Ywyzar Tentehar vence medo de cavalos para viver estudante de veterinária em ’Vale Tudo’Divulgação / Gustavo Paixão
Publicado 04/05/2025 05:00
Rio - Indígena do povo de Tentehar, também conhecido como Guajajara, Ywyzar Tentehar faz sua grande estreia em novelas em "Vale Tudo", da TV Globo. No remake, a atriz de 21 anos interpreta Flávia, uma estudante de veterinária. A personagem é amiga de Fernanda (Ramille) e namorada Carlos (Felipe Ricca). Em entrevista ao Meia Hora, a artista diz que precisou vencer o medo de cavalos para o papel, cita conversa com Renata Castro Barbosa, que interpretou a jovem na primeira versão do folhetim - exibido em 1988 -, lembra o trabalho como protagonista na série "Tarã", série do Disney+, prevista para estrear este ano, com Xuxa e Angélica, e fala sobre outros projetos. Confira!
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- Ywyzar, você integra o remake de "Vale Tudo", interpretando a personagem Flávia. Como foi construir a personagem que já teve uma primeira versão?
Eu me desprendi da personagem da primeira versão. Vi que ela mudou bastante, está ambientada em outro momento, então isso me deu liberdade. Sobre a criação da personagem, venho entendendo com essa minha primeira novela, que a personagem nunca está 100% criada, ela está sempre em construção. Tem sido intenso, prazeroso e muito divertido o processo e tenho aproveitado o máximo aprender com a personagem, com meus colegas de trabalho e com o próprio ambiente.

- Flávia é uma veterinária e você precisou superar o medo de cavalos para viver a personagem. Teve outro desafio que precisou superar?
Tenho aprendido muito com o processo. Tenho entendido que cada dia tem sido um desafio… mas claro, pequenos desafios muito prazerosos e com muitos ganhos.

- Na primeira versão, Flávia foi interpretada por Renata Castro Barbosa. Conversou com a atriz sobre o papel? Recebeu alguma dica?
Ainda não nos encontramos pessoalmente, mas trocamos mensagem nas redes sociais. Estou louca para encontrá-la pessoalmente e acredito que será logo. Foi a primeira novela dela, assim como está sendo a minha, então o conselho que veio, é para que eu aproveite essa fase.
- Atualmente os folhetins da TV Globo estão com um elenco mais diverso. Sendo uma pessoa indígena do povo de Tentehar, como avalia esse momento?
Vejo com muita esperança e também com senso de responsabilidade. Durante muito tempo, nossos corpos, nossas histórias e nossas culturas foram invisibilizados ou representados de forma estereotipada na mídia. Estar agora dentro desse espaço e ver um elenco mais diverso ganhando protagonismo é um passo importante para a representatividade real.
Mas também é um momento que exige atenção, diversidade não pode ser só presença, precisa ser escuta, respeito e participação ativa nos bastidores, nos roteiros, nas decisões criativas. Acredito que trazer nossos saberes, nossos modos de ver o mundo e nossas narrativas contribui para uma televisão mais rica, mais verdadeira e mais conectada com o Brasil real. É um começo, e que bom que está acontecendo, mas ainda há muito o que construir juntos.

- Você também integra o elenco da novela "Guerreiros do Sol", do Globoplay, que ainda não foi lançada. Como foi estrear nos folhetins em grande estilo, em dois papéis?
É uma oportunidade de romper com estereótipos e abrir caminhos para que mais pessoas dos nossos povos ocupem esses lugares. Estrear assim é também uma forma de reafirmar que estamos aqui.

- Além das telinhas, você também está nas telonas no filme "Rio de Sangue", interpretando Edilene, uma jovem indígena. Como foi viver a personagem dando visibilidade ao povo originário, sem reproduzir estereótipos?
Dar visibilidade com respeito e profundidade é o que me move como artista e como mulher indígena. E ver esse movimento acontecendo no audiovisual é algo que me enche de esperança para o futuro. 
- A Edilene é do povo Munduruku, enquanto você é do Tentehar. Ao construir a personagem, descobriu novos costumes? Encontrou semelhanças?
Gosto de fazer trabalhos em outras comunidades porque mesmo sendo de um povo diferente, me sinto muito pertencente, e a recepção dos 'parentes' faz eu me sentir em casa. Acho que a semelhança está na forma como recebemos quem vem de fora, na forma afetiva como acolhemos e trocamos com essas pessoas. Mas tem a parte que é bem distinta da minha cultura, principalmente a língua que vem de outro tronco. Confesso que senti uma leve dificuldade em pronunciar algumas palavras mas tive ajuda das pessoas da comunidade.

- Giovanna Antonelli também integra o folhetim da plataforma de streaming. Como foi a parceria com a atriz? 
Meu núcleo estava mais fechado nos atores indígenas e pessoas da própria comunidade, que enriqueceram meu trabalho para além da atuação. Daniel Munduruku e Macsuara são pessoas que eu já acompanhava e pude conhecer pessoalmente, tendo trocas e muito aprendizado. Também teve as próprias lideranças da região que também fizeram parte do projeto e contribuíram muito o meu aprendizado como jovem.

- Na série "Tarã", do Disney+, que está prevista para estrear em 2025 com Xuxa e Angélica, você viveu a primeira protagonista da carreira. Sentiu insegurança ao estrelar o primeiro trabalho?
Sim, acho que eu nem tinha noção do peso de ser protagonista, mas o peso de estar ali. Conseguir acreditar em mim mesma foi um processo delicado pois em vários momentos minha mente tentava me sabotar, acho que era estranho acreditar que aquele espaço também me pertencia.

- Como foi contracenar com a "Rainha dos Baixinhos" e a dona do hit "Vou de Táxi"?
Foi e continua sendo uma experiência incrível! O projeto ainda não estreou, então sinto que os compromissos com o projeto ainda continuam. Em 'Tarã', eu sinto que realizei não apenas os meus sonhos individuais, mas também sonhos de muitas gerações que sonhavam/sonham com o mundo de magia da Disney e também com a presença dessas mulheres incríveis. Então, me ver ali do lado dessas mulheres que tem uma influência muito grande em diferentes gerações, abordar assuntos importantes mas sempre se divertindo foi muito importante para eu entender que eu posso prazer política no meu trabalho mas sem perder o carisma.
- Você integra trabalhos em novelas, série e filme. Além de se dedicar aos projetos atuais, quais são os próximos passos que deseja trilhar na carreira?
Tenho aproveitado esse período da novela, com um contrato (mesmo que por um curto período) pra me dedicar a estudos, usando essa oportunidade para investir em cursos e novas experiências. Acredito em novas oportunidades que estão por vir e quero estar preparada quando isso acontecer, além disso, tenho pensado como posso abrir mais portas no mercado para mais parentes.
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa
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