Ana Carolina Sauwen vive primeira vilã no audiovisual: Esquisita e muito engraçadaDivulgação
Publicado 17/05/2026 05:00
Rio - Com mais de duas décadas de carreira, Ana Carolina Sauwen integra o elenco da comédia "Cansei de Ser Nerd", que estreia nos cinemas no dia 28 de maio. No filme, dirigido por Gualter Pupo, a atriz e comediante interpreta a vilã Amanda, que, ao tentar seduzir Aírton (Fernando Caruso), acaba causando o efeito contrário: assusta o protagonista com seu jeito inadequado e estranho, que chega a ser cômico.
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"Amanda é uma vilã ao mesmo tempo esquisita e muito engraçada. Ela trabalha ali no limite entre a sedução e o medo. É uma personagem que diverte, mas também assusta bastante. Tem um olhar meio fixo, um sorriso quase horripilante e está o tempo todo tentando conseguir as coisas através da sedução, especialmente na relação com o Aírton", comenta a artista.
Ana acredita que o jeito esquisito da personagem irá despertar as mesmas reações em Aírton e no público. "Só que ela o assusta mais do que seduz. E acho que é exatamente isso que ela provoca no público também. Uma mistura de medo, fascínio e algumas risadas, de tão descabida que ela é".
A atriz celebra o momento atual na carreira, ao integrar a primeira vilã no audiovisual. "Eu acho que fazer uma vilã é uma libertação, porque você pode ousar mais. Não existe tanta preocupação em agradar o público o tempo inteiro. E eu nunca tinha feito uma vilã no audiovisual", afirma.
A comediante conta a importância do papel, por ser totalmente diferentes dos anteriores, relacionados à maternidade. "Eu vinha também de uma sequência de trabalhos muito ligados à maternidade. Acho que, por causa do meu trabalho na internet e dos temas que abordo ali e no espetáculo solo, comecei a ser muito associada a esse lugar da mãe... Foi muito interessante ocupar um espaço completamente diferente disso".
"Isso me permitiu mergulhar em outras camadas das contradições humanas, em lados mais obscuros, mais estranhos, que também fazem parte da gente e merecem ser explorados artisticamente. Acho muito interessante quando uma personagem pode revelar justamente aquilo que normalmente as pessoas tentam esconder", complementa a intérprete de Amanda.
Na trama, Aírton é um nerd que, nos tempos da faculdade, foi acusado injustamente pelo suposto assassinato de uma colega. Na época, ele chegou a ficar preso por 10 dias. Duas décadas depois, o personagem convence o melhor amigo, Ulisses (Pedro Benevides), a ir com ele à reunião de formandos da turma de 2004. Ele toma a atitude porque está disposto a enfrentar os traumas do passado e provar sua inocência, além de conquistar seu grande amor, Juliana (Bia Guedes).
Teatro e maternidade
Ana também está em cartaz com a comédia "Da Mama ao Caos", no Teatro Café Pequeno, no Leblon, Zona Sul do Rio, até o dia 27 de maio. Na montagem, a maternidade é retratada sem idealização, atravessada por questões como sobrecarga, culpa e busca por uma perfeição inalcançável.
Mãe de Vicente, de 5 anos, a atriz busca preservar o filho, apesar de atuar a partir de experiências pessoais. "No meu espetáculo sobre maternidade por exemplo, eu busco preservar bastante o meu filho, não conto histórias reais que eu acho que possam um dia constrangê-lo quando crescer, por exemplo. Além disso, ele nunca aparece nas minhas redes sociais", pontua a artista.
Com a frase "a mãe não deixa de ser mulher", a atriz ressalta a importância de não se anular devido a maternidade. "Existe um interesse na forma como a nossa sociedade se organiza de que a mulher que é mãe ocupe apenas esse lugar. Como se ela devesse se limitar à função materna - e, no máximo, ao trabalho e ao sustento da casa (como ocorre em tantos lares brasileiros, que são sustentados por mães solo). Mas a maternidade é uma função, não é tudo o que uma mulher é. A mãe continua sendo uma mulher inteira, com desejos, sonhos, sexualidade, ambições, vontades que muitas vezes não têm relação nenhuma com os filhos".
A atriz também fala sobre os desafios de superar as expectativas da sociedade, que muitas vezes, querem que as mulheres sejam agradáveis. "Eu acho que esse é um desafio que praticamente toda mulher vive. Desde muito cedo, a sociedade ensina as meninas a serem agradáveis, obedientes, discretas, a ocuparem pouco espaço... E acho que, quanto mais fui amadurecendo, mais fui percebendo esses mecanismos. Em algum momento eu comecei a entender que não queria viver apenas tentando caber nos estereótipos que esperavam de mim, nem como mulher, nem como mãe, nem como artista".

Ana explica a frase "as mulheres querem mais do que só dar conta". "Hoje já existe uma aceitação maior da mulher que trabalha, da mãe que também ocupa um espaço profissional. Mas, muitas vezes, esse movimento de 'liberdade' ainda vem acompanhado da ideia de produtividade. É aceitável que ela não esteja com os filhos porque está trabalhando. O que ainda causa muito estranhamento é quando ela simplesmente quer viver um momento de prazer, diversão ou liberdade. Então, esse 'mais' de que eu falo, tem muito a ver com isso: entender que os sonhos, os desejos e a individualidade de uma mulher não acabam quando ela constrói uma família".
Novos papéis
A artista pretende interpretar personagens diferentes, que não se limitem a uma "caixinha", em novos desafios profissionais. "Eu ainda quero ver (e principalmente fazer papéis) de mulheres que escapem dos lugares simplificados. Mulheres que não sejam apenas mães, apenas boas, apenas fortes ou apenas vilãs. Mulheres que possam carregar contradições reais. Que lutem pelos próprios sonhos, mas que também errem, sejam egoístas às vezes, confusas, intensas, engraçadas, fortes e frágeis. Abram potes sozinhas mas também chorem no banheiro por coisas banais. O ser humano é complexo, e as mulheres também são".
A artista também fala sobre como os comediantes ainda são "desvalorizados". "Infelizmente ainda existe uma certa desvalorização da comédia no mercado, como se ela ocupasse um lugar menor ou menos sofisticado. E eu acredito exatamente no contrário. Para mim, uma atriz ou um ator que domina a comédia está muito preparado para transitar por qualquer outro gênero".
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