Zé Katimba revela mágoa de Martinho da Vila por direitos autoraisReprodução / Instagram
Publicado 03/07/2026 12:18 | Atualizado 03/07/2026 12:53
Rio - Um dos grandes nomes da Velha Guarda do Samba, Zé Katimba, de 93 anos, abriu o coração ao falar sobre uma antiga mágoa envolvendo Martinho da Vila. Em entrevista ao podcast "SobreTudo", o compositor afirmou que ainda cobra direitos autorais referentes ao disco "Tá Delícia, Tá Gostoso", lançado por Martinho em 1995. O álbum, que trouxe o sucesso "Mulheres" e ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias vendidas, também leva o nome de uma música composta por Zé em parceria com o sambista.

Segundo Katimba, ele chegou a recorrer à Justiça para tentar receber os valores que afirma não ter recebido. Para isso, no entanto, precisava de um documento que comprovasse a quantidade de discos vendidos. O compositor contou que procurou Martinho da Vila em busca dessa declaração, mas não conseguiu o papel.

"Já quase com 94 anos, fui pedir a Martinho uma carta dizendo quantos CDs ele vendeu do Tá Delícia, Tá Gostoso. Eu não recebi nada até agora. Já botei na Justiça, mas disseram: ‘Fala com Martinho para mandar um documento escrito à mão, dizendo que vendeu tantos mil discos’. Aí fui lá na casa dele", relatou.

Zé contou que, ao chegar ao local indicado, soube que Martinho já teria pedido para que o documento não fosse entregue. “Fui com um amigo. Quando cheguei lá, o Zé estava na porta e disse: ‘Antes de você chegar aqui, ele já me ligou para não te dar o documento’. Aí eu falei: ‘Tá certo’”, recordou.

Apesar da parceria musical de longa data entre os dois, que assinam dezenas de composições juntos, Zé Katimba deu a entender que a relação já não é mais a mesma. O sambista citou ainda um episódio recente envolvendo Teresa Cristina, que gravou uma música da dupla.

“Há pouco tempo, Teresa Cristina gravou uma música nossa e foi toda alegre falar com ele: ‘E o Zé Katimba?’. Ele respondeu: ‘É um cara legal’. Eu sou um cara legal? Eu sou um cara legal? Com tudo que eu tenho na minha vida com ele, e ele comigo, eu não posso ser só um cara legal”, desabafou.

Na sequência, o compositor afirmou que ajudou Martinho em momentos difíceis e chegou a dizer que livrou o artista da morte em duas ocasiões. “Eu tirei ele da morte duas vezes. Levaram ele para o morro, bateram nele, arrebentaram ele, e eu tive que ir lá buscar. A mulher ligou: ‘Martinho, vai não’. Eu liguei para o Beto Sem Braço e falei: ‘Vamos lá aliviar a parada dele’. Quando ele estava mal, eu estava do lado. Como é que eu sou só um cara legal?”, questionou.

Mesmo com o desabafo, Zé Katimba afirmou que não pretende mais levar a questão adiante no campo pessoal. Ao ser perguntado se ainda deseja resolver a situação, o compositor disse que prefere deixar a mágoa para trás.

“Não quero mais, não. Está perdoado. Eu só estou falando, desabafando, porque mágoa não traz nada para ninguém”, concluiu.

Zé Katimba é considerado um dos nomes mais importantes do samba e tem uma trajetória marcada por sambas-enredo, parcerias históricas e forte ligação com a cultura popular. Martinho da Vila, por sua vez, é um dos artistas mais consagrados da música brasileira e construiu parte de sua obra em colaboração com grandes compositores do gênero.
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