"A Dagmar é uma pastora evangélica que fala muito sobre o respeito à fé das pessoas independente da religião delas. Eu acredito que a Dagmar toca em assuntos ásperos e controversos como política e religião com uma delicadeza e sensibilidade que faz com que as pessoas queiram ouvir e discutir sobre o que ela está falando", opina Heloisa. "A minha personagem é a favor do diálogo e não da segregação como acontece aqui no Brasil, quando falamos em religião", destaca a artista angolana.
Feliz com a resposta que teve do público através das redes sociais, a global relembra a emoção que sentiu ao ser convidada para se juntar ao elenco da novela das seis. "A personagem me encantou logo nas primeiras cenas que li. Vi na Dagmar a possibilidade de me experimentar como atriz em um registro diferente do que eu já tinha feito na televisão, e além disso o fato na nossa novela ser uma fábula, com um tom mais teatral e poético me fizeram querer fazer parte dessa trupe maravilhosa que é 'Mar do Sertão'. Estou sendo muito feliz com a escolha que fiz", comemora.
Além dos conflitos recentes com Lorena (Mariana Sena) e o envolvimento com o coronel Tertúlio (José de Abreu), outra característica de Dagmar que chamou a atenção dos fãs foi a construção da amizade com o padre Zezo, vivido por Nanego Lira. Para Heloisa, existia uma incerteza em como o público de casa reagiria aos embates bem-humorados entre os religiosos, mas os artistas estavam dispostos a mostrar que é possível haver um diálogo saudável entre pessoas de crenças diferentes.
"'Por que não respeitar a fé do outro independentemente da religião à que se pertence? Por que as igrejas não se engajam mais nos problemas sociais, se essa é uma instituição tão importante para a nossa sociedade?' Pensei muito sobre essas questões quando li as cenas da Dagmar. Eu e o Nanego acordamos que não levaríamos a sério os embates (mesmo os teológicos) entre os dois, porque não era interessante para a discussão que os personagens se propusessem a forçar o público a escolher um lado. O nosso interesse era o de construir uma amizade sincera e profunda entre um padre e uma pastora", explica.
Diversidade na telinha
Heloisa também enfatiza que um dos pontos-chave de "Mar do Sertão" está na representatividade que a novela carrega, com um elenco formado em sua maioria por artistas nordestinos e com forte presença de pessoas pretas. "Acho que é um exemplo a ser seguido por outras produções e torço, de verdade, para que seja cada vez mais comum ligar a televisão e se deparar com um elenco diverso como o nosso. É muito especial fazer parte de uma novela tão brasileira e plural como esta. Ver o público se identificando, se sentindo contemplado com cada personagem e histórias que a gente está contando me faz acreditar que esse é um caminho sem volta", declara.
Nascida em Lunda Norte, na Angola, a atriz conta que enfrentou certo preconceito em sua chegada ao Brasil, quando tinha 12 anos de idade. No entanto, ela buscou inspiração em nomes como Zezé Motta, Taís Araújo e Ruth de Souza para construir sua trajetória na arte, somando diversos projetos na Globo, além de uma carreira consolidada no teatro. "Muitas atrizes que vieram antes de mim me foram e ainda são inspiração. Eu achava essas mulheres admiráveis e lindas", afirma.
"A minha mãe, que apesar de não estar mais aqui e que nunca imaginou que eu pudesse me tornar uma atriz, também me serviu de inspiração, principalmente no que diz respeito à forma como eu conduzo a minha carreira. Porque ela me ensinou muito sobre coragem, sobre a importância de se levantar mais forte depois de uma queda, sobre resiliência, disciplina e comprometimento com o trabalho", completa Heloisa.
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