Publicado 14/05/2026 09:57
Rio - No ar como Zilá em "Coração Acelerado", Leandra Leal, 43 anos, foi ao Instagram, nesta quarta-feira (13), pedir mais rigor jornalístico após a participação de Juliano Cazarré no "GloboNews Debate", que discutiu masculinidade e o papel do homem na sociedade. No vídeo, a atriz criticou a circulação de dados que classificou como distorcidos e disse que esse tipo de informação não pode ser tratado como simples opinião quando é usado para sustentar um argumento em rede nacional.
Publicidade"Como é que a gente vai lidar com a fake news? Como é que a gente vai combater a fake news? Eu acho que uma das coisas que a gente tem que fazer é interferir no momento que ela começa. O jornalismo, ele não pode permitir que sejam apresentados dados distorcidos, que não são reais, não são verdadeiros, para comprovar um ponto de vista", afirmou.
A reação veio depois de um dos momentos mais comentados do programa, quando Cazarré citou números de assassinatos de homens por mulheres e de mulheres por homens ao tentar alegar que mais homens são mortos por mulheres, em um mesmo período de tempo, e não o contrário.
A reação veio depois de um dos momentos mais comentados do programa, quando Cazarré citou números de assassinatos de homens por mulheres e de mulheres por homens ao tentar alegar que mais homens são mortos por mulheres, em um mesmo período de tempo, e não o contrário.
Vera Iaconelli, psicanalista, respondeu na hora que não conhecia aquele dado. Na sequência, Ismael dos Anjos lembrou que feminicídio é uma categoria específica de crime, ou seja, o dado fornecido por Cazarré cita os 1.500 feminicídios e não a quantidade geral de mortes de mulheres por homens, que seria expressivamente maior.
No vídeo, Leandra defendeu que esse tipo de correção não fique apenas por conta dos convidados, mas passe a ser incorporado de forma mais clara pela mediação e pela estrutura do programa. "Já era para ter, né? Até em debate político tem checagem de fatos", disse. "É muito perigoso quando um dado distorcido é colocado dentro de um programa de TV e depois ele é replicado, amplificado pela internet, e ele começa a ganhar uma roupagem de como se ele fosse verdadeiro, e não é".
A legenda do vídeo, Leandra escreveu: “Fake news é fake news. Uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade".
No vídeo, Leandra defendeu que esse tipo de correção não fique apenas por conta dos convidados, mas passe a ser incorporado de forma mais clara pela mediação e pela estrutura do programa. "Já era para ter, né? Até em debate político tem checagem de fatos", disse. "É muito perigoso quando um dado distorcido é colocado dentro de um programa de TV e depois ele é replicado, amplificado pela internet, e ele começa a ganhar uma roupagem de como se ele fosse verdadeiro, e não é".
A legenda do vídeo, Leandra escreveu: “Fake news é fake news. Uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade".
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Fernanda Nobre também se pronunciou
Depois da repercussão de trechos do programa com a participação de Cazarré, Fernanda Nobre também foi ao Instagram para rebater algumas das falas do ator, especialmente quando ele tratou a ideia de cultura do estupro como exagero. Ao comentar o tema, Fernanda tentou explicar porque a expressão não se refere a um caso isolado nem a uma acusação individual.
"Ele falou da cultura do estupro como se fosse um exagero, né? Então deixa eu tentar explicar do jeito mais simples possível. Por que a maioria das mulheres muda de calçada à noite quando vê um homem desconhecido na direção delas? Não é porque esse homem seja perigoso, mas porque ela não tem como saber. E porque a experiência coletiva das mulheres de geração para geração ensinou que o perigo, quando vem, vem de um homem. Isso não é paranoia. É um dado estatístico marcado no corpo das mulheres".
