Naldo Benny lança Casa do Naldo 2 ? Em CasaDivulgação
Publicado 03/05/2026 05:00 | Atualizado 03/05/2026 07:56
Rio - Dono de sucessos como "Na Veia", "Chantilly" e "Amor de Chocolate", Naldo Benny vive um novo momento na carreira com o lançamento do projeto "Casa do Naldo 2 – Em Casa", que chega no dia 22 de maio às plataformas digitais. Gravado na residência do artista, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, o audiovisual aposta em uma atmosfera intimista e reúne convidados como Thiago Soares, Vitinho, Wic Tavares, Gica e Netinho de Paula.
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O repertório mistura regravações, faixas inéditas e influências da black music. Um dos momentos mais marcantes foi a homenagem ao irmão Lula, que emocionou o cantor. Em entrevista ao DIA, ele fala sobre o novo trabalho, relembra momentos decisivos da trajetória, reflete sobre perdas pessoais e analisa as transformações da indústria musical. Confira:
Você gravou recentemente o projeto 'Casa do Naldo'. O que esse trabalho representa nesse momento da carreira?

Gravei o 'Casa do Naldo' como uma continuidade do primeiro projeto. Fiquei muito satisfeito com a resposta do público, com o reconhecimento pelo meu talento vocal e pela capacidade de transitar por outros gêneros, como o pagode, em regravações como 'Papel Machê', 'Flor de Lis' e 'Final Feliz'. O retorno foi muito positivo, orgânico e espontâneo. Vi isso nos comentários, nos números e na repercussão. Muitas pessoas destacaram que gostaram de me ouvir cantando pagode e reconheceram esse lado da minha voz, que às vezes não aparece tanto no funk. Nesse novo trabalho, misturei outros estilos, como a black music, com arranjos mais elaborados, inspirados nos anos 80. Essa diversidade foi o que mais me motivou a dar continuidade ao projeto.

Esse audiovisual tem uma proposta mais intimista, 'em casa'. O que você quis mostrar de diferente pro público com esse formato?

O 'Casa do Naldo' em casa representa exatamente o que eu vivo no meu dia a dia. O primeiro projeto foi muito inspirado em memórias afetivas, principalmente das visitas à casa da minha avó, quando eu ouvia samba e pagode. Já o segundo foi gravado literalmente na minha casa, no dia do meu aniversário, com uma proposta mais íntima. A ideia era mostrar um momento real, como se eu estivesse reunido com amigos, ouvindo música e fazendo um churrasco. Mesmo sendo uma proposta mais pessoal, o projeto ganhou uma estrutura maior do que eu imaginei, com equipe, cenário e direção feitos por mim. Ficou um trabalho mais elaborado, mas sem perder essa essência de proximidade.

Depois de tantos anos de estrada, o que ainda te motiva a subir no palco e gravar novos projetos?

Depois de tantos anos de carreira, realmente não é simples encontrar motivação o tempo todo. Já tenho projetos muito marcantes, como o DVD de 2013, que considero um dos maiores dentro do meu segmento. Mas o que me move é o reencontro com amigos, a possibilidade de revisitar músicas e ver o projeto tomando forma. Quando tudo começa a acontecer, vem a energia, a alegria e a vontade de seguir criando.

Você saiu de uma realidade muito difícil no Complexo da Maré até se tornar um dos nomes populares do país. Em que momento você percebeu que tinha virado a chave na sua vida?

Percebi essa virada em 2009, quando gravei 'Na Veia'. A música começou a tocar no Brasil inteiro e fui convidado para participar do 'Show da Virada', na Globo.  Naquele momento, mesmo sem uma grande estrutura de equipe, entendi que estava no caminho certo. A partir dali, senti que minha música poderia me levar mais longe. Antes mesmo de outros sucessos, como 'Chantilly' e 'Amor de Chocolate', já dava para perceber que algo diferente estava acontecendo. Os shows cresceram, o público aumentou e eu entendi que dali em diante seria um caminho sem volta.

Sua carreira tem fases de muito sucesso e também momentos mais turbulentos. Como você enxerga hoje esses altos e baixos?

Os momentos mais difíceis da minha vida foram as perdas da minha mãe, do meu irmão e de pessoas importantes que estiveram comigo no início da carreira. Minha trajetória sempre foi marcada por superação, desde o começo, saindo de uma realidade difícil e sem apoio. Hoje, consigo olhar para tudo isso com gratidão, entendendo que essas experiências me fortaleceram e fizeram parte da construção da minha história.
Você já falou algumas vezes sobre a importância da sua história e das perdas que viveu. De que forma isso ainda impacta sua música e suas escolhas?

Essas perdas são muito duras. A saudade é inevitável quando existe amor. Ao mesmo tempo, sigo em frente porque sei que eles torciam por mim e queriam ver tudo isso acontecer. Minha forma de lidar com essa ausência é continuar realizando os sonhos que também eram deles. Existe uma mistura de emoção, saudade e gratidão. São sentimentos que acabam sendo transformados em música e me dão força para seguir.

Você tem um estilo que mistura funk, pop e R&B. Hoje, como você define o 'som do Naldo'?

O meu som tem raiz no funk pop, mas eu me defino como um artista que faz música, sem se prender a um único gênero. Gosto de explorar diferentes estilos, seja uma música romântica, um R&B ou algo mais dançante. Já fiz trabalhos com diversas sonoridades ao longo da carreira e continuo aberto a experimentar. A base é o funk, mas a música me permite ir além e explorar novas possibilidades.

A indústria da música mudou muito com redes sociais e plataformas digitais. O que você precisou aprender para continuar relevante?

As redes sociais facilitaram muito a divulgação, mas também trouxeram desafios, como a valorização excessiva dos números. Mesmo assim, acredito que o talento sempre se destaca, independentemente da ferramenta. A indústria está sempre mudando, como já mudou antes, e o mais importante é continuar evoluindo junto com ela.

Existe algo na sua carreira que você sente que ainda não conquistou e quer realizar?

Tenho muita vontade de conquistar mais reconhecimento na música, como premiações. Tudo o que envolve música me motiva, seja ter uma canção tocando, ser premiado ou reconhecido pelo meu trabalho. Isso faz parte da construção da minha história e é algo que ainda quero alcançar.
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