Publicado 07/06/2026 05:00
Rio - Inspirado nos mistérios do universo, o espetáculo "No Entanto Ela se Move" está em cartaz no Mezanino do Sesc Copacabana, na Zona Sul, até dia 28, e marca o retorno da bailarina, coreógrafa e diretora de movimento Marcia Rubin aos palcos. Afastada do tablado como intérprete há 15 anos, ela diz que, apesar do tempo e das mudanças ao longo deste período, continua sendo "a mesma".
PublicidadeCom quatro décadas de carreira, a artista revisitou o próprio repertório nesta produção. "Trabalhei com a memória de movimentos e gestos de outros espetáculos, como essa memória ecoa nos nossos corpos hoje. Alguns trechos atravessaram o processo e se fizeram presentes. Em cena eu e Juracy (de Oliveira, idealizador do espetáculo) atualizamos esses movimentos a partir de novos pressupostos", diz Marcia.
Com dança e teatro, a peça aproxima o corpo humano dos corpos celestes. "Órbita, gravidade, tempo e infinito são imagens que se materializam em movimento. A dança opera nesse lugar, ela dá corpo e concretude a essa matéria, de forma sensível e intensa", explica a bailarina.
"No Entanto Ela se Move" também fala sobre desacelerar e voltar a olhar para o céu. Marcia acredita que a dança é uma das ferramentas possíveis para se criar espaços de contemplação em um mundo tão acelerado. "A dança, o teatro, a música, as artes visuais. Essa é a essência da arte. Os teatros estão cheios, há um real interesse pela presença, pelo estar junto, por partilhar a experiência artística. Sempre houve e vai continuar existindo, com certeza. A arte ativa a paixão pela vida".
E é a paixão pelo que faz que move a coreógrafa. "E o prazer dos belos encontros, de trabalhar com amigos talentosos. O teatro, para mim, é um lugar de partilha e encontros. E eu adoro estar em boa companhia".
Formação de artistas
Ao longo da trajetória na arte, Marcia transitou entre dança contemporânea, teatro e preparação corporal, formando gerações de artistas. "Tive a sorte de trabalhar com diretores e atores maravilhosos. Muitos espetáculos com Aderbal Freire Filho, Marieta Severo e Andrea Beltrão, e com Renata Sorrah e Marcio Abreu. E tantos outros, a lista é extensa", fala a artista.
"Na televisão fiz várias parcerias com Zé Luis Villamarim e Luisa Lima e, na dança, sou discípula de Angel Vianna, minha grande mestra. Sou formada por todos esses encontros e já formei vários profissionais que hoje dividem a cena comigo", complementa ela, que reflete sobre seu legado: "continuar criando e inventando os bons encontros".
A diretora de movimento, por fim, conta o que busca revelar em um intérprete. "A ideia do trabalho é ativar a musculatura sensível e fazer com que o ator lance mão do potencial expressivo de seu corpo. Busco explorar as possibilidades de movimento sempre a partir do entendimento do texto e da circunstância da cena. Para mim a palavra, o que é dito, é soberano".
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