Em seguida, Fernanda tentou deslocar a conversa do indivíduo para a estrutura social que forma comportamentos. "Quando o feminismo diz 'ah, ele é um estuprador em potencial', não está falando do caráter daquele homem específico. Está falando da cultura que formou o homem. Essa é a mesma lógica quando a gente fala sobre o racismo. Toda pessoa criada numa sociedade racista pode reproduzir o racismo, sem que ela seja uma pessoa racista na caricatura, sabe? O problema não é o indivíduo, é o modelo, a cultura que formou aquela pessoa".
A atriz também criticou outro ponto do debate, ligado à ideia de liderança masculina dentro de casa. "Então quando o Cazarré ensina que o homem deve liderar a casa, isso não é sobre organização, isso é sobre poder. E toda relação com desequilíbrio de poder é uma relação onde o limite do outro pode ser desrespeitado. Então homens não nascem violentos, mas muitos são educados dentro de um modelo que banaliza a violência, inclusive a sexual".
Em outro vídeo, Fernanda continuou. "A violência sexual não começa no estupro. Ela começa muito antes, em pequenas autorizações do dia a dia. Quando um homem insiste mesmo a gente dizendo não. Quando entende o silêncio como um consentimento. Quando acha que o desejo dele é mais importante que o limite daquela mulher. Quando o corpo da mulher é tratado como algo disponível, negociável pra ele. Isso que se chama cultura. Não é um ato isolado. É um padrão que se repete e é naturalizado".
A atriz, então, ligou esse raciocínio ao discurso de hierarquia entre homens e mulheres. "Quando você cria um curso para fortalecer esse tipo de hierarquia, você não tá só falando de identidade masculina. Você tá reforçando uma estrutura onde o homem aprende que tem mais autoridade, mais decisão e muitas vezes mais direito sobre o outro. E é exatamente isso que alimenta a cultura do estupro".
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Juliette também entrou no debate em programa do GNT
No "Saia Justa", do GNT, Juliette comentou o tema e criticou a tentativa de transformar o feminismo em causa da chamada "crise do masculino" depois da repercussão das falas de Cazarré no "GloboNews Debate". Para a cantora e advogada, o problema está em outro lugar.
"O feminismo, ele não é uma opressão ao masculino. O feminismo é um aliado. Ele liberta também o masculino, o feminino, sem dúvida, mas também o masculino de amarras, de forjas, de lugares que se mostram falidos, não se sustentam a longo prazo", afirmou.
Juliette analisou a violência contra mulheres à permanência de estruturas machistas, e não ao avanço do feminismo. "O reflexo do índice de feminicídio, da violência, dessa posse sobre a vida das mulheres não é um reflexo do feminismo, é um reflexo do machismo".
Ela também criticou o esforço, segundo suas palavras, de colocar o homem no lugar de vítima central desse debate. "Há um esforço tão grande em vitimizar o masculino... as verdadeiras vítimas são as mulheres" disse. Esta na hora de entender o feminismo como aliado, não como inimigo. Já deu, não cola mais esse papo", completou.
No "Saia Justa", do GNT, Juliette comentou o tema e criticou a tentativa de transformar o feminismo em causa da chamada "crise do masculino" depois da repercussão das falas de Cazarré no "GloboNews Debate". Para a cantora e advogada, o problema está em outro lugar.
"O feminismo, ele não é uma opressão ao masculino. O feminismo é um aliado. Ele liberta também o masculino, o feminino, sem dúvida, mas também o masculino de amarras, de forjas, de lugares que se mostram falidos, não se sustentam a longo prazo", afirmou.
Juliette analisou a violência contra mulheres à permanência de estruturas machistas, e não ao avanço do feminismo. "O reflexo do índice de feminicídio, da violência, dessa posse sobre a vida das mulheres não é um reflexo do feminismo, é um reflexo do machismo".
Ela também criticou o esforço, segundo suas palavras, de colocar o homem no lugar de vítima central desse debate. "Há um esforço tão grande em vitimizar o masculino... as verdadeiras vítimas são as mulheres" disse. Esta na hora de entender o feminismo como aliado, não como inimigo. Já deu, não cola mais esse papo", completou.
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