Publicado 11/04/2026 05:00
Rio - Ao longo de quase três décadas de estrada, o Detonautas coleciona canções que atravessam gerações, incluindo "Quando o Sol se For", "Olhos Certos", "Você me Faz tão Bem" e mais. Formada atualmente por Tico Santa Cruz, Renato Rocha, Fábio Brasil, Phil Machado e André Macca, a banda vive uma fase especial com o nono álbum de estúdio, "Rádio Love Nacional", disponível nas plataformas digitais. As 11 faixas inéditas do disco mesclam rock, pop, eletrônico e referências da música brasileira.
Publicidade"É um álbum completamente diferente de tudo o que eles (fãs) estão acostumados a ouvir do Detonautas... A gente conseguiu construir uma obra diferente do que está acontecendo hoje. Sem querer ser pretensioso, mas podendo ser um pouco, até dentro do próprio universo do rock mesmo", comenta o vocalista.
A recepção do público com o primeiro lançamento do projeto, "Potinho de Veneno", em outubro de 2025, é celebrada por Tico. "Ela imediatamente foi para o primeiro lugar do segmento. [...] Ela bateu muito bem, ela ficou em primeiro lugar nas rádios todas que tocaram o segmento pop rock". Essa faixa, inclusive, foi criada durante a Pandemia de Covid-19 e deu origem à identidade sonora do álbum.
Por outro lado, a canção "Vampira", uma das mais ousadas do repertório com participação de Milton Cunha, dividiu opiniões. "'Vampira' gerou algum estranhamento em uma parte dos fãs [...] Teve uma galera que gostou muito e teve outra que estava tentando entender o que estava acontecendo, ainda não tinha conseguido absorver. E uma galera que falou: 'Isso não é rock'. E está tudo bem. Porque na verdade a gente está trabalhando justamente com essas reações", afirma o cantor, que detalha como surgiu a ideia da parceria com o carnavalesco, dono dos bordões "Babilônico", "Mesopotâmico" e "Faraônico".
"A voz do Milton é muito poderosa, todo mundo reconhece. Quando a gente pensou em vozes, a gente pensou em algumas vozes de cantores no primeiro momento. Então a gente pensou no Zé Ramalho, a gente pensou em pessoas que têm essas vozes características muito fortes, que todo mundo identifica. E aí eu falei: 'Não, vamos tentar fazer com o Milton Cunha'. Ele tem tudo a ver, porque a gente está falando da 'Vampira', uma alegoria, uma fantasia e tem a ver com o Carnaval".
A espiritualidade também é abordada no projeto, que traz títulos, como "Fim da Encruzilhada", "Capa Preta" e "Antimonotonia". "São símbolos que estão relacionados a essa questão da espiritualidade. Quando você escuta, por exemplo, o 'Antimonotonia', existem inúmeras referências simbólicas que a gente tem das religiões de matriz africana, que é onde a gente está trabalhando, em cima desse referencial espiritual".
De acordo com Tico, o álbum, com produção de Pablo Bispo e Ruxell, foi criado, justamente, para parecer uma "estação de rádio" que transmite vários estilos musicais. "O 'Rádio Love Nacional' se trata justamente de como se fosse uma estação de rádio que está transitando por vários estilos. Mas todos eles estão conectados com o rock. Em todos eles o rock está presente. São formas diferentes de se fazer rock".
Ele destaca que desde o início da trajetória profissional a banda buscou misturar o rock com outros gêneros. "Desde o primeiro álbum, a gente tem um baião e um rap também no meio de uma música que é um dos maiores sucessos", diz o artista, que também analisa o repertório e reconhecimento da banda.
"A gente tem hoje um repertório que se porventura a gente não quisesse mais lançar nenhum disco, esse repertório por si já seria suficiente para a gente poder continuar fazendo show até o fim da vida. Porque são muitas canções, muitos hits, a gente sabe e entende que quando a gente se apresenta, por exemplo, num festival onde tem outras bandas, o público de outras bandas conhece a nossa música, às vezes não é tão fã do Detonautas, mas gosta de ouvir e canta".
Fãs
Formado em 1997, o Detonautas ultrapassou gerações. "Os nossos fãs são da geração 2000. Amadureceram, cresceram. Nós os vivos adolescentes e hoje encontramos esses fãs já com família, posicionados profissionalmente. Eles levam seus filhos, inclusive, para poder assistir aos nossos shows. Eu acho legal quando você consegue passar de geração por geração, porque isso dá uma consciência muito de que nós somos artistas que geraram uma memória emocional muito forte com esse público", diz Tico.
"E isso acaba se refletindo em vários aspectos: trilha sonora de casamento, trilha sonora de namoro, trilha sonora do nascimento do filho, momentos de férias, de lazer. Muitas pessoas usam músicas do Detonautas para superação, para momentos difíceis. Algumas pessoas me falam: 'A música 'tal' me ajudou muito no momento de depressão, no momento que eu estava passando por uma fase difícil'. Então, acho que a gente acessa vários lugares da alma humana e isso fortalece muito essa relação, esse vínculo com os fãs. É bem bacana mesmo, acredito", complementa.
'Banda de amigos'
Tico comenta que a amizade e o respeito são fundamentais para os integrantes da banda seguirem juntos ao longo dos anos. "O Detonautas é uma banda de amigos. Não é uma banda de pessoas que estão ali só pelo trabalho. A gente tem o privilégio de trabalhar com música, viajar todo final de semana, estar cada dia em um lugar diferente. Tem uma brincadeira que a gente faz interna: 'Não parece, mas é trabalho'. Porque é um trabalho duro, na verdade, bem difícil, árduo, que demanda muita energia".
"A gente só conseguiu construir isso por conta do respeito que a gente tem uns pelos outros, dentro do Detonautas. Cada um já se conhece, já sabe o momento em que pode falar alguma coisa ou não [...] Imagina, casamentos não duram 30 anos. E estamos juntos há 30 anos. Óbvio, passamos por formações diferentes, principalmente porque as pessoas que não conseguiram se conectar nesse lugar onde nós nos conectamos, elas pediram por conta própria para se retirar. Não fomos nós que as tiramos, entende? A formação [atual] do Detonautas já tem 16 anos. É bem longa e formada por amigos", conclui.
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