Publicado 09/11/2025 06:00
Rio - No ar como Filipa em "Dona de Mim", Claudia Abreu vive uma personagem intensa, marcada por conflitos familiares e pelo diagnóstico de bipolaridade. Em conversa com o Meia Hora, a atriz falou sobre a importância de tratar temas de saúde mental nas novelas, contou como se prepara emocionalmente para papéis complexos e lembrou da versatilidade que sempre buscou na carreira.
PublicidadeFilipa enfrenta um diagnóstico de bipolaridade. Como você se preparou para retratar essa condição de maneira realista e sensível?
Me preparei vendo alguns filmes e documentários, como "O Lado Bom da Vida", o doc da Nina Simone e com conversas com o meu analista. Mas conheço várias pessoas com essa condição, por isso é tão importante clarear para o público as características dessa disfunção psiquiátrica.
Você acredita que a representação de questões de saúde mental em novelas pode mudar a percepção do público sobre o tema?
Você acredita que a representação de questões de saúde mental em novelas pode mudar a percepção do público sobre o tema?
Sim! Novela é um entretenimento muito popular que ajuda a informar através da diversão. Vivi isso com "Barriga de Aluguel", que era algo pouco falado na época.
Existe alguma técnica ou exercício que você costuma usar para se conectar emocionalmente com personagens complexos como Filipa?
Existe alguma técnica ou exercício que você costuma usar para se conectar emocionalmente com personagens complexos como Filipa?
Não tenho nenhuma técnica específica. Minha conexão é com minha sensibilidade, meu estado de espírito no momento da cena. Procuro lidar com o que estou sentindo de verdade para ser verdadeira na cena. Não gosto de falsear uma emoção se ela não está sendo verdadeira naquele momento.
Filipa e Nina às vezes se entendem e outras vezes se desentendem. Como você acha que vai evoluir a relação entre as personagens e, como mãe, como você se relaciona com seus filhos?
Filipa e Nina às vezes se entendem e outras vezes se desentendem. Como você acha que vai evoluir a relação entre as personagens e, como mãe, como você se relaciona com seus filhos?
A Filipa errou muito na criação da filha justamente por não saber de sua condição e de não ter se tratado. Mas se ressentia por não ter sido uma boa mãe. Onde há afeto e esperança, sempre existe chance de restaurar as relações.
Você já sentiu ou percebeu o etarismo no mercado de televisão? Como acha que esse cenário tem evoluído nos últimos anos?
Você já sentiu ou percebeu o etarismo no mercado de televisão? Como acha que esse cenário tem evoluído nos últimos anos?
Isso existe em todo lugar. Que bom que agora estão falando mais sobre isso.
Ao longo da sua carreira, você buscou papéis que desafiassem estereótipos de gênero ou idade? Qual papel você considera um marco nesse sentido?
Ao longo da sua carreira, você buscou papéis que desafiassem estereótipos de gênero ou idade? Qual papel você considera um marco nesse sentido?
Sempre busquei a versatilidade, independentemente de qualquer coisa. Acho sempre bom trazer algo novo ao público, poder surpreender e me desafiar também. Nesse sentido, acho que a Chayene foi a minha personagem mais diferente, ousada.
Há alguma experiência pessoal que você trouxe para a construção de Filipa ou prefere manter uma separação entre vida pessoal e personagem?
Há alguma experiência pessoal que você trouxe para a construção de Filipa ou prefere manter uma separação entre vida pessoal e personagem?
O que tem de pessoal é conhecer pessoas com essa condição e ver o quanto elas sofrem e também fazem os outros sofrerem sem muitas vezes terem o controle disso.
Como você equilibra a vida pessoal com trabalhos que exigem grande dedicação emocional?
Como você equilibra a vida pessoal com trabalhos que exigem grande dedicação emocional?
Essa profissão exige entrega física e emocional, mas a vida também exige a mesma coisa. Por isso preciso sempre me cuidar para não ficar esgotada. Mas amo o meu trabalho.
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