Publicado 24/05/2026 05:00
Rio - Aos 40 anos e celebrando 25 de carreira, a atriz Aisha Jambo vive uma nova fase nos palcos com o monólogo musicado "Quando Dança um Baobá", em cartaz até domingo (30), no Teatro Correios Léa Garcia, no Centro Cultural Correios, no Rio. O espetáculo homenageia Mercedes Baptista (1921-2014), pioneira da dança afro-brasileira e primeira bailarina negra do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Publicidade"O espetáculo representa o nascimento da Aisha produtora e realizadora. É uma virada de chave. Sempre prezei por um caminho artístico bastante autoral construído com autonomia a partir de um processo colaborativo com grandes parceiros", afirma a atriz.
Conhecida do grande público desde os anos 2000, quando interpretou Naomi em "Malhação", Aisha construiu uma trajetória entre televisão, teatro e cinema. A atriz também esteve em novelas como "Cabocla" (2004), "Alma Gêmea" (2005), da TV Globo, e "Os Dez Mandamentos" (2015), da Record, além da série "A Divisão" (2023–2025), do Globoplay.
Agora, ela une a experiência como atriz à formação em dança pela UFRJ para revisitar a trajetória de Mercedes. A artista criou a chamada Técnica Mercedes Baptista, primeira codificação da dança afro-brasileira no país, ao unir elementos da dança clássica às tradições dos terreiros de candomblé.
"No decorrer das pesquisas para conclusão da faculdade de dança, me veio a pergunta: o que quero falar? Nesse mesmo momento me senti impelida a montar algo no teatro. Comecei a buscar uma história", conta Aisha. "Ao participar de uma roda de conversa com jovens estudantes de teatro do projeto 'No Palco da Vida’, fui provocada a viver Mercedes Baptista. Fiquei impactada, me encantei com sua história".
Inspirado na biografia da dançarina, "A Identidade Negra na Dança", de Paulo Melgaço, o espetáculo se passa no Brasil do início dos anos 1960, período marcado por grandes transformações culturais e políticas antes da ditadura militar. Em cena, Aisha divide o palco com outros artistas em uma apresentação que mistura teatro, dança e música ao vivo.
Filha da harpista Vanja Ferreira e do músico Jolt Telek, Aisha cresceu cercada pela arte e afirma que o contato com diferentes linguagens atravessa sua formação desde a infância. Antes da televisão, estudou circo e desenvolveu interesse por múltiplas expressões criativas. "Esse projeto também realiza um desejo especial, que era trabalhar com meu irmão, Damu Telek, um dos músicos e compositor da trilha original";
A supervisão artística de Zezé Motta no espetáculo ganhou peso simbólico durante o processo de criação. As duas se conheceram ainda no filme "Orfeu", dirigido por Cacá Diegues. "Zezé é uma grande mestra. Seu sorriso e generosidade são traços marcantes. Zezé é completa, performa entre teatro e música, uma cantriz! Uma musa inspiradora", elogia a atriz.
Ao revisitar a trajetória de Mercedes Baptista, Aisha também reflete sobre a evolução da representatividade negra no audiovisual brasileiro e o impacto de personagens como Naomi para uma geração de jovens espectadoras. "Sinto uma grande alegria em acompanhar essas transformações do audiovisual e perceber que o meu trabalho vem contribuindo para esse processo de revolução da representatividade nas telas".
"Cheguei com meu cabelo afro naturalmente volumoso e crespo em um momento em que a tendência ainda era o alisamento. Foi uma revolução na estética e autoestima de muitas jovens pretas que se viram representadas", relembra.
Sobre o legado da bailarina, a artista acredita que a dimensão de sua contribuição ainda precisa ganhar mais reconhecimento. "Sua presença negra inaugural em um corpo de baile no Teatro Municipal; suas contribuições ao Carnaval carioca introduzindo alas coreografadas na década de 1960; suas pesquisas da movimentação de dança e gestualidade de matriz africana; a criação de um estilo e técnica a partir dessa confabulação entre ancestralidade, dança moderna e dança clássica. Seu legado é imenso".
Serviço
'Quando Dança um Baobá'
Quinta a sábado até 30 de maio, às 19h
Local: Teatro Correios Léa Garcia – Centro Cultural Correios
Endereço: R. Visc. de Itaboraí, 20 - Centro
Ingressos: a partir de R$ 15
'Quando Dança um Baobá'
Quinta a sábado até 30 de maio, às 19h
Local: Teatro Correios Léa Garcia – Centro Cultural Correios
Endereço: R. Visc. de Itaboraí, 20 - Centro
Ingressos: a partir de R$ 15
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