Publicado 05/04/2023 07:00 | Atualizado 05/04/2023 08:38
Rio - A espera finalmente acabou! Os cinco primeiros episódios da segunda parte de "Todas as Flores" serão liberados no Globoplay nesta quarta-feira, a partir das 20h, e o público vai começar a acompanhar o desfecho da história de Maíra (Sophie Charlotte), Vanessa (Letícia Colin), Zoé (Regina Casé) e companhia. A novela escrita por João Emanuel Carneiro superou todas as expectativas e fez um sucesso avassalador, causando uma ansiedade nos telespectadores para que a nova leva de capítulos fosse lançada o mais rápido possível.
Os fãs estão ansiosos para que Maíra coloque em prática o plano de vingança contra a mãe, Zoé, e a irmã, Vanessa, que conseguiram separá-la de Rafael (Humberto Carrão) e ainda roubaram seu filho, Rivaldinho. "Essa ansiedade com relação a segunda temporada e ao desenrolar dessa trama foi bem intensa. É a maior expectativa que eu já vivi com uma novela. O que vai acontecer? Como vai se desenrolar? É muito interessante guardar esse segredo e brincar com essa expectativa, não dar spoiler", diverte-se Sophie Charlotte.
"Eu participei do Baixo Augusta (bloco de Carnaval paulista) e lá em cima do trio tinha uma pessoa me perguntando 'cadê meus capítulos?'. Essa expectativa é curiosa. É claro que a gente tem uma reviravolta, mas como ela vai se dar, em que nível, só assistindo mesmo pra saber. Foi muito revelador e maneiro ver a repercussão tão avassaladora dessa novela", completa a atriz, que convida o público a assistir à trama para saber se Maíra vai virar vilã ou não.
Humberto Carrão, que vive o mocinho Rafael, concorda com a colega de elenco. "É realmente assustador. Eu estive com a Regina (Casé) na Bahia algumas vezes esse ano e a quantidade de gente perguntando o tempo inteiro... Tem duas frases que são as que mais se repetem: 'Cadê a Maíra?' e 'Cuidado com a Zoé'. Isso é coisa de novela de TV aberta. A gente não esperava um sucesso tão grande, todo mundo muito ansioso pra estreia da novela", analisa.
Quem também se surpreendeu com o reconhecimento do público foi Letícia Colin, que se diverte ao perceber que as pessoas amam odiar sua personagem. "É engraçado que rola um constrangimento de assumir esse amor, essa torcida pela vilã, assumir que adora uma personagem que é horripilante, que faz tudo de errado, que faz tudo que a gente combate na sociedade, uma personagem capacitista, do mal mesmo. É curioso, tem a ver com um lugar que a ficção desperta na gente e que deveria estar só na ficção mesmo, essa maldade…", afirma a atriz.
"As pessoas têm reconhecido muito mesmo. Eu nunca fiz um trabalho com essa proporção de reconhecimento. Eu sempre fui uma atriz que as pessoas olhavam e falavam 'ah você fez aquela…'. E tinha um 'gap' (lacuna, em tradução livre) entre a lembrança de eu pertencer a algum personagem ou a uma obra. Hoje em dia é uma coisa muito imediata: (as pessoas olham pra mim e dizem) Vanessa", completa.
Regina Casé revela que o público têm abordado até sua filha na vida real, Benedita, para falar sobre a trama. "Perguntaram pra Benedita: 'Você é filha da Zoé?'. Ela nem se ligou, falou: 'Quem?'. Depois ela me disse: 'Mãe, não é possível, eu pensei que só na TV aberta tinha isso'. Eu acho que essa novela ainda vai ser estudada como um case. Eu estou muito interessada nisso, foi muito surpreendente um sucesso desse tamanho, desse jeito. Eu achei interessantíssimo. A gente ainda não sabe nada disso (novelas no streaming), ainda estamos engatinhando, mas o resultado não foi apenas que a novela fez sucesso, e sim que essa maneira de assistir a novela, largando cinco episódios toda semana, isso em si deu certo. Deu muito certo. Brasileiro é danado com negócio de audiovisual, a gente sempre está lá na frente", comemora.
Desafios diferentes
O autor João Emanuel Carneiro começou a escrever "Todas as Flores" para a TV aberta, mas conta que sempre pensou em seus folhetins como se fossem mesmo uma série. "A minha ida para o streaming foi um caminho muito natural. Acho que eu sempre fiz novela de uma maneira muito como se fosse uma série", revela o escritor, que acredita que a produção para a TV aberta e para o streaming são "desafios bem diferentes".
"A novela no streaming me dá a possibilidade de tocar em temas mais polêmicos, abordar sexualidade… Na TV aberta não tem essa chance porque lá você está invadindo os lares das pessoas. No streaming, é a opção de alguém assistir aquilo. Tem uma diferença aí", explica.
João Emanuel revela que o sucesso com o público não provocou alterações em seu texto para essa segunda parte e que a única mudança que a novela sofreu aconteceu logo que ele descobriu que a trama não seria mais exibida na TV aberta e sim no Globoplay.
"A novela já estava gravada, não teve como mudar nada (por conta do sucesso). Ela foi mudada quando eu soube que ela era pro streaming. Ela começou a ser escrita para a TV aberta, depois mudaram pro streaming. Essa mudança mudou muito a novela, em vários sentidos", afirma.
O autor conta que sempre espera que seus trabalhos façam sucesso. "Agora sobre o sucesso, você sempre faz uma novela, que é uma coisa tão longa e tão difícil, com a expectativa de ter a melhor história do mundo. Se você não acha que é a melhor história do mundo, é melhor nem fazer, nem que seja uma mentira pra você mesmo, você tem que achar aquilo maravilhoso. Então, eu sempre espero um sucesso enorme", explica João Emanuel, que analisa o que faz "Todas as Flores" sobressair tanto.
"Eu acho que ela é uma novela muito fora da casinha, de certa maneira… Personagens contraditórios, muito malucos, muito transgressores. E as pessoas estão querendo ver coisas assim", finaliza.
Leia mais

Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.