Publicado 15/10/2025 05:00
Rio - Wagner Moura, 49 anos, vive um dos momentos mais comentados da carreira. Após conquistar o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2025 por "O Agente Secreto", novo longa de Kleber Mendonça Filho, ele segue no centro das apostas de veículos internacionais como Variety e The Hollywood Reporter para o Oscar 2026.
PublicidadeMoura demonstrou entusiasmo com a recepção do trabalho e não escondeu o otimismo. "Acho que o filme tem muitas possibilidades. Tem toda uma temporada de premiações antes do Oscar. Mas eu acho que, em Melhor Filme Internacional, a chance é bem grande", ponderou o artista em coletiva realizada no Festival do Rio. O longa estreia nos cinemas brasileiros no dia 6 de novembro.
Apesar da cautela, o ator apreciou o clima de torcida que vem crescendo nas redes. Ao ser questionado se o público brasileiro poderia repetir o "clima de Copa" visto este ano com "Ainda Estou Aqui", Moura respondeu: "Oxe, pode fazer, sim. Com certeza", disse, aos risos.
O enredo e a parceria com Kleber Mendonça Filho
Ambientado em Recife, em 1977, "O Agente Secreto" acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna à cidade natal em busca de tranquilidade. No entanto, ele se vê envolvido em uma teia de vigilância, segredos e medo ao descobrir que está sendo espionado pelos vizinhos. O clima é um reflexo da atmosfera de repressão que marcava os últimos anos da ditadura militar. O elenco conta ainda com Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone e Alice Carvalho.
Segundo Wagner, a parceria com Kleber foi um ponto determinante para o ator aceitar o papel. "A primeira coisa que me trouxe foi o Kleber e a vontade de juntar minha cabeça com a dele, de criar juntos. E o tema, claro", disse o artista, que completou: "O roteiro dele é muito bem feito, não teve quase nenhuma cena do filme que não estivesse no roteiro, que é uma coisa muito rara".
Sobre a decisão do diretor retratar a ditadura de forma mais simbólica do que direta, Moura elogiou a abordagem. "Acho muito bonito e inteligente, porque existem tantos filmes que a gente faz sobre aquela época, eu mesmo dirigi um filme ('Marighella') sobre alguém que queria derrubar a ditadura. E, nesse filme, meu personagem não quer nada disso. Ele só quer viver de acordo com os valores dele. Acho que isso fala muito sobre pessoas que vivem em lugares em que a autocracia está crescendo ou estabelecida, onde só você ser quem você é já vira um risco de vida", opinou.
Nos bastidores, o ator compartilhou uma lembrança especial das filmagens: "A grande figura desse filme é Tânia Maria, que interpreta Dona Sebastiana. Essa mulher espetacular, maravilhosa... Toda vez que eu parava de filmar, ficava perto dela, conversando. O bastidor mais gostoso foi com ela".
Tânia Maria, 78, mora no pequeno povoado de Cobra, no interior do Rio Grande do Norte. Artesã por vocação, ela descobriu o talento para a atuação apenas aos 72 anos, quando participou como figurante do filme "Bacurau", dirigido também por Kleber Mendonça Filho.
Agora, a artista potiguar voltou aos holofotes: a revista Variety a incluiu entre os nomes cotados ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, dividindo espaço com estrelas como Emma Stone, Kate Hudson e Michelle Yeoh.
Próximos passos
Além da campanha de "O Agente Secreto", Moura está em cartaz com o espetáculo "Um Julgamento", adaptação da clássica obra "Um Inimigo do Povo", de Henrik Ibsen. A peça, que estreou em Salvador, segue agora para o CCBB Rio de Janeiro, onde permanece em temporada até o início de novembro. Paralelamente, o ator também se prepara para dirigir e estrelar o longa americano "Last Night at the Lobster", ao lado de Elisabeth Moss, Sofia Carson e Brian Tyree Henry.
Quando questionado sobre o impacto que deseja causar com suas obras, ele respondeu: "Eu não acredito nesse negócio de mensagem. Cada pessoa vai tirar algo diferente do filme, a partir da própria sensibilidade. Eu posso ver o filme de um jeito e você vê de outro".
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