Publicado 07/02/2026 05:00
Rio - O espetáculo "Fafá de Belém, o Musical", em cartaz no Teatro Riachuelo, no Centro, celebra as cinco décadas de carreira da ícone da MPB. Com direção geral de Jô Santana, a produção conta com Lucinha Lins, Helga Nemetik, Laura Saab e Clarah Passos interpretando a cantora paraense nas diferentes fases da vida. A narrativa - repleta de símbolos amazônicos, folclóricos e mais elementos que fazem parte da história da artista - é construída em três planos: no presente, nas memórias da infância e trajetória profissional.
PublicidadeO espetáculo inicia com um número musical dedicado à Amazônia, em que as lembranças da infância de Fafá se misturam a lendas, narrando a trajetória da menina cabocla que saiu de Belém para conquistar o Brasil. O público conhece a relação familiar, cultural e religiosa, base de sua identidade artística, com a neta da cantora, Laura, interpretando a 'Fafá-menina'.
"A minha avó ela sempre foi te contar histórias e aí ela te conta com detalhes porque ela tem uma memória assim surpreendente, ela lembra de cada detalhe da pessoa e ela imita, então é bem gostoso ter essas conversas com ela", relata a atriz.
Laura comenta que se inspirou em alguns traços da personalidade de Fafá mantidos desde a infância. "Algumas coisas eu já tinha escutado, algumas coisas ela foi me contando durante o processo. E, querendo ou não, ela tem coisas na personalidade dela hoje em dia que são as mesmas, que ela nunca mudou desde que ela era menina. Então, eu me espelho muito nela".
Quando a neta da artista não pode participar do espetáculo, Clarah assume o papel. "Ter a oportunidade de conhecer e interpretar a história de uma mulher tão empoderada, forte e determinada como a Fafá, ampliou muito a minha visão sobre arte e carreira", diz a atriz, que complementa: "A cada descoberta sobre a sua trajetória, me sentia ainda mais inspirada a continuar lutando pelos meus sonhos, assim como ela lutou pelos dela. Esse projeto me fortaleceu não só como artista, mas também como pessoa", comemora.
O clima do musical se transforma no segundo ato, ao retratar a fase 'Fafá-cantora', vivida por Helga. A atmosfera regional amazônica dá lugar à estética urbana da artista consagrada e engajada em causas sociais, como a participação no movimento "Diretas Já", e apoio à comunidade LGBTQIA+.
"Importante mostrar que a história dela se atrela a história política e social desse país. Muitas pessoas não sabem disso. Acham que Fafá de Belém é só uma cantora que tem uma gargalhada engraçada e um par de seios. Mas ela é aquela que 'nunca colocou o peito acima da garganta'", diz Helga, citando uma fala da peça.
A artista vibra com sua participação no projeto: "Uma grande honra, uma grande responsabilidade e uma felicidade que não cabe em mim", conta ela, que também detalha como é a preparação para atuar, cantar e dançar. "Eu mergulhei fundo no universo dela, estou desde agosto estudando, ouvindo as músicas, vendo clipes e entrevistas, para conseguir me aproximar do timbre tão potente que ela tem".
Helga também destaca a parceria entre as intérpretes de Fafá na produção. "Estar ao lado de Lucinha é também a realização de um sonho, pois sou fã dela desde a minha infância. Ela é uma parceira incrível, acolhedora e muito generosa. Laurinha e Clarinha são nossas mascotinhas, lindas e talentosas que abrilhantam muito e encantam demais como as 'Fafás-meninas'".
O musical, por fim, traz "Fafá nos dias de hoje", protagonizada por Lucinha. A veterana relembra a estreia repleta de emoção. "Fafá estava na plateia. Ela já tinha nos abençoado, porque assistiu ao ensaio, e foi emocionante. Ela chorava, nós chorávamos. É muito forte a presença dela, e essa mulher que todos nós admiramos tanto. Esse musical traz a história de Fafá, e traz muito da história do Brasil, antes de mais nada", conta ela, que fala sobre a recepção calorosa do público.
"O público tem trocado uma energia com nós no palco de uma forma muito especial. Os aplausos interrompem momentos do espetáculo com uma força que nos incentiva, que nos ajuda a manter o ritmo do espetáculo forte [...] Nós estamos com casa cheia e a plateia de pé. Todos os celulares a essa altura saem das bolsas e começam a fotografar. É uma coisa linda. Tem sido comum. Muitos de nós saímos do palco chorando. É emocionante demais o que a plateia nos passa. A emoção que nós estamos causando com esse espetáculo nos emociona profundamente também".
Além disso, Lucinha reforça a importância da caracterização e figurino para a construção da personagem. "Por mais que você ensaie, vai botando aquelas roupas inventadas no ensaio e tal, quando o figurino chega é quando você realmente assume a personagem. [...] Quando eu me olho no espelho e quando as pessoas dizem: 'Meu Deus, tem horas que a gente olha para você no palco e é a Fafá', é quando você se sente mais realizado. É quando você chegou muito próximo da personagem que você está representando".
Músicas e mais
A produção traz um repertório musical de acordo com cada ato do espetáculo, como as canções "Bom dia Belém", "Foi assim", "Eu preciso aprender a ser só", "Sedução", "Filho da Bahia", "Eu sou de lá", "Ave Maria", "Coração do Agreste", "Bilhete" e mais. O encerramento conta, ainda, com o Boi de Parintins e um dos maiores hits da carreira de Fafá, a música "Vermelho".
Ananda K, Daniel Carneiro, Diego Luri, Fernando Leite, Gabriel Manitta, Keren Silveira, Mona Vilardo, Naieme, Sérgio Dalcin e Thuca Soares também integram o elenco do musical. O texto é de Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche. Já a direção do espetáculo fica por conta de Gustavo Gasparini, com pesquisa de Rodrigo Faour.
Serviço
"Fafá de Belém, o musical"
Temporada até 8 de março (Carnaval não haverá apresentação)
Quinta-feira e sexta-feira, às 20h; Sábado e domingo, às 17h
Local: Teatro Riachuelo
Endereço: Rua do Passeio n.º 38/40, Centro, Rio de Janeiro
Ingressos: A partir de R$ 20
Temporada até 8 de março (Carnaval não haverá apresentação)
Quinta-feira e sexta-feira, às 20h; Sábado e domingo, às 17h
Local: Teatro Riachuelo
Endereço: Rua do Passeio n.º 38/40, Centro, Rio de Janeiro
Ingressos: A partir de R$ 20
* Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa
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