, um depoimento de Roy no documentário "Menendez + Menudo: Boys Betrayed" fortaleceu o argumento de defesa dos irmãos Menendez: de que haviam praticado o crime para cessar os abusos sexuais que viviam dentro de casa pelo pai.
No documentário, Roy falou abertamente pela primeira vez sobre ter sido estuprado por Jose Menendez. O depoimento do ex-Menudo também deu força a uma carta de Erik, endereçada a um primo, um ano antes do assassinato, em que contava sobre os abusos que sofria. Na época em que surgiu, a prova, no entanto, não foi considerada e foi classificada como "não confiável".
Ao "The Sun", Roy contou que ficou feliz quando soube que seu depoimento serviu para que as penas dos irmãos fossem reduzidas. "Estou orgulhoso e feliz com a decisão do juiz. Meu depoimento não foi em vão. Pelo que entendi, esses indivíduos são sempre vítimas inocentes. Suas almas estão perdidas, condenadas e mutiladas, desprovidas de esperança, futuro ou destino desde o dia em que seu pai começou a abusar delas", disse.
"O juiz tomou uma decisão sábia e prudente. Agora é a hora de o sistema implementar mudanças em muitas áreas, especialmente no que diz respeito ao prazo de prescrição para esses crimes", seguiu.
Em maio, os irmãos receberam sua primeira chance de liberdade em décadas. Um juiz de Los Angeles reduziu as sentenças deles de prisão perpétua sem liberdade condicional para 50 anos ou prisão perpétua, tornando-os imediatamente elegíveis para liberdade condicional por bom comportamento.
Relembre o caso
Em 1989, os Estados Unidos ficaram chocados com o assassinato brutal de José e Kitty Menendez dentro de sua mansão em Beverly Hills, na Califórnia, nos Estados Unidos. Após gastarem rios de dinheiro depois da morte do casal, Lyle e Erik foram presos, em 1990, acusados de terem matado os pais. Em 1996, os irmãos foram condenados à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Em 20 de janeiro de 1989, os irmãos Menendez, com 21 e 18 anos na época, respectivamente, mataram os pais com 12 disparos de espingarda. Inicialmente, eles foram julgados separadamente, em 1995, mas o júri ficou dividido, o que resultou na anulação do julgamento. Como defesa, os dois afirmaram que cometeram o crime por medo de suas vidas após anos de suposto abuso sexual de José Menedez, que teria começado aos 6 anos com Lyle e continuado com Erik por mais de uma década.
No segundo julgamento, os irmãos foram julgados juntos com uma série de mudanças de regras por parte do juiz. A partir daquele momento, o julgamento não poderia ser televisionado, os depoimentos de abuso sexual foram limitados e o júri proibido de votar em acusações de homicídio culposo em vez de acusações de assassinato, o que resultou à pena de prisão perpétua para Lyle e Erik Menendez a ser cumprida em penitenciárias diferentes.
O abuso sexual, usado para a defesa dos irmãos, é um tópico de dúvida para a Justiça americana e para quem acompanha o caso. Muitos legam que tudo não passa de mentiras. Porém, os assédios voltaram a ser pauta quando, em 2023, o Roy Rosselló revelou que foi estuprado por Jose Menendez na época em que ele era diretor da RCA Records.
"Esse aqui é o homem que me estuprou... Esse é o pedófilo", disse ele no documentário enquanto apontava para uma foto de José. Rosselló contou que foi drogado e levado para um quarto por Menendez, onde foi estuprado. Ele ainda foi abusado por José em outras duas ocasiões.
Na época em que os abusos aconteciam, o restante da família não tinha conhecimento do que os irmãos viviam dentro da mansão em Beverly Hills. Uma prima deles, que prestava serviços domésticos na casa, achava um comportamento estranho, mas nunca tocou no assunto naquele momento.
"Eu aspirava a casa todos os dias, mas eu não podia aspirar passando do banheiro no corredor. O tempo em que estive lá, o que foi por um bom tempo, eu nunca vi o quarto das crianças, o quarto do casal... nada, porque eu não era autorizada a passar pelo corredor", descreve.
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