Publicado 20/07/2026 05:00
Rio - Lesliana Pereira vive um novo momento na televisão brasileira. A atriz angolana entra para o elenco de "A Nobreza do Amor", novela das 18h da TV Globo, em que interpreta Binta Faye, uma das candidatas à coroa do reino fictício de Batanga. Representante da nobreza senegalesa, a personagem chega ao palácio para participar da cerimônia promovida pelo rei Jendal (Lázaro Ramos).
PublicidadeO convite para integrar a trama veio quando a artista tinha acabado de participar de um festival de cinema na Nigéria. "Estava a arrumar a mala para sair da Nigéria para Luanda quando recebi a mensagem e fiquei superentusiasmada. Comecei logo a falar com a produtora de elenco. A gente foi falando até o aeroporto e foi tudo muito rápido, um processo muito tranquilo desde o primeiro contato até desembarcar no Rio de Janeiro", conta.
Segundo Lesliana, a personagem chega para movimentar a história em um momento em que a produção já conquistou o público dentro e fora do Brasil. "Países como Moçambique e Angola se veem muito na história, principalmente do reino de Batanga. Já era uma novela que tinha o meu coração e perceber que, mesmo já tendo um caminho grande, ainda houve esse espaço para que uma atriz vinda de um país africano tivesse essa oportunidade de integrar o elenco. Eu fiquei muito feliz".
Natural de Soyo, na Angola, a artista precisou conhecer melhor a cultura de Senegal e encontrar o tom para construir a identidade da personagem. "Alguns pratos típicos e questões da cultura, ela faz referência em algumas cenas, então me obrigou a estudar um pouco mais sobre o Senegal. Uma coisa muito interessante: a África tem muitos países e culturas diferentes entre si, por isso foi um trabalho de muita pesquisa", diz.
As primeiras gravações também foram marcadas pela expectativa de dividir cenas com Lázaro Ramos. A atriz não esconde que chegou nervosa ao estúdio, mas afirma que foi acolhida pelo intérprete do rei Jendal desde o início.
"Foi muito bom, melhor do que eu imaginava. O Lázaro é generoso em cena, de um cuidado e carinho muito grandes. Então foi tranquilo. É sempre aquele sentimento: 'eu estou do lado do Lázaro Ramos, que é um ícone para uma geração imensa de atores, um grande nome da teledramaturgia e do audiovisual'. Então foi um sentimento de muita responsabilidade, ter que ir com tudo muito bem estudado para não fazer feio", relata.
Outro aspecto marcante da experiência tem sido participar de uma novela que incorpora referências de diferentes culturas do continente africano. "Eu aprendo muito conversando com toda a equipe, tentando entender o que eles pesquisaram. São outras culturas, penteados... e eu, como angolana e vendo muitas referências angolanas na novela, sinto que é um trabalho que tem um respeito muito grande pelas culturas que se propôs a conversar dentro da narrativa da novela".
Lesliana revela que a chegada de Binta vai provocar mudanças importantes no núcleo do palácio de Batanga. "O que o público pode esperar uma reviravolta e momentos icônicos que vão gerar muitos sentimentos. Estou muito ansiosa. [...] Vai ser divertido acompanhar com vocês qual será a reação do público com a Binta", adianta.
Trajetória
Lesliana Pereira ganhou projeção internacional ao conquistar o título de Miss Angola em 2008 e representar o país no Miss Universo. "A minha trajetória internacional contribuiu para o meu trabalho como atriz porque me dá repertório. Tenho a oportunidade de saber um pouco sobre a cultura portuguesa, a do Brasil, referências à minha própria cultura. Então, quanto mais abertos ao mundo nós estamos, mais nós conseguimos trazer para os personagens que vamos fazendo", destaca.
A angolana reconhece a importância do posto de Miss e o impacto que isso pode ter para outras jovens. "Só o fato de olhar no espelho e me reconhecer uma mulher bonita, que gosta de si, gosta do seu tom de pele, do seu lábio grosso, dos seus traços... Isso é muito importante para que as jovens se reconheçam assim e sinto que esse é também um papel importante da minha exposição como pessoa pública", declara.
Já a vivência entre Angola, Portugal e Brasil ampliou o olhar artístico de Lesliana e trouxe novas referências para o trabalho. "Sinto o privilégio de ter esse horizonte alargado em relação a esses três países com quem eu tenho relação muito próxima. Vivi em Portugal e estudei lá, tenho uma relação profissional grande com o Brasil, trabalhei muitos anos como apresentadora de um programa da TV Globo Internacional, o 'Revista África'. Isso só me fortalece como pessoa e como profissional".
Entre os momentos especiais da carreira está a interpretação de Njinga, Rainha de Angola, personagem que rendeu o troféu de Melhor Atriz Africana no Africa Movie Academy Awards em 2015. "Esse prêmio, de uma academia que é tão reconhecida e importante para o cinema africano, foi um meio de reconhecer que estás no caminho certo. Então esse prêmio é muito especial para mim. Eu acho que um profissional que gosta do que faz não trabalha pelos prêmios, mas eles fazem parte e são importantes", explica.
Leia mais
