Publicado 29/09/2025 05:00
Rio - Valéria Almeida, de 42 anos, é um rosto conhecido pelo público nas manhãs da TV Globo. À frente do quadro "Bem Estar", no "Encontro com Patrícia Poeta", a comunicadora destaca a importância de levar informação de qualidade e com linguagem simples sobre saúde aos telespectadores.
Publicidade"O 'Bem Estar' me trouxe uma bagagem enorme de conhecimentos. É um quadro que exige responsabilidade, porque é serviço, estamos falando de saúde pública e de informações que podem mudar a vida das pessoas. Aprendi a transformar termos técnicos em uma linguagem simples, de um modo que todos possam entender, independentemente de classe social ou escolaridade, e isso, de certa forma, também muda a forma como eu enxergo minha própria saúde", afirma a apresentadora.
Ela ainda diz como os aprendizados com o trabalho impactaram sua vida. "Passei a valorizar ainda mais a prevenção, os exames de rotina, os sinais que o corpo dá. Muitas vezes, depois de uma informação que transmito, me pego repensando meus hábitos e ajustando pequenas coisas no dia a dia. Então sim, esses ensinamentos são incorporados à minha rotina. É um aprendizado constante e muito transformador".
Para a jornalista, o autocuidado é um conjunto de práticas. "Tento manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, cuidar da voz com exercícios de fonoaudióloga e, principalmente, respeitar meus limites. O sono, por exemplo, é algo que venho priorizando mais, porque sei que preciso estar inteira para enfrentar uma rotina que é puxada. Mas para mim, autocuidado não é só o físico. Inclui também momentos de lazer, de estar com a família, de me divertir, dançar e cuidar da espiritualidade", comenta.
Durante as férias de Patrícia Poeta, Valéria e Tati assumem o comando do programa diário. Ela, então, celebra a troca com as colegas de trabalho. "A parceria com a Patrícia é muito boa... Temos uma troca respeitosa e produtiva, que ajuda a manter a leveza e a credibilidade da atração", diz a comunicadora, que também não poupa elogios à integrante do "Saia Justa", do GNT: "É sempre uma delícia, porque ela tem uma energia contagiante e uma rapidez de raciocínio que faz toda a diferença no ao vivo".
Em São Paulo, a comunicadora apresenta o "Paulistando", que mergulha na cultura, gastronomia e arte da cidade. "É um dos grandes prazeres da minha carreira. É muito especial poder mostrar São Paulo pelo olhar de quem vive em cada pedacinho dessa Metrópole, que é a maior da América Latina. Não é só sobre lugares, mas sobre as pessoas, suas histórias, suas lutas e alegrias", diz.
Para quem é de fora de São Paulo, Valéria dá dicas de lugares que valem à pena serem visitados na cidade. "Tem museus importantíssimos, bairros icônicos, que já são bastante conhecidos, mas a minha sugestão é que, para além desses lugares que valem ser visitados, a gente também se permita conhecer o que está guardado em bairros que não estão nessa rota turística. E na dúvida, é só consultar o Paulista que está disponível no Globoplay e escolher a sua parada", dispara.
Ela, ainda, exalta a atual fase na carreira. "Hoje sou a apresentadora desse programa, que tem falado com o público de um jeito bem íntimo, mas para além de estar no comando, traz muito do que sou e dos valores que acredito. Tem muito da minha personalidade no programa. Acredito que tudo isso tem contribuído para que o programa tenha alcançado uma audiência bastante expressiva".
Apesar disso, a jornalista não desconsidera a chance de comandar uma atração que seja exibida para todo o país. "Nada impede que, em algum momento mais para frente, desenvolva um projeto abrangendo o Brasil inteiro, valorizando a pluralidade, assim como já temos feito em São Paulo".
