Publicado 29/04/2026 11:34 | Atualizado 29/04/2026 11:37
Rio - O ator João Guilherme comentou sobre sua relação com o pai, o cantor Leonardo. Ele definiu o vínculo familiar como um processo em construção, marcado por afastamentos, divergências e tentativas de aproximação.
PublicidadeFilho mais novo do sertanejo com Naira Ávila, o artista escolheu uma palavra para resumir o momento atual: “esperança”. “Acho que esperança talvez não é adjetivo para relação, mas acho que ter uma palavra assim [que descreva] é uma esperança, uma esperança de tudo: de uma conexão, de uma proximidade, uma esperança de poder a gente talvez ter mais momentos ali de pai e filho, que não, esporadicamente”, declarou ele em entrevista ao Alt Tabet, divulgada nesta quarta-feira (29).
Morando em São Paulo, enquanto o pai vive em Goiânia, João apontou a distância como dificuldade. “Para além de uma agenda dele, de uma agenda minha, de uma agenda dos meus irmãos, para fazer encontrar, sempre foi complicado, tem essa questão da distância”, explicou.
Apesar disso, ele acredita em uma mudança gradual na dinâmica familiar. “Mas eu tenho essa esperança, eu acredito mesmo, e não só acredito, não é um devaneio da minha cabeça, eu sinto que a gente está nesse processo, de todo mundo se aproximar um pouco mais. E isso vem um pouco de uma maturidade, de olhar e falar: ‘E aí família, qual que é a dificuldade da gente estar junto?’”, afirmou.
O ator também abordou as diferenças de pensamento entre ele e Leonardo, que já vieram a público em outros momentos, inclusive em posicionamentos políticos. Segundo João Guilherme, as divergências não anulam o respeito. “O fato de eu ter construído uma história em paralelo da história dele, ser um cara apaixonado pelo o que eu faço, e que pensa diferente dele”, pontuou. “Não é que eu chego lá na fazenda do meu pai, visto o chapéu, [faço] piadinha machista, e aí é ‘vamos, Bolsonaro’. Isso não existe, meu amigo. Eu chego lá e eu sou o cara que eu sou aqui na minha casa, sou o cara que eu sou na internet quando preciso me posicionar, o mesmo cara”, garantiu.
Na entrevista, o artista defendeu o diálogo como base das relações familiares e citou a criação que recebeu da mãe. “Aí deles se puxarem um assunto delicado, porque vou ter argumentos. Vamos querer ter essa conversa?’. E é sempre no amor, porque minha vida inteira fui criado assim pela minha mãe. Eu posso contar em uma mão as vezes que minha mãe já me bateu. E na conversa”, destacou.
Ele ainda disse acreditar que é admirado pelo pai. “E eu sei que meu pai me admira por isso, num lugar de inteligência. Eu já ouvi meu pai falando para os amigos dele: ‘Ah, o João Guilherme é muito inteligente’”, contou. “E na família, dialogar é o melhor caminho, principalmente na relação entre pai e filho, que seja. Uma coisa é você se encontrar com um estranho, que discorda de tudo que você acredita. Outra coisa é você ter uma atitude dessa com a família. A gente vê tantas famílias se separando por valores. E bobagem”, completou.
As declarações surgem após a influenciadora Jéssica Beatriz Costa, filha de Leonardo, expor um afastamento envolvendo a irmã Monyque Isabella Costa e um desentendimento com o cantor. Sobre conflitos familiares, João Guilherme afirmou que são situações comuns, mas que exigem compreensão.
“[A briga] é quase sempre entre um jovem e uma pessoa mais velha. E a gente sabe o que é isso, são pessoas que foram criadas de maneiras diferentes. Se eu não fosse criado pela minha mãe, pela minha família, eu seria outro cara, completamente diferente. E meu pai foi criado por outra mãe, outro pai, outra realidade, outro contexto. Não sou eu que vou chegar, bater o pé e falar: ‘Ou é assim ou você não me vê mais’. Isso não existe, é minha família. Por mais distante que seja, são as pessoas que eu amo”, afirmou.
Ao final, o ator reforçou a importância de manter o diálogo aberto. “Tem relação mais doida que família? Tem pessoas que fariam tudo por você, e não importa se eu te vejo duas, três vezes no ano. A gente veio junto, faz parte da mesma proposta. Então, eu luto pela minha família e ajudo a estar mais próximo. Às vezes, as pessoas ficam caladas e não falam as coisas. E eu pergunto: ‘Por que você não me responde? Está com algum problema?’. Porque se está com algum problema, eu vou entender como posso fazer para resolver. Às vezes, vejo meu pai com uma questão com outro filho e fico: ‘Ahn? Por quê? Vocês já conversaram?’. A pessoa não tem vontade de resolver, mas talvez isso não faça parte desse hábito de sentar e conversar. Falta um pouco disso no mundo”, concluiu.
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