Publicado 24/05/2026 05:00
Rio - Formado por Anchietx, Cupertino e Leo Guima, o trio Os Garotin explora elementos de funk, samba e soul no novo trabalho, intitulado "Força da Juventude", já disponíveis nas redes sociais, sem deixar de lado o swing e o romantismo deles. Com 13 faixas, o álbum tem participações especiais de Lenine, Marina Sena, Liniker e vários outros artistas. Vencedores do Grammy Latino em 2024 e crias de São Gonçalo, os artistas dão detalhes do projeto, que conecta música, artes visuais e ação coletiva, falam sobre as origens e apontam o lado bom e ruim da fama. Confira a entrevista completa abaixo!
Publicidade- Depois do estouro de 'Os Garotin de São Gonçalo', vocês lançam o segundo álbum, intitulado 'Força da Juventude'. É uma responsabilidade maior entregar esse trabalho, já que o primeiro foi um sucesso? Vocês acabaram se cobrando mais em relação a esse projeto também?
Cupertino: Sim, mas não. Existe uma cobrança por parte do mercado e a gente não nega isso. Nós, além de artistas e pessoas, somos também um produto, e enquanto produto rola sim uma pressão de entrega, números e retorno financeiro. Porém, o lado artístico e pessoal pesa muito mais nessa balança, é assim que a gente escolhe viver a vida. Tem quem pese mais para o outro lado. Como é a música que nos comanda e o amor que temos por ela, tudo fica mais leve.
Acho que isso é uma ótima estratégia, inclusive para ter bons números e retorno financeiro. Nós nos conectamos com o além e confiamos no destino. Entendo que a música nos escolhe, e como esse álbum foi feito sob essa energia, a pressão que poderia estar em nossas costas vira uma confiança nas coisas do além. Aí fica tudo mais leve, profundo e divertido, bem divertido!
- Esse álbum reúne 13 faixas e traz uma mistura de pop, MPB, elementos de funk, samba e soul. Como foi o processo de escolha das músicas e desfrutar dessa mistura de gêneros?
Cupertino: O processo de escolha é bem natural. A gente vai fazendo as músicas e se pega muito nós três a gente coloca. Tiveram músicas que fizemos e que sentimos que não era pra entrar. Se um de nós não pira muito na coisa, a faixa cai do disco. Sobre a mistura de gêneros, essa é a grande coisa dos Garotin, né? É maravilhoso fazer parte de um projeto tão original. Acho que a nossa sintonia na amizade tornou isso possível. Difícil juntar três pessoas que abram mão de se aprofundar mais dentro de suas características em prol do outro. Até se fossemos do mesmo gênero, nós teríamos que ceder por ser um trabalho em grupo. Agora imagina cada um sendo de uma onda completamente diferente, tem que ceder muito mais. O estímulo pra isso é a nossa sintonia em amizade. O alto astral que a gente é capaz de viver juntos é a magia dos Garotin.
- Vocês reuniram grandes artistas neste trabalho. Como chegaram nos nomes de Lenine, Arthur Verocai, Hamilton de Holanda, Liniker, Marina Sena, BK’, 2zDinizz e a cantora americana MALIA. Eram artistas que vocês já se identificavam?
Cupertino: Sim, nos identificamos com todos artistas que participaram do álbum. Cada um ocupa um lugar da nossa admiração. Lenine para nós é um Deus. Foi especial demais também saber que somos queridos por tantos artistas incríveis. Todos toparam de cara. A gente ficava meio na dúvida quando falavam que éramos os queridinhos da música brasileira, agora a gente meio que está acreditando (risos).
- Qual a mensagem que vocês querem deixar com a 'Força da Juventude'?
Leo Guima: Diferente do primeiro álbum que era sobre a gente, São Gonçalo, nesse a gente quer falar sobre geração, Brasil. A gente acredita que juventude é o agora. É você não desistir nunca de amar, independente da idade. É estar disposto a viver as aventuras da vida, do dia a dia. A juventude não pode morrer nunca para todas as idades.
E não somente isso, também trazer o senso de responsabilidade para o jovem, tanto politicamente quanto para a vida dele... Quando fomos à manifestação política no final de 2025, a gente viu lá grandes artistas com mais idade. O Gilberto Gil, o Caetano (Veloso), e a gente ficou se perguntando: 'Esses caras estão aqui até agora. Eles ainda estão com a responsabilidade na mão deles, e cadê os jovens?'; Óbvio que tinha alguns ali, mas precisa de mais gente tomando essa atitude, essa iniciativa. Então, é isso chamar também ojovem para ele assumir a própria responsabilidade do futuro, do mundo que está nas nossas mãos. Esses dois temas meio que se entrelaçam.
- Para este projeto, doze artistas de diferentes regiões do Brasil foram selecionados para criar obras inspiradas nas faixas. De onde surgiu essa ideia? Vocês se surpreenderam com o resultado?
- Para este projeto, doze artistas de diferentes regiões do Brasil foram selecionados para criar obras inspiradas nas faixas. De onde surgiu essa ideia? Vocês se surpreenderam com o resultado?
Cupertino: A ideia das artes surgiu de uma conversa pós-show entre o Anchietx e um dos nossos produtores. A gente já estava com vontade de unir as artes e trazer as artes plásticas mais pra perto. Inicialmente seria uma capa, mas da forma que fizemos, pudemos chamar mais artistas e ficamos muito felizes com o resultado. Ainda temos a expectativa de expor essas obras antes de serem leiloadas.
