Publicado 22/03/2026 05:00
Rio - Péricles, de 56 anos, e Ferrugem, de 37, decidiram transformar a admiração mútua em um projeto inédito. Os cantores se uniram na turnê "As Vozes", que marca o encontro entre duas gerações do pagode e aposta na mistura de repertórios. Em entrevista ao MEIA HORA, os artistas falaram sobre a parceria inédita, a troca no palco, os bastidores desse encontro e a responsabilidade de dividir esse momento com o público. No Rio, a apresentação acontece no dia 28 de março, às 22h, no Farmasi Arena.
Publicidade- O que o público carioca pode esperar de diferente desse formato em relação às apresentações individuais?
Péricles: Esse show tem uma troca que não acontece quando a gente está sozinho no palco. São dois repertórios que se encontram o tempo todo, a gente canta junto, divide músicas e constrói momentos diferentes dentro do show.
Ferrugem: Não é um show meu e depois o do Pericão, nem o contrário. É uma troca o tempo inteiro. A gente se mistura no palco, se respeita, se diverte. O público vai ver o Péricles cantando minhas músicas do jeito dele, e eu mergulhando nos clássicos dele, que eu cresci ouvindo. Acho que o diferencial é esse encontro mesmo, essa verdade ali acontecendo na frente de todo mundo.
- Ao subir no palco ao lado de um ídolo, existe mais emoção ou responsabilidade?
Ferrugem: Acho que são os dois juntos, não tem como separar. Tem muita emoção, porque é um cara que eu sempre admirei, que fez parte da minha história, então viver isso hoje é especial demais. Mas também tem uma responsabilidade grande, porque a gente sabe o tamanho desse projeto e o que ele representa pro público. O equilíbrio vem muito da verdade. Quando você sobe no palco com respeito, preparado e fazendo o que ama, as coisas fluem. A gente se respeita muito, se admira, e isso deixa tudo mais leve. No final, vira só música, troca e sentimento, que é o que realmente importa.
- Você já declarou publicamente a admiração pelo Péricles. Em que momentos essa influência se fez mais presente na sua carreira?
Ferrugem: Em muitos momentos. Desde o começo mesmo, quando eu ainda estava me encontrando como cantor, eu já olhava muito para a forma como o Péricles interpretava, como ele conduzia o show, o respeito que ele sempre teve com a música e com o público. Isso me moldou muito. Mas acho que ficou ainda mais claro quando comecei a ter mais responsabilidade, com mais gente me acompanhando, olhando para mim como referência. Aí você passa a entender o tamanho do que ele construiu e tenta levar isso pra sua caminhada também. É uma influência que vai além da música, é de postura, de caráter mesmo dentro da profissão.
- Você tem quatro décadas de carreira e venceu o Grammy Latino. Ao olhar para trás, você imaginava se tornar uma referência direta para artistas da nova geração?
Péricles: Nunca fiz música pensando nisso. Sempre trabalhei com verdade, respeitando o que eu acredito. Mas fico muito feliz quando vejo artistas da nova geração reconhecendo essa trajetória. Isso mostra que a música continua seguindo, evoluindo, e que de alguma forma eu pude contribuir com esse caminho.
- Existe alguma música um do outro que vocês sempre quiseram cantar juntos e que agora ganhou espaço no show?
Ferrugem: Tem várias… é até difícil escolher uma só. Sempre sonhei em cantar algumas músicas dele ao lado dele, de verdade, dividindo o palco. E agora isso está acontecendo, então cada música acaba tendo um peso muito especial.
Péricles: Esse projeto já começou com uma música que representa muito bem esse encontro, que é o single 'Foguete'. Foi a primeira faixa que a gente gravou junto, dando o pontapé para o 'As Vozes'. É uma música inédita, que carrega a identidade dos dois e que hoje tem um papel importante dentro do show.
- Depois de tantos anos de sucesso com o Exaltasamba e na carreira solo. O que ainda motiva você a criar e apostar em formatos inéditos?
Péricles: O que me move é a música e o público. Gosto de me desafiar, de buscar coisas novas, de sair um pouco do lugar comum. Dividir o palco com o Ferrugem nesse formato é isso: é troca, aprendizado e vontade de fazer algo diferente. Enquanto isso fizer sentido, eu vou continuar criando.
- A turnê pode se transformar em um projeto contínuo no futuro?
Ferrugem: A gente está muito focado em viver essa turnê agora, curtindo cada show, cada cidade, cada encontro com o público. É um projeto muito especial para a gente, que pede entrega total.
Péricles: É um projeto que nasceu de forma muito verdadeira, então a ideia é deixar ele crescer de forma natural. Os shows de São Paulo, nos dias 25 e 26 de abril, inclusive, vão dar origem a um audiovisual do projeto.
Péricles: É um projeto que nasceu de forma muito verdadeira, então a ideia é deixar ele crescer de forma natural. Os shows de São Paulo, nos dias 25 e 26 de abril, inclusive, vão dar origem a um audiovisual do projeto.
Leia mais