Profissão Repórter
Valéria destaca a importância o trabalho no "Profissão Repórter", onde estreou em 2011. "Foi uma das maiores escolas da minha vida. Ali eu aprendi a estar na rua e correr atrás das histórias - algumas vezes, literalmente -, aperfeiçoei minha forma de ouvir de verdade, com empatia, de mergulhar nas histórias sem julgamentos. [...] Isso me deu bagagem para lidar com diferentes situações no ao vivo, seja no estúdio ou em campo, fortaleceu minha sensibilidade para tratar de temas delicados e me fez entender que jornalismo é, antes de tudo, sobre gente. Carrego esses aprendizados em tudo o que faço hoje", acredita.
Carnaval
Durante a transmissão do Carnaval, a jornalista mostrou os bastidores da festa e narrou a passagem das agremiações paulistas. "Eu sabia da responsabilidade, mas o acolhimento das pessoas que fazem o Carnaval me deu ainda mais segurança. Visitar barracões, conversar com quem constrói essa festa e participar dos ensaios me conectou de uma forma especial, porque estava ali não apenas como comunicadora, mas como alguém que também carrega essa memória afetiva e essa admiração. Não tenho uma escola do coração única, porque o que me encanta é justamente a coletividade, nessa força e beleza que cada uma leva para a avenida. Para mim, o Carnaval é afeto, resistência e uma forma bonita de honrar a nossa cultura", vibra.
A comunicadora, então, reflete sobre a importância da folia na sua vida. "O Carnaval está presente na minha vida desde muito cedo. Cresci na Baixada Santista, em uma casa em que não havia a possibilidade de subir a serra para assistir aos desfiles de São Paulo de perto, mas isso nunca diminuiu a nossa paixão. Algumas vezes, a gente ia aos desfiles das escolas de Santos, mas mesmo quando não íamos, as mulheres da minha família costuravam fantasias, a gente saía para brincar na rua. Mas a tradição, era que todo ano, a gente virava a madrugada em frente à televisão, acompanhando cada detalhe dos desfiles de São Paulo e do Rio de Janeiro".
Transição capilar
Em 2006, Valéria passou pela transição capilar. "Foi um marco muito importante na minha vida. Naquele momento, ainda não havia tantas discussões sobre cabelo crespo, nem muitas referências de beleza que me representassem. Mesmo assim, eu já tinha compreendido o quanto assumir meus fios naturais seria fundamental para expressar minha personalidade e minha história. Busquei inspiração em imagens, livros e referências que, mesmo distantes, me fortaleceram. Eu sabia exatamente o que queria! Quando cortei todo o cabelo com química, deixando apenas os fios naturais, foi impactante, mas também libertador".
Desde então, se jogou em vários visuais, como tranças, black, penteados, cachinhos definidos e mais looks. "Ele representa identidade, cultura, ancestralidade. De lá pra cá, vivi muitas versões de mim mesma através do meu cabelo. Cada estilo é uma forma de brincar com as possibilidades do crespo, mas todos têm em comum a força da cultura negra e a conexão com minhas raízes".
No entanto, o "processo" não foi "fácil". "Passei a ouvir comentários duros, muitas vezes agressivos, de pessoas que se sentiam à vontade para criticar minha aparência. Doeu, é verdade, mas não me derrubou. Eu já estava fortalecida e consciente da importância daquele gesto. Meu cabelo crespo era (e continua sendo) muito mais do que estética", avalia.
Ela, por fim, dá sugestões para quem pretende assumir os fios naturais. "Busquem referências, porque, hoje, para nossa felicidade, tem muitas mulheres e homens com diferentes tipos de cabelo crespo, com vários tipos de penteados que podem te ajudar nesse processo de fortalecimento e de inspiração. Procure profissionais que trabalham com cabelo crespo, porque é importante ter um conhecimento para fazer um corte adequado e a gente se sentir bonita. Se cerque de pessoas que vão te fazer bem, que vão te ajudar nesse processo, com o apoio que você precisa e as palavras que você merece ouvir".
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa
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