Tati Quebra Barraco e HitmakerDivulgação
Publicado 31/05/2026 05:00
Rio - Representantes de diferentes gerações do funk, Tati Quebra Barraco e Hitmaker se uniram no lançamento de "Tá Pegando Fogo". Com mais de 25 anos de carreira, a cantora volta a apostar em uma parceria com nomes da nova geração do gênero, enquanto o produtor, responsável por trabalhos com artistas como Anitta, Ludmilla e Valesca Popozuda, segue ampliando seu catálogo de hits. Em entrevista ao MEIA HORA, a dupla falou sobre trajetória profissional, reconhecimento internacional do funk e os desafios envolvendo a valorização do ritmo. 
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- Hitmaker, você já declarou sua admiração pela Tati há muitos anos. O que ela representa para a história do funk brasileiro na sua visão?
A Tati representa coragem e identidade. Ela surgiu em um momento em que o funk ainda era muito atacado e, mesmo assim, nunca deixou de ser quem ela era. Isso abriu caminho para muita gente. Quando você olha pra história do gênero, percebe que existem artistas que ajudaram o funk a chegar onde chegou hoje, e a Tati certamente é uma dessas pessoas. Ela levou personalidade, humor, atitude e verdade pra música de um jeito muito próprio. Então trabalhar com ela hoje também é uma forma de reconhecer essa importância cultural que ela tem.

- Tati, você abriu caminhos para muitas mulheres dentro do funk. Ao olhar para a cena atual, o que mais te orgulha nessa nova geração feminina?
Me orgulho de ver que hoje somos respeitadas e estamos ocupando cada vez mais espaço. O funk brasileiro virou uma sensação no mundo todo, e saber que fiz parte dessa construção desde o começo é muito gratificante.
- O funk vive hoje um momento de forte reconhecimento internacional. Vocês acreditam que o gênero finalmente conquistou o espaço que merece?
Tati: É maravilhoso ver o funk ganhando o mundo. Já tocaram música minha no Coachella, sabe? Isso é muito simbólico. Mas ainda temos um longo caminho pela frente, nossa voz estar chegando nesses espaços já é um grande começo.

Hitmaker: Acho que o funk avançou muito, principalmente em alcance e reconhecimento, mas ainda existe caminho pela frente. Hoje o gênero está em festivais, campanhas, plataformas internacionais… isso mostra uma mudança muito grande. Mas ao mesmo tempo, ainda existe preconceito com a origem do funk e com tudo que ele representa culturalmente. Então, vejo esse momento como uma conquista importante, mas também como parte de um processo maior. O funk deixou de pedir espaço faz tempo, agora ele ocupa.
- Hitmaker, você já trabalhou com nomes como Anitta, Ludmilla e Valesca Popozuda. O que essa parceria com Tati acrescenta à sua trajetória como produtor?
Cada artista deixa uma marca diferente na caminhada, e a Tati acrescenta história. Ela faz parte de uma geração que ajudou a construir a identidade do funk feminino no Brasil. Fazer um som com ela tem um peso cultural muito forte para mim. Não é só uma parceria musical, é um encontro com referências que eu acompanhei durante muito tempo. E isso acaba trazendo outra profundidade para o trabalho também, porque existe respeito, memória e troca envolvida no processo.

- Tati, sua trajetória sempre foi marcada por letras fortes, diretas e provocativas. Você sente que hoje existe mais liberdade para mulheres falarem sobre desejo e empoderamento?
Acho que é um trabalho contínuo, onde uma fortalece o espaço da outra. O movimento ainda é muito dominado por homens, então mesmo com mais liberdade hoje, é essencial que as mulheres se apoiem e caminhem juntas.

- Mesmo atravessando diferentes fases da música e das redes sociais, como você faz para manter sua essência, Tati?
Não me vendo por charts (parada de sucessos), sigo fiel à minha essência. Enquanto muitos se preocupam com números, eu me preocupo se a minha arte está levando alegria, identificação e verdade para as pessoas.
- Hitmaker, você soma bilhões de streams e domina as plataformas digitais. Como enxerga o impacto das redes sociais e do TikTok na criação de hits atualmente?
Hoje as redes aceleram muito o alcance das músicas. Uma faixa consegue atravessar o país em poucos dias porque as pessoas transformam aquilo em dança, meme, trend, vídeo. Mas ao mesmo tempo, acho importante entender que o TikTok não cria conexão sozinho. A plataforma potencializa o que já desperta alguma identificação real. Quando a música encontra o público de verdade, aí sim ela ganha força nas redes. Então, vejo o digital como ferramenta, não como fórmula.

- Tati, recentemente você esteve envolvida em uma polêmica com o DJ Marlboro sobre direitos autorais e valorização do seu repertório. Como ficou o andamento disso? Essa discussão também revela a importância de preservar a história do funk? 
Hoje sigo tudo judicialmente. Soltei um grito que estava entalado há muito tempo e percebi que muita gente também precisava desse apoio e dessa coragem. Isso vai além da Tati Quebra Barraco, fala sobre um movimento inteiro que, por muitos anos, foi explorado e desrespeitado.
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