Marcos Caruso critica ostentação de Neymar em país desigualLetícia Montrezor / Agência O Dia / Reprodução / Instagram
Publicado 08/07/2026 11:37 | Atualizado 08/07/2026 12:13
Rio - Marcos Caruso, de 74 anos, usou a trajetória de Alaor, seu personagem em "Coração Acelerado", trama das 19h da TV Globo, para fazer uma reflexão sobre dinheiro, poder e responsabilidade social. Durante um encontro com a imprensa acompanhado pelo DIA, nesta terça-feira (7), o ator citou Neymar ao criticar gastos milionários em um país marcado pela desigualdade. A declaração veio dois dias depois da derrota do Brasil na Copa do Mundo, no último domingo (5).

"Eu sou um pouco Alaor. Eu sou da família, sou da proteção, sou de ajudar o próximo. Eu sou assim. Só não tenho o dinheiro que o Alaor tem, não tenho o poder que o Alaor tem. Fama eu acho que até tenho, mas eu não sou rei do agro, entendeu? Então, se eu tivesse essa fortuna toda, será que eu seria o Marcos Caruso? É o Alaor que me ajuda a entender que é possível você ter tanto e dividir", declarou o ator.

Na sequência, Caruso usou Neymar como exemplo ao falar sobre ostentação e desigualdade. "O Alaor sai de casa e não vai para Dallas, para o Texas. Ele iria alugar a suíte presidencial do melhor hotel de Goiânia, que é a cidade mais próxima, a capital mais próxima. Mas gastar e comprar um negócio de 1 milhão de dólares, como Neymar fez, vivendo num país miserável? Não pode fazer isso. Não pode. Então, você tem todo o seu dinheiro, mas tem que ter um pouco de responsabilidade", afirmou.

O ator também refletiu sobre como a riqueza pode mudar a postura de uma pessoa. "Eu tenho responsabilidade, mas será que, se eu tivesse esse dinheiro todo, eu teria essa responsabilidade? A gente não sabe se vai mudar. Então, o Alaor me ensinou isso. Eu tenho um pouco de saudade desse momento generoso", completou.
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Em "Coração Acelerado", Alaor Amaral é o patriarca da família Amaral e fundador do Grupo Alaor Amaral. De origem humilde, ele construiu um império, mas decidiu passar o comando dos negócios para o filho, Alaorzinho, vivido por Daniel de Oliveira, depois da morte da mulher. Na nova fase da vida, o personagem tenta aproveitar o tempo que perdeu por causa do trabalho.

Apesar de ser conservador e teimoso, Alaor aparece na trama como um homem justo, afetuoso e de bom coração. Ele se envolve em conflitos familiares e relações amorosas.

Para Caruso, esse é justamente o ponto mais interessante do papel. "Eu acho que ele vai um pouco na contramão", disse o ator, ao concordar que Alaor foge da figura clássica do homem poderoso do agronegócio, ligado apenas ao capital e ao status. "Ele não é isso. Ele é muito humano", resumiu.
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