Daphne Bozaski vive Lucélia em ’Três Graças’Globo/Estevam Avellar
Publicado 07/12/2025 05:00
Rio - Aos 33 anos, Daphne Bozaski estreia em horário nobre da TV Globo, na novela "Três Graças", dando vida à primeira vilã da carreira: Lucélia. Duas caras, a personagem fica órfã e se muda para a casa do tio Kasper (Miguel Falabella), casado com João Rubens (Samuel de Assis). Ambiciosa e manipuladora, ela faz de tudo para prejudicar a filha do casal, Maggye (Mell Muzzillo), e já conseguiu até afastar a prima de Júnior (Guthierry Sotero) após armar um plano contra ele. Conhecida por papéis afetuosos, a atriz fala sobre o momento profissional atual e a vida que leva fora das telinhas, dedicada ao filho e à casa-restaurante que mantém há quase 15 anos em São Paulo com o marido, o chef Gustavo Araújo.
Publicidade
- Lucélia marca sua estreia no horário nobre com uma virada radical na carreira. O que mais te instigou nessa personagem tão diferente das figuras doces que o público acostumou a ver?
Quando o Guilherme Gobbi, nosso produtor de elenco, me ligou contando que a personagem seria uma vilã, achei que seria um ótimo momento para experimentar esse outro lado na minha carreira, depois de ter feito na TV aberta personagens como a Lupita ('Família é Tudo', 2024), Dolores ('Nos Tempos do Imperador', 2021) e Benê ('Malhação: Viva a Diferença', 2017 e 'As Five', 2020 até 2024). Acredito que Lucélia chega para me tirar de um lugar de atuação mais conhecido e explorar novas facetas, sentimentos e cargas dramáticas. Para nós atrizes e atores é importante esse desafio, e está sendo muito bom trabalhar em mim as tintas mais carregadas e esses lados incógnitos.

- Lucélia rompe com o estereótipo de "boazinha" que te acompanhou por tantos anos? Foi um desejo seu?
Sim, novos desafios são muito bem vindos. Queria poder trabalhar este lado mais cruel, dissimulado e que faz a gente passar raiva quando vê. Tem sido desafiador a cada cena, mas também é uma faceta importante de ser mostrada. Quem nunca cruzou com uma Lucélia na vida?!

- Como você enxerga a vilania da Lucélia? Ela é movida por inveja, ambição ou há vulnerabilidades que ainda serão reveladas?
Nossos autores Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva escrevem o presente que a personagem está vivendo. Deixando um mistério para a trama e também caminhos para uma novela aberta. Por enquanto, não tenho indicações para qual caminho ela seguirá, se mostrará ou como mostrará a vulnerabilidade. Acredito que toda pessoa tenha um pouco de tudo dentro de si. Mas nosso caráter é quem dita. Vamos aguardar…

- Miguel Falabella, Samuel de Assis, Mell Muzzillo e Guthierry Sotero formam um núcleo muito forte. Como tem sido contracenar com esse grupo e "desestruturar" os colegas em cena?
É muito divertido gravar com eles, criamos uma sintonia logo de cara. Lucélia desestrutura a harmonia da família, esse jogo cênico de perceber quais os momentos consigo mudar a dinâmica da cena é desafiador, pois não posso demonstrar a verdadeira Lucélia na frente deles, então é uma linha muito sutil das maldades e de parecer boazinha. Essa sintonia que criamos fora de cena, me dá confiança para explorar esses lados mais complexos na hora da cena.

- A rivalidade entre Lucélia e Maggye (Mell Muzillo) incendeiam a trama. O que você pode adiantar?
Eu e Mell Muzillo trocamos muito sobre cada cena. Por mais que tenha cenas de discussão, elas são primas. Existe aquela coisa de família que briga, fala mais do que devia, se intromete… mas ainda assim vivem na mesma casa. Então, buscamos os pontos onde tem esse alívio e onde as palavras saem e ferem a outra.

- Sua transformação visual, corte de cabelo, ausência dos óculos e figurino mais adulto, foi essencial para o papel. Como isso influenciou seu mergulho na vilania?
Eu amo 'vestir a personagem', acho importante no processo de criação. Quando cortei e pintei o cabelo, brinco: 'tirei a cara da Daphne'. Eu consegui ver a carinha da Lucélia. Acho que o figurino e caracterização dessa novela são impecáveis. Muito bem elaborados e remexeram nas carinhas de todos os atores.
- Se acha parecida com a personagem em algum sentido? Apesar de ser uma vilã…
Só o fato dela ter vindo do Paraná, onde pude trazer umas gírias como guria, piá… No mais essa maneira de fazer a sonsa não é comigo.

- A chegada de Lucélia afeta uma família formada por um casal gay. Como você vê o impacto desse conflito?
A Lucélia é aquela voz que ouvimos muito no dia a dia. Uma fala que vem de maneira sonsa, com uma risadinha, um deboche e cheia de preconceito. Preconceito esse que mata, e alimenta as falas mais radicais que tanto ouvimos no nosso país. Acredito que mostrar isso na novela vem como um alerta para percebermos aquelas pessoas que nos fazem mal, e as vezes demoramos para enxergar a real faceta.

- Você é mãe do Caetano. Como você equilibra maternidade, rotina de novela e outros projetos?
Equilíbrio? Sempre em busca!

- Sua casa-restaurante, a Casa do Araújo, passou por uma reforma. Como foi esse processo? O que essa nova fase significa para você?
Sim, finalizamos a reforma! Depois de quase 2 anos nesse processo. Agora estamos nos organizando para a reabertura. A Casa do Araujo é o projeto do meu marido Gustavo Araujo, que abria a nossa casa para receber pessoas. Esse projeto já tem 14 anos, não moramos mais no mesmo local do restaurante. Agora é uma nova casa, um novo formato, mas a mesma essência. Queremos que cada pessoa se sinta em casa quando for comer, beber e ter esse encontro na nova Casa do Araujo. O que mais me comove é que nessa nova etapa eu e o Gustavo mergulhamos juntos para realizar esse sonho, essa reabertura. O restaurante é a nossa cara e nosso coração.

- Como você avalia 2025 e o que espera de 2026?
Sinto que 2025 ainda tem tanto para acontecer. Tenho vivido tanto no presente que não estou fazendo planos futuros. Tenho só a agradecer tudo que tem acontecido e focar no que vem acontecendo.

- Há algum papel que você ainda sonha em fazer?
Já estou realizando um desses sonhos de personagens. O desejo é que sempre apareça um trabalho em que eu possa vivenciar personagens diferentes entre si. Sempre almejo que tenha um elenco bacana comigo, como sempre foi até agora. Tive muita sorte!
Leia mais