Publicado 27/06/2026 05:00
Rio - Com 45 anos de trajetória e 21 álbuns lançados, Zélia Duncan chega a um novo capítulo da carreira com "Agudo Grave", trabalho que sintetiza sua maturidade artística sem abrir mão da inquietação que sempre marcou seu percurso na música. Ao longo de 11 faixas, o projeto aborda temas como amor, identidade e reflexões acumuladas ao longo de décadas de carreira.
Publicidade"À medida que fui escolhendo o repertório, produção... ia ficando cada vez mais evidente que é um álbum que fala de mim e do que vejo, como consigo ver. Como tento lidar com o mundo, a profissão, o amor. Tem um tanto de cada sentimento e principalmente a maturidade", relata.
A cantora ressalta que a busca por descobertas continua sendo um dos motores no processo de composição. "Espero nunca ter a sensação de que cheguei, sabe? O caminho, a procura, a curiosidade e o risco são as coisas que nos levam adiante".
Entre as canções que ajudaram a moldar o projeto estão as parcerias com Alberto Continentino, como "Pontes No Ar" e "Importante", e a faixa-título, composta com Lucina. "As parcerias com Alberto foram muito decisivas. E claro, 'Agudo Grave', com Lucina, uma artista e amiga muito presente na minha carreira. Ou seja, a mais antiga e a mais recente!."
A presença de Maria Beraldo na produção é apontada pela artista como uma das escolhas mais ousadas do álbum. "É uma artista duas gerações mais jovem, que chega com uma cabeça musical muito rica e diversa. Uma artista muito imprevisível e respeitada", elogia.
Depois de participações em shows e discos, a colaboração entre Zélia e Maria evoluiu naturalmente até a produção de "Agudo Grave". "Estava comprovado que nos dávamos muito bem. Então ela vem fazer o álbum, eu lhe dou uma letra, viramos parceiras e só faltava ela cantar no meu álbum, e assim se fez".
A artista comenta os outros nomes escolhidos para dividir os vocais no disco. "Alberto eu procurei há uns poucos anos, para começar a compor com ele deu muito certo. Fora isso, ele canta lindo e eu amo nossa faixa. Lenine, um representante incrível da minha geração, amigo muito grande também, nossa faixa me orgulha demais", afirma.
O disco também reserva espaço para a celebração do amor. A faixa "Importante", dedicada à companheira Flávia Pedras e diretora de arte do álbum, surge como um dos momentos mais íntimos do trabalho. Para Zélia Duncan, transformar a relação em música aconteceu de maneira espontânea.
"Muito tranquilo e natural. No álbum anterior eu fiz com Juliano Holanda 'Nossas Coisinhas'. Ela é a pessoa que mais ganhou e ainda vai ganhar, músicas minhas", entrega.
A cantora reforça a importância da representatividade ao abordar o amor entre mulheres nas composições. "Faz tempo que desfruto do meu orgulho de ser quem sou. Demorei, sofri muita repressão interna e externa. Agora, vivo o tempo da visibilidade, da luta explícita. Poucas coisas me orgulham mais do que ser da comunidade LGBTQIAPN+. Esse álbum me orgulha tanto quanto!"
Depois de ouvir o trabalho concluído, Zélia revela que algumas faixas ainda conseguem surpreendê-la. "Olha, esse álbum me faz sentir voando, sinto vento no meu rosto, é muito visual. Mas vou citar 'E aí, IA?' e 'Que tal o impossível?', de Itamar Assumpção. Ambos arranjos de Maria Beraldo", diz.
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