- Podemos esperar uma turnê de 'Força da Juventude'?
Leo Guima: Com certeza vai rolar uma turnê desse álbum. É um desejo nosso, porque nosso forte é o ao vivo, é fazer show, é chegar lá e ver as pessoas se emocionando na nossa frente, crianças chorando, pessoas falando que aquela música ali mudou a vida dela. A gente gosta desse contato com o público e de fazer com que as pessoas consigam chegar em um pico de emoção ali, que só o show é capaz de fazer. Esseencontro da gente com o público é essencial. Isso nunca pode pode acabar.
- Vocês são crias de São Gonçalo. Seguem morando na região? Senão, ainda frequentam o local para visitar familiares e amigos?
Leo Guima: Sim, somos crias de São Gonçalo. A gente brinca muito que não importa para onde a gente vai, se a gente vai para Roma, Paris, Marte, a gente sempre vai ser os 'garotin de São Gonçalo'.É a nossa essência. A gente aprendeu tudo em São Gonçalo: a cantar, viver, cair, levantar. São Gonçalo está no nosso coração. A questão é que a gente morou muito tempo lá e os trabalhos geralmente aconteciam no Rio de Janeiro. A distância de ter que trabalhar, gravar e os estúdios estão geralmente na Barra ou na Zona Sul. Ou seja, você tem que pegar um ônibus, depois pegar um metrô, depois ir caminhando ainda até o lugar.
A gente passou muito isso e sentiu em um momento que fazia mais sentido cruzar a ponte e ficar mais perto do trabalho. Mas a gente continua indo muito em São Gonçalo. Faço tudo lá, tenho amigos lá. É sempre muito legal, eles torcem muito pela gente, porque se sentem representados. As pessoas recebem a gente com muito calor e falam coisas muito bonitas para a gente.
- Vocês têm um mural em São Gonçalo feito pelo Marcelo ECO, são reconhecidos não só pelos moradores de lá, mas nacionalmente. Que peso isso tem para vocês? Porque vocês se tornam inspiração para muitas pessoas, inclusive, crianças de lá.
A gente tem um mural em São Gonçalo que foi uma grande surpresa... Recebo muitas mensagens de pessoas falando: 'Estou vendo vocês aqui. Muito legal'... Isso é muito bonito, porque ser referência para as pessoas é algo de muito valor e responsabilidade. Quando ganhamos o Grammy lá nos Estados Unidos, estava escrito lá: 'Os Garotinho de São Gonçalo'.Imagina alguém em casa, em São Gonçalo vendo isso.E eu espero realmente que tenha sido positivo. Muitaspessoas mandam mensagens para a gente falando que isso inspirou elas a evoluírem, a estudarem mais, a praticarem música e não desistirem do sonho. Então, esse é o esse é o foco, na verdade. É fazer com que as pessoas possam se inspirar, ter uma esperança e uma razão a mais para conseguir continuar ali lutando.
- Vocês já cantaram com artistas consagrados. Algum, em especial, tocou vocês de uma maneira diferente?
- Vocês já cantaram com artistas consagrados. Algum, em especial, tocou vocês de uma maneira diferente?
Leo Guima: A gente já cantou e já conheceu diversos artistas, nossos ídolos. Foi tudo muito especial. Acho que o que mais impressionou, sem dúvida, foi o Caetano Veloso, por tudo o que ele fez pela música brasileira todos esses anos e continua fazendo... Sinto que ele é como se fosse um mestre, que posso perguntar tudo para ele e vou sair com todas as respostas que preciso na minha vida. Quero ser igual a ele, quero crescer igual a ele, quero ter essa humildade, quero poder evoluir e estudar. Óbvio que eu não vou chegar nunca no nível do Caetano, mas quero poder fazer o máximo para conseguir ter essa essa sabedoria que ele tem, essa humildade. Outro artista também que me encantou é o Lenine. Um cara muito vivo, com muita força da juventude e ensina muita coisa pra gente. O cara é muito incrível, inteligente.
- Tem uma parte boa e ruim da fama?
Leo Guima: Acho que a parte boa é você ser reconhecido em diferentes lugares do mundo, do país e você sentir o impacto que você está fazendo na vida da pessoa que às vezes você nem percebe. Quando a gente escreve a música, a gente não imagina o que aquela pessoa vai sentir.Quando recebemos um relato de alguém falando que a música mudou a vida dela, que quer tirar foto, que diz ama você, dá uma sensação de alegria muito grande. Óbvio que você se sente um pouco mais especial aí. Mas a gente nem acha que a gente é famoso, aí que está. A gente tá crescendo, está conseguindo fazer o nosso trabalho, está bonito. Mas eu não sei se a gente é famoso. E para mim está tudo bem.
E não acho que tem parte ruim, porque a gente tem que saber lidar, faz parte da nossa profissão. As coisas que acontecem sãoas pessoas parando muito a gente na rua, às vezes a gente não está em um dia bom. Talvez isso que em algum momento possa até causar um estresse. Mas é uma coisa maravilhosa, a pessoa está ali, só ela só tem uma chance de te encontrar. Ela às vezes nunca mais vai te ver. Então, é para ela é um momento muito especial e a gente tem que saber lidar com isso.O artista precisa saber diferenciar. Isso é ser profissional.
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