Publicado 07/07/2026 09:36 | Atualizado 07/07/2026 12:13
Rio - Tony Bellotto, de 66 anos, participou do "Roda Viva", da TV Cultura, nesta segunda-feira (6), e relembrou sua prisão em 1985. Na ocasião, ele delatou Arnaldo Antunes, companheiro da banda Titãs, e o músico também foi levado à delegacia. Em entrevista, o artista afirmou que o caso continua sendo uma "ferida aberta" e revelou que ainda trata do assunto na terapia.
Ao recordar o episódio, Bellotto reconheceu que agiu de forma impulsiva ao revelar a polícia quem havia lhe fornecido a droga, acreditando que a fama da banda amenizaria a situação. "Eu fui ingênuo, fui um pouco prepotente. Achei que aquilo pudesse aliviar as coisas, mas só piorou. Delatei um colega. Essa é a pior coisa que pode acontecer para alguém", desabafou.
O guitarrista contou que a reação de Arnaldo Antunes foi o que lhe permitiu conseguir seguir em frente. Segundo ele, o cantor compreendeu o contexto vivido pelos dois, ainda muito jovens, e a ingenuidade com que encararam a situação. "Eu tive muita sorte porque o delatado foi essa figura humana incrível do Arnaldo, que compreendeu tudo na hora. Mesmo assim, é uma cicatriz que não fecha totalmente", afirmou.
Bellotto também explicou que encontrou na literatura uma forma de lidar com a culpa. O músico disse que a leitura de "Lord Jim", de Joseph Conrad, o ajudou a entender sentimentos como vergonha, arrependimento e superação. "Pensando hoje, eu não teria feito o que fiz, mas eu tinha 24 anos. Aprendi que precisava conviver com isso, assim como agora precisei conviver com o câncer e com outras coisas que acontecem na vida", refletiu.
Segundo Tony, toda a revolta provocada pela prisão acabou influenciando diretamente a criação de "Cabeça Dinossauro", lançado em 1986 e considerado um dos discos mais importantes do rock brasileiro. Ele afirmou que a banda perdeu contratos e chegou a duvidar da continuidade da carreira após o episódio. "A gente transformou aquilo em arte. "Cabeça Dinossauro" foi a nossa forma de reagir. 'Polícia' é um grito de revolta e um atestado da minha inconformidade com tudo o que aconteceu", declarou.
O músico ainda aproveitou para criticar a política de combate às drogas. Para ele, a criminalização não resolveu o problema ao longo das décadas e questões relacionadas ao consumo deveriam ser tratadas como saúde pública, e não apenas como caso de polícia.
Fundador dos Titãs, Tony Bellotto é um dos principais nomes do rock brasileiro. Além da carreira na música, consolidou-se como escritor de romances policiais e venceu o Prêmio Jabuti de 2025 com o livro "Vento em Setembro". No ano passado, o artista enfrentou um câncer no pâncreas, passou por cirurgia e retornou aos palcos na turnê que celebra os 40 anos do álbum "Cabeça Dinossauro".
PublicidadeAo recordar o episódio, Bellotto reconheceu que agiu de forma impulsiva ao revelar a polícia quem havia lhe fornecido a droga, acreditando que a fama da banda amenizaria a situação. "Eu fui ingênuo, fui um pouco prepotente. Achei que aquilo pudesse aliviar as coisas, mas só piorou. Delatei um colega. Essa é a pior coisa que pode acontecer para alguém", desabafou.
O guitarrista contou que a reação de Arnaldo Antunes foi o que lhe permitiu conseguir seguir em frente. Segundo ele, o cantor compreendeu o contexto vivido pelos dois, ainda muito jovens, e a ingenuidade com que encararam a situação. "Eu tive muita sorte porque o delatado foi essa figura humana incrível do Arnaldo, que compreendeu tudo na hora. Mesmo assim, é uma cicatriz que não fecha totalmente", afirmou.
Bellotto também explicou que encontrou na literatura uma forma de lidar com a culpa. O músico disse que a leitura de "Lord Jim", de Joseph Conrad, o ajudou a entender sentimentos como vergonha, arrependimento e superação. "Pensando hoje, eu não teria feito o que fiz, mas eu tinha 24 anos. Aprendi que precisava conviver com isso, assim como agora precisei conviver com o câncer e com outras coisas que acontecem na vida", refletiu.
Segundo Tony, toda a revolta provocada pela prisão acabou influenciando diretamente a criação de "Cabeça Dinossauro", lançado em 1986 e considerado um dos discos mais importantes do rock brasileiro. Ele afirmou que a banda perdeu contratos e chegou a duvidar da continuidade da carreira após o episódio. "A gente transformou aquilo em arte. "Cabeça Dinossauro" foi a nossa forma de reagir. 'Polícia' é um grito de revolta e um atestado da minha inconformidade com tudo o que aconteceu", declarou.
O músico ainda aproveitou para criticar a política de combate às drogas. Para ele, a criminalização não resolveu o problema ao longo das décadas e questões relacionadas ao consumo deveriam ser tratadas como saúde pública, e não apenas como caso de polícia.
Fundador dos Titãs, Tony Bellotto é um dos principais nomes do rock brasileiro. Além da carreira na música, consolidou-se como escritor de romances policiais e venceu o Prêmio Jabuti de 2025 com o livro "Vento em Setembro". No ano passado, o artista enfrentou um câncer no pâncreas, passou por cirurgia e retornou aos palcos na turnê que celebra os 40 anos do álbum "Cabeça Dinossauro".
*Reportagem da estagiária Carolina Irigoyen, sob supervisão de Isabelle Rosa
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