Publicado 11/05/2026 05:00 | Atualizado 11/05/2026 06:42
Rio - Após encerrar sua trajetória como Candinho em "Êta Mundo Melhor!", da TV Globo, Sergio Guizé chega aos cinemas com um personagem distante do universo leve e ingênuo que marcou sua passagem recente pela televisão. Aos 45 anos, o ator estrela "Eclipse", thriller dirigido e estrelado por Djin Sganzerla, que aborda violência contra a mulher e relações familiares atravessadas por traumas e segredos.
PublicidadeNo longa, Guizé interpreta o marido da protagonista, uma astrônoma grávida e emocionalmente fragilizada, em uma trama marcada por conflitos e descobertas dolorosas. "Eu fui convidado pela Djin e, quando recebi o roteiro, fiquei impressionado com o tema. A gente já tinha conversado por cima sobre isso, mas o que me chamou atenção foi a personagem, muito bem escrita, cheia de camadas. Eu queria poder contar essa história através da linguagem do cinema da Djin", afirma o ator.
Misturando suspense e drama, o filme, que chegou às telonas na última quinta-feira (7), acompanha Cleo durante a gravidez, período em que sua rotina muda completamente após a chegada inesperada da meia-irmã indígena, interpretada por Lian Gaia. A aproximação entre as duas faz antigos segredos da família virem à tona e leva a protagonista a enfrentar situações delicadas dentro do próprio casamento.
Ao falar sobre o preparo emocional para interpretar um homem agressor, Guizé ressaltou o cuidado necessário ao abordar um tema sensível. "Acho que o principal foi o respeito ao tema. Eu sabia o tempo todo que estava ali como instrumento de uma discussão maior, e isso precisava ficar claro. É um personagem desafiador, mas a ideia era contribuir, somar, não exagerar ou transformá-lo em um vilão absoluto", diz.
O artista acredita que produções como "Eclipse" ajudam o público a enxergar comportamentos abusivos muitas vezes normalizados no dia a dia. "Apesar de a opinião pública às vezes se confundir diante de personagens muito verdadeiros, acredito que isso ajuda a trazer à tona discussões importantes. Muitos casos começaram a ser denunciados, e eu já tinha isso em mente quando aceitei o filme", declara.
Guizé também relembra a repercussão de personagens violentos que interpretou ao longo da carreira, como Gael, de "O Outro Lado do Paraíso" (2017), e conta que recebeu relatos de pessoas próximas. "Lembro que, quando aquele personagem foi ao ar, ouvi relatos de situações próximas, até de vizinhos da minha infância, coisas que eram camufladas. E há também a força das mulheres quando se unem. O desfecho é algo muito bonito e emocionante, você vibra junto".
Ao resumir o longa em apenas uma palavra, o ator escolhe "justiça". "É uma história que convida à desconfiança, porque, onde o sol bate mais forte, a sombra também é mais escura. O filme começa de um jeito e termina de outro", resume.
Carreira musical
Além do retorno aos cinemas, Sergio tem dedicado mais tempo à música. O ator segue à frente da banda Salvador e Seus Pecados, formada ao lado de Jarbe Gilliard e André Gieswein. O grupo mistura referências do rock dos anos 1990, influências da Jovem Guarda e composições autorais. "Na verdade, eu toco desde criança, sempre tive banda e também sempre atuei. Talvez as notícias recentes deem a impressão de que eu tinha parado, mas não", esclarece.
O artista reforça que a música surgiu antes da atuação em sua trajetória profissional, e falou sobre a relação afetiva do projeto musical com o pai, Salvador, que morreu aos 69 anos, um dia após o fim das gravações de "Eclipse", em 2024.
"Cresci tocando com meu pai e tive uma banda com ele. Mesmo assim, seguimos com o projeto. Continuo fazendo shows como sempre fiz. Venho do teatro, e, no cenário paulistano, é muito comum você sair de uma peça e ir tocar à noite com uma banda", explica. "Na verdade, comecei como músico. O teatro foi uma das últimas linguagens que explorei para dar conta de tudo isso", completa.
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